O camelo chegou ao Saara e tornou o deserto transponível (~300 a.C.)
Um único animal domesticado vindo da Arábia deu aos povos berberes do Norte da África uma forma de atravessar o maior deserto do mundo — e assim criou a caravana, o nômade saariano e a estrada do deserto que levou ouro e sal para o norte e, ao longo de doze séculos, levou africanos escravizados pelo mesmo caminho.
Por volta de 1000 a.C., pastores das costas do sul da Arábia transformaram um ruminante selvagem do deserto no dromedário doméstico. Mil anos mais tarde, o animal chegou ao Norte da África, onde os povos berberes encontraram nele algo que nenhum cavalo, boi ou jumento poderia ser: uma criatura capaz de transportar um quarto de tonelada através de distâncias sem água. Já nos séculos romanos, o camelo havia tornado o Saara permeável — e edificado a economia de caravanas que movimentaria o ouro da África Ocidental, o sal saariano e milhões de pessoas escravizadas por mais de mil anos.
Antes do camelo: um deserto que era uma muralha
O mundo berbere do Magrebe
Durante três mil anos antes do camelo, os povos que os gregos e romanos chamavam de líbios e numidas — os ancestrais dos atuais imazighen, ou berberes — haviam cultivado, criado rebanhos e comerciado ao longo da margem setentrional da África sem nunca tratar o Saara como um lugar que uma pessoa pudesse atravessar com regularidade. Seu mundo corria de leste a oeste, ao longo do litoral mediterrâneo e dos vales do Atlas, e não de norte a sul rumo à areia. Descendentes dos caçadores-coletores capsienses do Magrebe, haviam adotado ovinos, caprinos e bovinos domésticos já no sexto milênio a.C., e, no primeiro milênio a.C., estavam organizados em reinos — a Numídia, no que hoje é a Argélia, e a Mauritânia, a oeste dela — cuja cavalaria os cartagineses e, depois, os romanos prezavam acima de quase qualquer outra.9 O cavaleiro numida, montando sem freio nem sela, era uma lenda militar do Mediterrâneo; os esquadrões mais temidos de Aníbal eram numidas, e Roma viria mais tarde a recrutar esses mesmos cavaleiros contra ele.9 O cavalo, o boi e o jumento eram os animais desse mundo, e os três partilhavam uma mesma fraqueza desqualificadora: nenhum deles podia afastar-se muito da água.
As pessoas que viviam essa vida não eram, fosse o que fosse que as fontes clássicas insinuassem, uma franja marginal da história mediterrânea. Falavam as línguas berberes da família afro-asiática, ancestrais do tamazight, do tachelhit, do cabila e das falas tuaregues ainda hoje em uso; veneravam seus próprios deuses e ancestrais antes — e, com frequência, muito depois — de os cultos cartagineses e romanos chegarem à costa; e sustentavam densas populações agrícolas cujos cereais e azeitonas as economias cartaginesa e, em seguida, romana passaram a depender.9 Seus reis — Massinissa da Numídia acima de todos, que viveu até os noventa anos e governou por meio século no século II a.C. — ergueram cidades, cunharam moedas e jogaram a política do Mediterrâneo de igual para igual.9 O que não tinham, e ainda não precisavam, era de um modo de transformar o deserto às suas costas em algo que não fosse uma borda. Seu mapa tinha um sul, mas o sul era uma margem, não uma estrada.
O Magrebe que Roma viria por fim a organizar nas províncias da África Proconsular, da Numídia e das duas Mauritânias era, em mãos berberes, um mosaico de agricultores cerealistas sedentários, pastores transumantes que circulavam entre a costa e a montanha, e cultivadores de oásis na franja próxima do deserto. Os olivais e os trigais que um dia fariam do Norte da África o celeiro de Roma pertenciam ao norte bem irrigado.3 O deserto profundo não pertencia a ninguém que precisasse atravessá-lo. O intercâmbio com as terras ao sul da areia não estava de todo ausente, mas se dava em curtos revezamentos, de mão em mão entre oásis, lento e rarefeito — nunca como um único fio que um mercador ou um peregrino pudesse seguir da costa mediterrânea ao rio Níger.411 Para apreender o que o camelo fez, é preciso começar aqui: por um povo cuja geografia inteira era uma linha de costa e, atrás dela, uma muralha.
