Os Botai domesticaram cavalos por volta de 3500 a. C. — mas não os que montamos hoje
A mais antiga criação documentada de cavalos foi obra de uma cultura cazaque de casas semienterradas, às margens do rio Iman-Burluk. O DNA antigo publicado em 2018 mostrou então que os cavalos de Botai são os ancestrais da manada selvagem de Przewalski, e não do plantel doméstico moderno — este último descendente de um avanço pôntico-cáspio distinto, ocorrido quinze séculos mais tarde.
Por volta de 3500 a. C., na estepe florestada do que hoje é o norte do Cazaquistão, o povo de Botai vivia quase inteiramente com cavalos. Mais de 99 % dos 300.000 fragmentos ósseos escavados em seu assentamento de casas semienterradas provêm de um único animal. Eles montavam cavalos embridados, fermentavam leite de égua em vasilhas de cerâmica e mantinham os animais em currais erguidos junto às próprias casas. Por um século, Botai foi tratado como o berço da domesticação equina. Em 2018, porém, trabalhos de DNA antigo mostraram que os cavalos de Botai não são os ancestrais dos atuais domesticados. São, sim, os ancestrais do cavalo de Przewalski, a população selvagem sobrevivente da estepe asiática. A linhagem equina que conquistou a Eurásia provém de um evento posterior e distinto, ocorrido no baixo Volga. Botai foi a primeira tentativa — não a que vingou.
Antes da chegada do cavalo: a estepe florestada por volta de 3700 a. C.
O território que viria a se tornar a pátria dos Botai — a estepe florestada ondulante do que hoje é a Província do Cazaquistão do Norte, drenada pelo Ishim e por seu afluente Iman-Burluk — era, às vésperas da criação equina, uma paisagem escassamente povoada por pequenos bandos neolíticos de caçadores. O ótimo climático atlântico havia passado; a estepe era mais quente e mais úmida do que hoje, com faixas de bétulas e pinheiros entremeando a relva aberta. Os ungulados selvagens abundavam. Cavalos selvagens (Equus ferus) percorriam o terreno aberto em manadas de dezenas a algumas centenas de cabeças, ao lado do antílope saiga, do auroque, do veado-vermelho, do alce e de ursos esporádicos nas franjas da floresta.1
As comunidades humanas do final do quinto e do início do quarto milênio a. C. nessa região — por vezes agrupadas sob a rubrica das culturas Atbasar e Surtandy — deixaram apenas vestígios arqueológicos tênues. Erguiam pequenos acampamentos sazonais; caçavam com arco e lança de ponta óssea; processavam as carcaças dos ungulados selvagens no próprio local de abate, transportando de volta ao acampamento apenas os ossos longos dos membros carnudos; produziam cerâmica grosseira de têmpera arenosa e lascavam ferramentas de pedra em sílex e arenitos silicificados de afloramentos locais. Seus conjuntos faunísticos são mistos — saiga, cavalo, veado-vermelho, alce, auroque —, nas proporções que se esperam de uma economia caçadora de estepe florestada, capaz de tirar partido de tudo o que a paisagem oferece.2
O cavalo selvagem, nesse mundo, era presa. Era também uma das presas mais difíceis do repertório disponível: mais veloz do que o auroque em arrancadas curtas, mais arisco do que o veado-vermelho, capaz de súbita debandada em massa e propenso a migrações por enormes extensões em resposta às mudanças sazonais de pasto e de água. Em artigo de 1998 na revista Antiquity, Marsha Levine, em sua análise sobre a hipofagia, argumentou que o valor alimentar do cavalo na pradaria — longamente subestimado — implicava algo decisivo: o rendimento de carne sobre osso é excelente, o teor de gordura sobe drasticamente com a pelagem de inverno e os lábios preênseis permitem ao animal pastar sob a neve que derrota o gado. Em suma, qualquer população humana capaz de resolver o problema da captura do cavalo destrancaria um excedente calórico que a estepe não poderia igualar por nenhum outro meio.3 O problema era resolver a captura.