Os garamantes e o Saara dos carros de guerra
O único povo berbere que vivia nas entranhas do deserto, e não em sua borda, eram os garamantes do Fezzan, no centro da atual Líbia. A partir de talvez 1000 a.C., e como Estado reconhecível por volta de 500 a.C., os garamantes ergueram uma civilização genuína no lugar mais inóspito do continente: cidades, cemitérios com dezenas de milhares de túmulos, campos irrigados e uma capital em Garama, a atual Jarma.4 O Projeto Fazzan, dirigido por David Mattingly, revelou uma entidade política bem mais substancial do que os autores clássicos, que descartavam os garamantes como bárbaros do deserto, jamais admitiram.4 E a ergueram sem o camelo. Sua água não vinha da chuva, mas da foggara — túneis subterrâneos de declive suave, a tecnologia que os persas chamam de qanat — que captavam água fóssil do subsolo e a conduziam por gravidade até os campos. Com trabalho escravo, escavaram e mantiveram centenas de quilômetros desses canais, um investimento no solo que nenhum nômade jamais teria feito.45
Quando Heródoto descreveu os garamantes no século V a.C., o animal que lhes atribuiu não foi o camelo, mas o cavalo. Relatou que caçavam os "etíopes cavernícolas" do deserto a partir de carros de quatro cavalos — e a arte rupestre do Saara central confirma uma longa era em que os veículos puxados por cavalos, e não os camelos, eram as máquinas de prestígio do deserto.1311 Os carros daquelas pinturas podiam transportar um guerreiro e um condutor em velocidade; não podiam transportar carga através de distâncias sem água, e o povo que os pintou não atravessava propriamente o deserto, mas governava seus oásis e o assaltava por dentro.111
Os garamantes foram o ponto culminante daquilo que uma sociedade do deserto podia se tornar sem o camelo — e a medida de quanto esse teto se elevaria assim que o camelo chegasse.
Sua façanha também marca o limite. A foggara era uma solução brilhante para viver no deserto, mas era inútil para atravessá-lo: instalação fixa que captava água fóssil em um único lugar, atava os garamantes a seus oásis com a mesma firmeza com que os sustentava. Eles comerciavam — o Projeto Fazzan recuperou mercadorias mediterrâneas no coração do território garamante e exportava, muito provavelmente, a cornalina, o marfim e as pessoas do sul —, mas o faziam através de um deserto que permanecia, em volume e em distância, um obstáculo formidável.45 Os garamantes mostram o que a vontade humana podia extrair do Saara com irrigação, trabalho escravo e o cavalo; mostram também o exato formato da porta que o camelo estava prestes a abrir. Um povo que podia construir uma civilização em torno de água parada estava a uma única tecnologia de construir outra em torno do movimento.
O que o deserto pré-camelo não permitia
Vale ser preciso quanto àquilo que a ausência do camelo de fato vedava, pois a mudança que ele depois trouxe só se torna legível contra a muralha que removeu. O Saara do primeiro milênio a.C. já era plenamente árido — o "Saara Verde" do início do Holoceno, com seus lagos e seus criadores de gado, já se fora havia milênios —, e esse deserto negava aos povos de sua orla um conjunto específico e decisivo de possibilidades:
- Transporte de travessia. Bois e jumentos têm de beber a cada um ou dois dias, e um cavalo no calor do deserto sucumbe ainda mais depressa. Nenhum deles podia transportar uma carga útil através dos trechos sem água de vários dias que se estendem entre os poços esparsos do deserto.1014
- Frete a granel. Um jumento de carga transporta talvez 60 a 80 quilos e precisa de água e forragem que um camelo dispensa; mover mercadorias em quantidade através da areia era simplesmente antieconômico, e por isso quase não se fazia.1
- Um eixo norte–sul. A África subsaariana e o mundo mediterrâneo eram, para os efeitos práticos de um intercâmbio regular, dois continentes separados por um oceano de areia.45
- A mobilidade no deserto como poder. Nenhum povo conseguia ainda ganhar a vida, menos ainda erigir uma entidade política, a partir do simples deslocar-se pelo deserto aberto. O deserto era uma barreira a contornar, a circundar por irrigação ou a suportar — nunca a habitar em velocidade.15
Esta era a herança em que um único animal domesticado viria a desembarcar. O camelo não aperfeiçoou o deserto; o Saara depois do camelo era exatamente tão quente, tão seco e tão vasto quanto o Saara antes dele. O que mudou foi aquilo que um ser humano podia fazer com ele.
O animal e sua estrada
Saído da Arábia: a domesticação e a longa caminhada para o oeste
O dromedário, o Camelus dromedarius de uma só corcova, foi domesticado tarde — bem mais tarde que a vaca, a ovelha ou o cavalo. O mais recente trabalho de DNA antigo, conduzido por Faisal Almathen e colaboradores e publicado em 2016, situa a fundação do patrimônio genético doméstico entre os dromedários selvagens da costa sudeste da Arábia há cerca de três mil anos, no início do primeiro milênio a.C., com posterior "reabastecimento" a partir de rebanhos selvagens que desde então se extinguiram por completo.2 Sua domesticação parece ter estado ligada ao comércio de incenso do sul da Arábia, que precisava de um animal capaz de transportar olíbano e mirra através dos desertos da península até os mercados do Crescente Fértil e do Mediterrâneo.12
Da Arábia, o camelo seguiu para o norte e para o oeste ao longo das mesmas artérias comerciais — para a Mesopotâmia, o Levante e as franjas do Egito — no decurso de vários séculos. Não se tratou de uma introdução planejada por nenhum Estado ou povo, mas de uma lenta difusão biológica e comercial: o animal viajava com os mercadores e pastores que o achavam útil, e se reproduzia onde quer que o clima lhe conviesse.12 A genética coincide exatamente com o comércio. A equipe de Almathen constatou que os dromedários modernos em toda essa vasta extensão apresentam muito pouca estrutura regional — a assinatura inconfundível de um "fluxo gênico extensivo" justamente ao longo das rotas de caravana que o próprio animal tornara possíveis —, uma espécie, em outras palavras, remodelada pelo comércio que ela mesma criou. O dromedário e a rota de longa distância são, nesse sentido, um único fenômeno: cada um fez o outro.2
A razão pela qual o camelo foi domesticado tão tarde, quando o dromedário selvagem fora caçado na Arábia por milênios, é em si mesma instrutiva. O valor do animal não está como fonte de carne ou leite perto de casa, onde bovinos e ovinos já cumpriam esse papel; seu valor está como máquina de mover coisas através de um terreno que derrota qualquer outra besta. Um povo só tem uso para semelhante máquina quando tem algo a mover e um lugar distante para onde movê-lo — e foi precisamente isso que a economia de incenso do sul da Arábia forneceu. O olíbano e a mirra cresciam apenas no canto meridional da península e no Chifre da África, e os mercados que os cobiçavam ficavam a mil quilômetros e mais ao norte.12 O camelo foi, com efeito, domesticado em direção a um problema de logística. É próprio que o mesmo animal, levado à beira do maior problema de logística da Terra, ali viesse a encontrar sua expressão mais plena.
A chegada disputada ao Egito e ao Magrebe
Determinar exatamente quando o camelo chegou ao Norte da África é uma das controvérsias genuínas do campo, e o registro nomeia o debate em vez de mascará-lo. Traços esparsos de camelos no Egito remontam ao segundo milênio a.C., mas a maioria dos especialistas os considera isolados e não como prova de uma população de trabalho estabelecida. A datação por radiocarbono de osso de camelo feita por Peter Rowley-Conwy em Qasr Ibrim, na Núbia, apontou que o animal só se estabeleceu no vale do Nilo no primeiro milênio a.C., e a conquista assíria do Egito em 671 a.C. trouxe camelos em grande número.16 Sob os ptolomeus, no século III a.C., o camelo entrou em uso geral no transporte pelo deserto entre Copto, no Nilo, e os portos do mar Vermelho — o primeiro uso documentado de caravanas de camelos para o frete organizado de longa distância em toda a África.63
Para o Magrebe propriamente dito, as evidências surgem mais tarde. O mais antigo material esquelético de camelo da costa norte-africana ocidental provém de Cartago, em depósitos de cerca dos séculos V a III a.C.6 A primeira referência documental inequívoca no Ocidente latino é brutalmente específica: em 46 a.C., na campanha que terminou na batalha de Tapso, as forças de César capturaram o comboio de bagagens do rei Juba I da Numídia, e o contemporâneo Bellum Africum arrola entre os despojos vinte e dois camelos.12
Que um rei numida tivesse camelos em 46 a.C., mas apenas vinte e dois dignos de registro como novidade, capta o momento com incomum exatidão: o animal estava presente, era prestigioso e ainda não era comum. A âncora cronológica do verbete, em torno de 300 a.C., assinala o amplo horizonte da chegada ao Norte da África; a presença densa e corriqueira do camelo ainda estava a três ou quatro séculos de distância.36
A sela norte-arábica e a morte da roda
O camelo não se tornou uma revolução do transporte pelo mero fato de existir no Norte da África. O que fez dele uma revolução foi um equipamento. Em The Camel and the Wheel (1975), o historiador Richard Bulliet argumentou que a inovação decisiva foi a sela norte-arábica, desenvolvida em algum momento entre cerca de 500 e 100 a.C., que assentava uma armação rígida de madeira sobre e em torno da corcova e permitia que um cavaleiro ou uma carga pesada se acomodassem com segurança acima dela.1 Antes dessa sela, o camelo era um animal de carga que um pastor conduzia a pé; depois dela, o mesmo animal podia ser montado na guerra e carregado com frete a granel. Os povos que dominaram a sela ganharam assim, numa só criatura, ao mesmo tempo um transportador de carga e uma montaria de cavalaria — combinação que nenhum outro animal doméstico oferecia.1
A tese maior e mais surpreendente de Bulliet dizia respeito àquilo que o camelo deslocou. Por todo o Norte da África e o Oriente Médio, demonstrou ele, a roda — conhecida e usada havia séculos, com estradas romanas e carros de bois por toda parte — foi progressivamente abandonada na Antiguidade tardia em favor do camelo de carga.1 A razão foi econômica, e não qualquer perda de conhecimento: uma caravana de camelos não precisava de estradas, nem de rodeiros, nem de juntas de tração, e Bulliet estimou que ela podia mover mercadorias talvez vinte por cento mais barato do que um carro pelo mesmo trajeto.1
Por algo como mil anos depois disso, os veículos de roda se tornaram tão raros em toda a região que viajantes posteriores, e até alguns escritores locais, pareciam mal saber que ali algum dia se haviam usado carros.1
Há um debate acadêmico real sobre até onde se pode levar a elegante tese de Bulliet — se o declínio da roda foi tão uniforme, ou tão puramente econômico, quanto ele propôs, e quanta variação regional ele ocultava.13 Mas a observação central sobreviveu a quatro décadas de escrutínio: numa região vasta e que antes usava a roda, o camelo de carga tornou-se tão dominante que o carro praticamente desapareceu, e assim permaneceu até que as potências coloniais europeias reintroduziram o transporte sobre rodas nos séculos XIX e XX. Poucas transmissões em todo o atlas revertem uma tecnologia existente de modo tão completo. O camelo não apenas acrescentou uma capacidade à vida norte-africana; ele subtraiu uma, e a subtração é tão parte de seu registro quanto a dádiva.