Os vizinhos: um esboço do Eneolítico mais amplo
A estepe florestada não constituía uma província isolada. A oeste, nas bacias do baixo Volga e do Don, a cultura Khvalynsk vinha sepultando seus mortos com adornos de cobre e, ocasionalmente, crânios de cavalo desde pelo menos 4500 a. C. — o cavalo já importando como símbolo, ainda que a relação não fosse propriamente pastoril. A noroeste, os megaassentamentos da Trypillia (Cucuteni-Tripolye), no que hoje é a Ucrânia e a Moldávia, haviam erguido cidades de dois e três mil habitantes — as maiores aglomerações humanas em qualquer parte do mundo naquela data —, sustentadas por uma economia de gado bovino e cereais que nada devia ao cavalo. Ao sul, no Cáucaso e no planalto iraniano, estavam em curso as primeiras tradições metalúrgicas que mais tarde dariam origem a Maikop e Kura-Araxes. Cada um desses mundos tinha rebanhos domésticos — bovinos, ovinos, caprinos, suínos — e cada um ignorava o cavalo. A faixa de estepe florestada que os Botai habitavam era a costura em que os domesticáveis disponíveis se esgotavam e em que o único grande animal que valia a pena manejar, nos termos calóricos descritos por Levine, era o cavalo.4
Categorias que ainda não existiam
Por qualquer parâmetro posterior, o mundo do início do quarto milênio a. C. nesse trecho de estepe carecia de várias categorias. Não havia pastoreio de cavalos. Não havia currais. Não havia montaria, em nenhum sentido documentável. Não havia veículo de roda raiada. Não havia carros de guerra. Não havia kumis — não havia leite de égua fermentado. Não havia o conceito de cavalo como riqueza, tampouco sepultamentos equinos com bens funerários, nem chefes cujo status fosse registrado em montarias.
O que havia, em vez disso, era um padrão estabelecido de caça oportunista, no qual os cavalos eram apenas uma espécie entre várias, e em que as comunidades humanas viviam em pequenos acampamentos móveis, deixando apenas marcas efêmeras. A transição daquele mundo para o mundo de Botai — um sítio único com 153 casas semienterradas, mais de 300.000 fragmentos ósseos catalogados, dos quais mais de 99 por cento são de cavalo, e assinaturas residuais de fósforo no interior do que quase certamente eram currais equinos contíguos às próprias casas — é a mudança que precisa ser explicada.5
A transmissão: como os cavalos entraram no lar humano em Botai
O sítio e sua descoberta
O assentamento de Botai situa-se em um terraço baixo sobre o rio Iman-Burluk, cerca de três quilômetros a jusante da atual aldeia de Nikolskoye, no distrito de Aiyrtau. O sítio foi identificado em 1980 por Viktor Fyodorovich Zaybert (Зайберт), então um jovem arqueólogo que trabalhava no que viria a se tornar a Universidade Estadual do Cazaquistão do Norte, em Petropavl. A escavação sistemática teve início sob a direção de Zaybert em 1981 e prosseguiu, com interrupções, até os anos 2000; o próprio sítio-tipo de Botai foi aberto em uma extensão aproximada de dez mil metros quadrados. Dois outros assentamentos da mesma cultura — Krasnyi Yar, no Iman-Burluk, e Vasilkovka, num afluente mais ao sul — foram escavados mais recentemente em colaboração entre instituições cazaques e o Carnegie Museum of Natural History de Pittsburgh, onde a zooarqueóloga americana Sandra Olsen construiu o longevo programa comparativo.6
O que as equipes de Zaybert e Olsen encontraram, ao contabilizar os fragmentos ósseos que saíam das valas, foi um conjunto sem paralelo no Eneolítico mais amplo. Só o assentamento de Botai forneceu mais de trezentos mil fragmentos ósseos identificáveis. Mais de noventa e nove por cento provinham de um único animal — Equus ferus. O um por cento restante — cães, algum saiga ocasional, alguns bovídeos — confirma que os habitantes não eram estritamente capazes de caçar apenas cavalos; tinham outras espécies à disposição, e praticamente as ignoravam.7
A própria arquitetura representava uma ruptura em relação ao que haviam sido os acampamentos de caça Surtandy. As casas de Botai eram estruturas semienterradas, aproximadamente poligonais em planta, com três a quatro metros de largura, cavadas um metro no loess e cobertas por turfa sobre madeira. Aglomeravam-se em conjuntos densos, muitas vezes compartilhando paredes, com caminhos e pequenas áreas abertas entre elas — uma aldeia de verdade, não um acampamento sazonal. As estimativas de população total no sítio-tipo oscilam entre 200 e 500 pessoas — número suficientemente alto para exigir um contingente organizado de mão de obra para caça, processamento e curral, e suficientemente alto para que a população local de cavalos tenha sofrido pressão pesada e contínua durante séculos. Os animais eram processados dentro das casas ou em sua imediata vizinhança; fossas de detritos, depósitos de cinzas e restos de açougue produzem a esmagadora maioria do número catalogado de ossos. O sítio não é uma estação de caça de propósito específico. É um lugar onde se viveu, ano após ano, sobre cavalos.
As três linhas de evidência (Outram, 2009)
O argumento de que Botai foi uma sociedade de criadores de cavalos, e não de caçadores, foi formulado de modo mais influente em um artigo de 2009 publicado na Science por Alan Outram, da Universidade de Exeter, em coautoria com Natalie Stear, Robin Bendrey, Sandra Olsen, Alexei Kasparov, Victor Zaibert, Nick Thorpe e Richard Evershed. Outram e seus colegas apresentaram três linhas independentes de evidência.8
A primeira foi o desgaste por embocadura. Os cavalos embridados, quando contidos por uma haste atravessada na boca, desenvolvem um padrão distintivo de dano mecânico na face anterior do segundo pré-molar inferior (P2): um bisel de desgaste chanfrado, por vezes acompanhado de pequenas fraturas em lasca e exposição do esmalte, que não é produzido pela alimentação ordinária. O trabalho metodológico de Robin Bendrey sobre o desgaste por embocadura havia estabelecido limiares quantitativos — um bisel de três milímetros ou mais na superfície anterior de desgaste do P2 — capazes de distinguir o vestígio de um freio do desgaste natural.9 As mandíbulas equinas de Botai, ao serem avaliadas em relação ao limiar, exibiram lesões de embocadura em uma fração não trivial dos animais adultos. Convém ressaltar que os freios em questão não precisavam ser metálicos; corda, couro cru ou osso deixariam a mesma assinatura mecânica, e os freios laterais de osso catalogados por Bendrey e outros nos conjuntos de Botai são compatíveis com um sistema de embridagem de freio macio e peças laterais ósseas que os bridões posteriores de Sintashta refinariam, transformando-o no aparato de controle dos carros de guerra da Idade do Bronze.
A segunda foi métrica. A equipe de Outram mediu os metacarpos — os esguios ossos do antebraço cuja razão comprimento-largura é altamente sensível à seleção — de esqueletos equinos de Botai e os comparou com cavalos selvagens pleistocênicos da Sibéria e com cavalos domésticos posteriores, da Idade do Bronze, das culturas Sintashta e Andronovo. Os metacarpos de Botai agruparam-se com a amostra doméstica da Idade do Bronze, e não com a amostra selvagem pleistocênica. A diferença é modesta e algo ambígua (diferenças morfométricas Pleistoceno-versus-Holoceno, por si sós, poderiam explicar parte do deslocamento), mas a direção do sinal é consistente.
A terceira foi o resíduo lipídico. Trabalhando com Richard Evershed, cujo laboratório de Bristol foi pioneiro na recuperação de gorduras animais degradadas em cerâmica pré-histórica, a equipe de Outram extraiu resíduos orgânicos absorvidos dos cacos de potes de Botai. Os valores de δ13C e δD dos ácidos graxos recuperados correspondiam aos do leite de égua, e não à gordura de carcaça de cavalo. Vários potes haviam sido usados para processar leite de égua. Se o leite era bebido fresco ou fermentado para se transformar no kumis alcoólico que ainda é a bebida nacional do Cazaquistão, o resíduo não tinha como dizer. O que ele pôde dizer é que os humanos de Botai estavam ordenhando éguas — algo que exige uma docilidade e uma rotina de manejo que a caça não pode oferecer.10 O sinal de produção de leite em Botai recua o uso documentado do leite de égua em cerca de 2.500 anos em relação à próxima evidência firme e permanece, em escala mundial, o caso mais antigo do gênero.
Os currais
As três linhas de evidência de Outram foram reforçadas por trabalho geoquímico independente realizado no assentamento aparentado de Krasnyi Yar. Ali, a equipe de Sandra Olsen havia identificado uma série de padrões de buracos de poste imediatamente fora do conjunto de casas semienterradas, com aparência arquitetônica de paredes de cercado — não de fortificação, mas de curral. Rosemary Capo, geoquímica da Universidade de Pittsburgh, amostrou os solos no interior desses padrões e os contrastou com solos de outras áreas do sítio. Os níveis de fósforo no interior dos cercados suspeitos estavam várias vezes elevados; os níveis de nitrogênio eram baixos, indicando que a deposição era antiga, e não recente. A assinatura era compatível com o que se esperaria de uma acumulação sustentada de esterco e urina de cavalo — a impressão digital geoquímica de um curral que se manteve em pé por anos.11 Os cercados não eram grandes para os padrões pastoris posteriores — cada um poderia, talvez, abrigar algumas dezenas de animais — e se encontravam diretamente encostados às casas, com paredes compartilhadas ou curtas passagens de ligação. Esta é a assinatura espacial de um manejo doméstico, de pequena escala, e não de um pastoralismo industrial. A relação dos Botai com os cavalos era vivida dentro de casa, não à distância.