O camelo como frete: o Norte da África romano
Já nos séculos romanos, o camelo passara de curiosidade a infraestrutura de trabalho. O estudo de Olwen Brogan sobre o camelo na Tripolitânia romana documentou o animal por todo o pré-deserto interiorano como besta de carga e até, em relevos escultóricos do século III d.C., como animal de arado atrelado aos campos; osso de camelo aparece na capital garamante de Jarma já no século II d.C.64 Uma terracota romano-egípcia do fim do século II ou início do III mostra um camelo carregado de ânforas de transporte — a imagem cotidiana do animal como frete, o navio porta-contêineres do deserto reproduzido em miniatura para uma prateleira doméstica.6 A análise de Andrew Wilson das evidências saarianas sugere que, no auge do período romano, os garamantes já movimentavam um tráfego de caravanas que talvez somasse centenas de cargas de camelo por ano, ainda que o grande comércio transaariano permanecesse no futuro.5
O Estado romano também usou o camelo. O exército formou unidades dedicadas, montadas em camelos, os dromedarii; o imperador Trajano constituiu uma ala de mil homens, a ala I Ulpia dromedariorum milliaria, na Síria, e por toda a fronteira meridional os cavaleiros de camelo serviam como batedores, mensageiros e polícia do deserto, sua velocidade e independência da água permitindo-lhes patrulhar distâncias que a cavalaria não alcançava.1 No Norte da África romano, o camelo tornou-se, ao longo de três ou quatro séculos, a resposta ordinária para quase todo problema que o deserto colocava — para o agricultor na borda do deserto, o soldado na fronteira e o mercador de olhos voltados ao sul. Ao tornar-se ordinário, reconstruiu silenciosamente a geografia econômica de toda a região e preparou o cenário para tudo aquilo em que o Saara medieval viria a se transformar.31
O que o camelo mudou e o que substituiu
O deserto tornado permeável
O único fato fisiológico por trás de tudo o que se segue é a relação do camelo com a água. Um dromedário de trabalho pode transportar uma carga de cerca de 150 a 200 quilos e passar vários dias — sob condições favoráveis, uma semana ou mais — sem beber, perdendo até um quarto do peso corporal em água e recuperando-o numa única e longa bebida em um poço; ramoneia o arbusto espinhoso que outros animais não tocam, e suas patas largas e abertas cruzam a areia em que um cavalo ou um carro atolam.1014 Nenhum outro animal então disponível combinava num só corpo carga, autonomia e tolerância ao deserto. O camelo é, em termos de engenharia, um veículo de frete todo-o-terreno, autoabastecido e autorreparável, que funciona a espinhos e se reproduz sozinho — e o Saara é exatamente o ambiente em que essa especificação mais importa.10
A consequência foi estrutural e enorme. Trechos que haviam sido simplesmente intransponíveis para o transporte carregado tornaram-se jornadas de um número calculável de dias entre poços conhecidos. O Saara, que separava o mundo mediterrâneo da África subsaariana com a mesma eficácia de um mar, tornou-se uma coisa com rotas que o cruzavam. Isso não aconteceu de uma só vez, e a honestidade quanto à cronologia importa: o comércio regular de caravanas transaarianas em larga escala é um fenômeno dos séculos posteriores a cerca de 300 d.C. e, acima de tudo, do período islâmico após o século VIII, quando as evidências históricas e arqueológicas de travessias sustentadas se tornam abundantes.57 Alguns estudiosos, como Sonja e Carlos Magnavita, advertem com veemência contra projetar para a Antiguidade um comércio transaariano plenamente desenvolvido.5 Mas a precondição de tudo isso — cedo ou tarde — era o animal, presente, selado e criado em número por todo o Norte da África já ao fim do período romano.41
A travessia, uma vez tornada regular, tinha uma lógica tão precisa quanto a de qualquer rota marítima. Uma caravana movia-se entre poços conhecidos, cada etapa medida em dias que os animais podiam suportar; as etapas secas mais longas, como a temida travessia do Tanezrouft ou a jornada até as salinas de Taghaza, levavam a tolerância do camelo ao limite e só eram tentadas na estação fresca e com um aprovisionamento cuidadoso de odres d'água.15 As caravanas tornavam-se grandes por segurança, por vezes alcançando os milhares de animais, e eram guiadas por especialistas que liam as dunas e as estrelas como um piloto lê uma costa; os nômades do deserto que controlavam a rota vendiam orientação, escolta e água, e cobravam pedágios pela passagem.157 Nada dessa organização — as etapas de poço, a estação, o guia, o pedágio — tinha qualquer propósito antes do camelo, pois antes do camelo não havia travessia a organizar.
O nascimento do nômade saariano
O camelo fez mais do que transportar mercadorias; criou um modo de vida que jamais existira antes. Grupos berberes que adotaram a criação de camelos em larga escala tornaram-se, ao longo do primeiro milênio d.C., verdadeiros nômades do deserto aberto — as confederações sanhaja do Saara ocidental e, mais tarde e de modo mais célebre, os tuaregues, cujo nome, no imaginário europeu, é hoje quase sinônimo do próprio deserto.915 Eram pessoas que podiam enfim viver no interior do Saara, deslocando-se com seus rebanhos, controlando poços e rotas e tributando ou assaltando o comércio que cruzava seu país. O nômade do camelo foi um tipo humano genuinamente novo, e o deserto que não pertencera a ninguém que precisasse atravessá-lo pertencia agora, num sentido real, àqueles que haviam dominado a arte de se mover por ele.9
As consequências políticas foram profundas. No século XI, um movimento religioso entre os nômades sanhaja do camelo do Saara ocidental tornou-se os almorávidas, que irromperam do deserto para conquistar Marrocos e a Espanha muçulmana — um império nascido do deserto que teria sido impensável sem a mobilidade que o camelo conferia.9 Mas esse novo modo de vida não surgiu no vácuo, e não surgiu sem custo para ninguém. Cresceu ao lado — e em parte em concorrência — de padrões berberes mais antigos de agricultura sedentária de oásis e de pastorícia de curto alcance. A relação entre o nômade do camelo e o cultivador de oásis — o primeiro móvel e armado, o segundo enraizado e produtivo — tornou-se uma das tensões definidoras da sociedade saariana, oscilando periodicamente da simbiose à predação.159 O animal que integrou o deserto também armou alguns de seus povos contra os outros.

O registro da arte rupestre: do cavalo ao camelo
Em nenhum lugar a substituição é mais nítida do que nas paredes rochosas do Saara central, onde os povos do deserto registraram seus próprios animais ao longo de milênios. Os estudiosos dividem a arte rupestre saariana numa sequência de amplos horizontes, e o último deles leva o nome do camelo: o período "Camelino", ou do Camelo, quando camelos gravados e pintados surgem em número imenso por todo o Tassili n'Ajjer, o Acacus, o Messak e sítios de gravura como Oued Djerat e Tit, no sul da Argélia.3 O que impressiona é a limpidez da mudança. O camelo sucede ao cavalo e ao carro de guerra na imagética, e as duas fases quase nunca partilham uma mesma superfície; os artistas do deserto registraram, na pedra, uma genuína rotatividade tecnológica.61 Primeiro a longa era do gado, depois o cavalo e o carro, depois o camelo que perdurou até o presente — uma sequência pintada justamente pelo povo cujas vidas cada animal, por sua vez, reorganizou. Postar-se diante de uma gravura do período do Camelo é olhar para o registro que uma civilização fez do próprio momento em que seu mundo mudou de forma.
Ouro, sal e os impérios medievais
A consequência adiada, mas de alcance histórico-mundial, do camelo foi o comércio transaariano medieval e, por meio dele, uma reconstrução da África Ocidental. Uma vez que as caravanas podiam cruzar o deserto com confiabilidade, duas escassezes complementares puderam enfim ser casadas através dele: a África Ocidental tinha ouro e carecia de sal; o Saara tinha sal — extraído em grandes lajes em centros desérticos como Taghaza — e o mundo mediterrâneo ansiava por ouro.157 A caravana de camelos tornou a troca fisicamente possível, e sobre suas costas ergueram-se os célebres Estados saelianos cuja riqueza assombrou o mundo medieval: Gana, depois Mali, depois Songhai, com cidades-caravana como Sijilmassa, ao norte, e Audaguste, na margem meridional do deserto, enriquecendo como seus portos.715 Quando o soberano maliano Mansa Musa cruzou rumo a Meca em 1324 levando tanto ouro que deprimiu seu preço no Cairo por anos a fio, a riqueza que dispersou viera do norte, em última instância, sobre as costas de um animal arábico que trinta gerações de pastores berberes haviam tornado saariano.7
A escala desse tráfego é fácil de subestimar. O ouro da África Ocidental, levado ao norte pelo camelo, supriu uma parcela substancial do metal precioso que cunhou a moeda do Mediterrâneo medieval e, por meio dela, da Europa cristã; o dinar de ouro do mundo islâmico e, mais tarde, o florim de ouro da Itália bebiam do fornecimento saariano.157 Na direção oposta vinha o sal, essencial às populações do interior e escasso no Sael, ao lado de cobre, tecido, contas e livros. Havia cidades que existiam por nenhuma outra razão que não o comércio e o animal que o tornava possível: Sijilmassa, na borda setentrional do deserto, e Audaguste, em sua margem meridional, eram portos de caravana no sentido mais literal, ancoradouros para frotas de camelos; Timbuctu, fundada como acampamento sazonal tuaregue, cresceu até tornar-se um centro de erudição islâmica cujas bibliotecas guardavam dezenas de milhares de manuscritos.715 Uma erudição, uma arquitetura e uma economia de meio continente repousavam sobre as costas de carga de uma única espécie.
Com o comércio viajaram a religião e a escrita. O islã moveu-se ao longo das rotas de caravana para a África Ocidental com os mercadores que as usavam, alcançando os reinos saelianos a partir do século VIII e remodelando a lei, a alfabetização e o governo por toda a região — uma transmissão que simplesmente não poderia ter ocorrido naquela escala ou velocidade sem a estrada do camelo por baixo dela.715 O atlas Hidden Threads trata a islamização da África Ocidental como um registro próprio; aqui basta dizer que ela se assentou, como o comércio do ouro, o comércio do sal e os impérios do deserto, sobre as costas do camelo. Uma única espécie domesticada se tornara o eixo sobre o qual girou a história de meio continente.
A roda abandonada
A coisa mais clara que o camelo substituiu, isoladamente, foi a roda, e ela merece um momento de atenção justamente porque a substituição foi tão completa. Não se tratou de uma tecnologia marginal que se esvaiu em silêncio; tratou-se do carro, da carruagem e de toda a economia atada às estradas da África romana, deslocada de modo tão minucioso que o conhecimento prático do transporte sobre rodas se apagou de boa parte da região por quase um milênio.1 O camelo era mais barato, não exigia infraestrutura e ia aonde nenhum carro podia segui-lo; em termos puramente econômicos, ele venceu, e a roda perdeu. É um dos grandes episódios contraintuitivos da história — uma sociedade que retrocede, por escolha racional e não por colapso, da roda de volta ao animal de carga — e se mantém como a mais forte evidência possível de quão completamente o camelo reorganizou a vida norte-africana. Categorias inteiras de trabalho e ofício que o carro sustentara, da construção de estradas à fabricação de rodas, simplesmente deixaram de ter razão para existir, enquanto um novo conjunto de ofícios e atividades cresceu em torno da sela, da caravana e do poço.13
Qual foi o custo
A estrada que carregou pessoas
A conta do camelo não está escrita no ato de sua chegada, que não prejudicou ninguém, mas naquilo para que a estrada que ele abriu foi usada. A mesma caravana que levava ouro para o norte e sal para o sul levava seres humanos, e o tráfico transaariano de escravizados — o transporte forçado, ao longo de séculos, de africanos escravizados do Sael, através do deserto, para o Norte da África e o mundo islâmico mais amplo — foi, num sentido estritamente logístico, uma criação do camelo.78 Nenhum outro animal poderia ter feito marchar fileiras de cativos através do interior sem água; a mesma travessia que o camelo tornou sobrevivível para um mercador e suas mercadorias tornou-a sobrevivível, por pouco, para uma coluna de escravizados.
Esta está entre as menos lembradas das grandes migrações forçadas. John Wright, seu principal historiador moderno, chama-a de "a menos notada" dos tráficos de escravizados da África, e observa que, ao longo de toda a sua extensão — de cerca do século VII ao século XX —, ela entregou à servidão estrangeira um número de africanos amplamente comparável ao do tráfico atlântico, bem mais curto.7 Durou mais de mil anos, mais do que qualquer outro; e teve um caráter distinto. Especializou-se em mulheres, tomadas como serviçais domésticas e concubinas, e em meninos castrados para servir como eunucos nos lares do mundo islâmico — uma operação com mortalidade tão alta que cada eunuco sobrevivente representava vários que haviam morrido sob a faca ou em decorrência dela.7
Contar o incontável
Os números são necessariamente estimativas, e a erudição honesta os trata como tal. O cuidadoso "censo tentativo" de Ralph Austen, ainda a tentativa quantitativa de referência, situou o tráfego transaariano isoladamente na ordem de sete milhões de pessoas levadas através do deserto entre cerca de 650 e 1900 d.C.; contagens mais amplas, que incorporam as rotas do mar Vermelho e do oceano Índico do tráfico de escravizados do mundo islâmico mais amplo, alcançam patamares muito superiores, na faixa de dez a dezessete milhões.87 Posta ao lado dos cerca de doze milhões e meio de pessoas embarcadas no tráfico atlântico, a cifra saariana é da mesma terrível ordem de grandeza — apenas acumulada mais lentamente, e ao longo de um período quatro ou cinco vezes mais extenso.8 A lentidão é parte do que a tornou fácil de esquecer; um tráfico que leva mil anos para atingir seu total nunca produz a única década chocante que fixa um horror na memória.
A composição do tráfico é tão reveladora quanto seu tamanho. Onde o sistema atlântico, construído em torno do trabalho de plantação, tomou sobretudo homens, os tráficos transaariano e, mais amplamente, do mundo islâmico tomaram uma maioria de mulheres e crianças — mulheres como serviçais domésticas e concubinas, crianças para o serviço e para o comércio de eunucos.78 Esse padrão de demanda, sustentado ao longo de um milênio, é uma das razões pelas quais o tráfico transaariano deixou uma diáspora visível menor que a atlântica: as mulheres escravizadas davam à luz filhos de pais livres, e esses filhos eram, pela lei das sociedades para as quais foram levadas, livres e absorvidos, de modo que o vestígio demográfico do tráfico se dispersa nas populações do Norte da África e do Oriente Médio em vez de concentrar-se numa comunidade descendente distinta.7 A ausência de uma grande população descendente, autoidentificada, não é prova de um crime menor; é, se algo, a assinatura de um tipo específico de absorção.
Por trás dos totais está a própria travessia. A mortalidade entre os cativos na marcha pelo deserto era alta e, por vezes, catastrófica — por sede, exaustão, calor e doença —, e os viajantes europeus do século XIX, que foram os primeiros a registrar o tráfego do Saara central em detalhe estatístico, descreveram trilhas marcadas pelos esqueletos daqueles que nelas haviam morrido.7
O próprio sal que as mesmas caravanas carregavam era com frequência extraído por escravizados: em obras desérticas como Taghaza, trabalhadores escravizados cortavam as lajes de sal em condições que tanto observadores medievais quanto da primeira modernidade registraram como letais, num lugar tão estéril que até as casas eram construídas de sal.15 A estrada do camelo, em suma, não apenas carregou os escravizados; em seus pontos de parada, consumiu-os.
A economia da pilhagem
Havia um segundo custo, mais difuso, interno ao deserto e a suas margens. A mesma mobilidade do camelo que tornava possível a vida nômade também tornava a pilhagem uma economia viável, e a longa história do Saara é pontuada pela violência de grupos montados em camelos contra cultivadores sedentários e vizinhos mais frágeis.915 A migração para o oeste, no século XI, dos pastores árabes Banu Hilal por todo o Norte da África — lembrada no famoso e amargo juízo do historiador Ibn Caldum, segundo o qual eles se espalharam pela terra "como um enxame de gafanhotos", arruinando o país sedentário por onde passavam — foi conduzida sobre o camelo, e acelerou o deslocamento e a arabização de comunidades agrícolas berberes de longa data por todo o Magrebe.9 No deserto profundo, as confederações montadas em camelos podiam tributar, escoltar ou predar o comércio e os oásis mais ou menos à vontade; a linha entre proteção e predação numa tal ordem era sempre tênue, e com frequência cruzada.159
A ironia mais profunda da economia da pilhagem no deserto é que suas vítimas eram, muitas vezes, justamente os cultivadores de oásis de cujo trabalho sedentário os nômades dependiam para o grão e as tâmaras. Uma confederação montada em camelos podia mover-se mais depressa do que qualquer agricultor podia fugir e mais depressa do que qualquer Estado sedentário podia reagir, de modo que a relação entre o móvel e o enraizado pendia estruturalmente em favor do montado; o tributo, o dinheiro de proteção e a apreensão pura e simples de colheitas e pessoas tornaram-se traços da vida saariana onde quer que um grupo nômade forte ofuscasse um oásis fraco.159 Os tuaregues do Saara central, romantizados no imaginário moderno como livres senhores do deserto, sustentavam sua sociedade em parte por meio precisamente dessa dominação sobre grupos cultivadores subordinados e servis.9 Também aqui a formulação honesta é que o camelo não criou a dominação humana — mas entregou uma vantagem decisiva e durável a quem quer que pudesse arcar com os rebanhos, e no deserto essa vantagem era quase absoluta.
Seria errado, porém, lançar tudo isso sobre o animal, e este registro não o faz. O tráfico de escravizados e a economia da pilhagem eram instituições humanas, construídas por escolhas humanas — tanto nos mercados do Mediterrâneo islâmico quanto no Sael —, e o camelo foi seu instrumento, não seu autor. O mesmo animal carregou o peregrino, o erudito, o sal que mantinha vivas as populações do interior e os livros que ergueram as bibliotecas de Timbuctu. Uma ferramenta que abre um continente abre-o a tudo o que seus povos escolherem mandar atravessá-lo.
O que o camelo deve e o que não deve
Assim, a contabilidade tem de ser feita com cuidado, o que é a disciplina inteira deste atlas. A transmissão em si — um animal e uma sela a difundir-se lentamente para o oeste ao longo de séculos — não deslocou povo algum nem destruiu cultura alguma no ato de chegar; nesse sentido estrito e exato, seu custo direto foi quase nulo, e suas dádivas foram imensas, integrando o comércio de um continente e fazendo nascer modos inteiramente novos de vida humana.12 Mas uma transmissão é também responsável, em parte, por aquilo que torna possível. O camelo tornou fisicamente realizáveis dois danos grandes e duradouros que sem ele não poderiam ter existido em nada parecido com a mesma escala: um tráfico de escravizados de milhões, sustentado ao longo de um milênio, e uma economia de pilhagem no deserto que predou os sedentários por igual período.7815
É por isso que este registro classifica o custo como real, mas moderado — significativo, não catastrófico. A violência estava a jusante, contingente ao modo como as sociedades humanas escolheram usar uma tecnologia benigna, em vez de intrínseca à difusão do próprio animal; o camelo não inventou a escravidão, nem a pilhagem, nem o império. O que ele fez foi tornar possível uma versão particular, vasta e excepcionalmente longeva de cada um deles. Um atlas honesto de como o mundo foi montado a partir daquilo que passou entre seus povos tem de manter as duas metades dessa frase à vista ao mesmo tempo: o deserto tornado transponível, e os usos a que um deserto transponível foi posto.
What followed
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-1000O dromedário é domesticado entre os rebanhos selvagens da costa sudeste da Arábia; a fundação do patrimônio genético doméstico, mais tarde complementada por um "reabastecimento" a partir de populações selvagens hoje extintas (evidência de DNA antigo, Almathen et al., 2016).
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-300O camelo se estabelece no vale do Nilo; a conquista assíria do Egito (671 a.C.) traz camelos em grande número, e, sob os ptolomeus, o animal entra em uso geral no transporte pelo deserto entre Copto e o mar Vermelho.
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-400Mais antigo material esquelético de camelo na costa norte-africana ocidental, proveniente de depósitos de Cartago de cerca dos séculos V a III a.C.
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-46Primeira menção documental inequívoca a camelos no Ocidente latino: as forças de César capturam vinte e dois camelos do rei Juba I da Numídia em 46 a.C., registrados no Bellum Africum.
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-200A sela norte-arábica (c. 500–100 a.C.) transforma o camelo ao mesmo tempo em transportador de frete pesado e em montaria de cavalaria, tornando possíveis o transporte e a guerra com camelos em larga escala.
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110Roma forma cavalaria de camelos dedicada, os dromedarii; Trajano constitui a ala I Ulpia dromedariorum milliaria, de mil homens, e cavaleiros de camelo servem como batedores e polícia do deserto ao longo da fronteira meridional.
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200O camelo se estabelece na capital garamante de Jarma, no Fezzan, já no século II d.C.; na Tripolitânia do século III, o animal é usado como besta de arado e de carga (Brogan).
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400Ao longo da Antiguidade tardia, a roda é progressivamente abandonada no Norte da África e no Oriente Médio em favor do camelo de carga, que não precisa de estradas e move mercadorias de modo mais barato (Bulliet).
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500Grupos berberes criadores de camelos tornam-se verdadeiros nômades do deserto — os sanhaja do Saara ocidental e, mais tarde, os tuaregues —, um modo de vida humano inteiramente novo construído sobre o deserto aberto.
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1100O comércio medieval transaariano de ouro e sal floresce sobre a caravana de camelos, sustentando os impérios saelianos de Gana, Mali e Songhai e as cidades-caravana de Sijilmassa e Audaguste.
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1070Um movimento religioso de nômades sanhaja do camelo torna-se o império almorávida, conquistando Marrocos e a Espanha muçulmana — um Estado nascido do deserto tornado possível pela mobilidade do camelo.
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1300O tráfico transaariano de escravizados, conduzido inteiramente sobre o camelo, move um número estimado de sete milhões de africanos escravizados através do deserto entre cerca de 650 e 1900 d.C., com alta mortalidade nas travessias (Austen; Wright).
Where this lives today
References
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