O contra-argumento (Taylor e Barrón-Ortiz, 2021)
A síntese de Outram manteve-se como o relato canônico da domesticação do cavalo por cerca de uma década. Em 2021, William Timothy Treal Taylor e Christina Isabelle Barrón-Ortiz publicaram, em Scientific Reports, um artigo intitulado “”, que apresentou a primeira contestação séria.12 Seu argumento, muito mais breve do que o consenso que atacava, era o de que a pontuação de desgaste por embocadura em Botai era frágil. Anomalias dentárias de ocorrência natural — doença periodontal, má oclusão, desgaste anormal por forragem grosseira — poderiam produzir padrões de desgaste no P2 dentro da faixa que Bendrey havia atribuído aos freios. A evidência do resíduo lipídico era mais difícil de contestar, mas Taylor e Barrón-Ortiz observaram que a lactação não exige domesticação: a ordenha cooperativa de uma égua-líder amansada em uma manada cativa é um mecanismo possível, mas também o é a extração dirigida em éguas selvagens em fase de amamentação.
Outram e seus colegas responderam em uma réplica que se estendeu ao dobro do desafio original, defendendo a pontuação de desgaste por embocadura e enfatizando a convergência de linhas independentes de evidência (desgaste por embocadura e métrica e lipídio e geoquímica de curral).13 A maior parte da disciplina alcançou um compromisso operacional. Os cavalos de Botai eram manejados de modos que se situam no espectro entre a caça intensiva e o pastoralismo pleno: manuseados com regularidade, ocasionalmente embridados, ordenhados ao menos parte do tempo, mantidos em currais e certamente não inteiramente selvagens. Chamar ou não isso de “” no sentido estrito depende da definição que se aceite. A síntese atual, articulada por Outram em sua revisão de 2023 em Frontiers in Environmental Archaeology, trata Botai como o caso-tipo de uma fase inicial de domesticação por “” — um processo secular de construção de nicho que estava claramente em curso em Botai, mas que ainda não havia produzido uma população geneticamente isolada do plantel selvagem.14 A disputa terminológica importa menos do que o quadro subjacente: as pessoas em Botai faziam, aos e com os cavalos, coisas que nenhuma população humana anterior havia sido capaz de fazer.
O que mudou e o que foi substituído: duas domesticações, não uma
A surpresa genética (Gaunitz, 2018)
A revisão mais consequente da história de Botai não veio da arqueologia, mas do DNA antigo. Em 2018, uma equipe liderada por Charleen Gaunitz e Antoine Fages, do Centro de Antropobiologia e Genômica de Toulouse, trabalhando sob a direção de Ludovic Orlando e em parceria com Outram e os colegas cazaques, publicou na Science os genomas de quarenta e dois cavalos antigos — vinte deles do próprio Botai e os demais de sítios esteparios posteriores.15 A expectativa, antes da chegada dos dados, era a de que os cavalos de Botai se situassem geneticamente próximos da base da linhagem doméstica moderna. Não se situaram.
Os cavalos de Botai, quando seus genomas foram inseridos numa filogenia que abrangia todos os genomas equinos antigos e modernos disponíveis, recaíram sobre um ramo compartilhado com o cavalo de Przewalski (Equus przewalskii) da Mongólia — por muito tempo tido como o último cavalo verdadeiramente selvagem e o parente vivo mais próximo do plantel ancestral selvagem do qual descenderiam todos os domesticados modernos. A relação era a inversa. Os cavalos de Przewalski não eram o ancestral selvagem; eram os descendentes ferais dos cavalos manejados em sítios de tipo Botai no quarto e terceiro milênios a. C., que haviam escapado ao controle humano e regredido a um comportamento selvagem. O cavalo doméstico moderno, por sua vez, carregava apenas cerca de 2,7 por cento de ascendência relacionada a Botai. A linhagem que se tornou todo cavalo posteriormente montado na Eurásia descendeu, esmagadoramente, de uma população ancestral distinta, num trecho diferente de estepe, em um milênio diferente.16
O comunicado de imprensa do CNRS francês que acompanhou o artigo da Science sintetizou a reviravolta em termos claros: les chevaux Botaï ne sont pas les aïeux de nos chevaux domestiques, mais ceux des chevaux de Przewalski — os cavalos de Botai não são os ancestrais de nossos cavalos domésticos, e sim dos cavalos de Przewalski, os próprios animais por muito tempo tratados como a última janela viva sobre o plantel selvagem original. Dois séculos de pressupostos taxonômicos e históricos sobre o que era um “” haviam sido erguidos sobre uma população que se revelou feral, e não selvagem. O cavalo de Przewalski visto em zoológicos e nas reservas mongóis é, tecnicamente, um domesticado eneolítico fugido.17
O avanço pôntico-cáspio (Librado, 2021)
Essa população ancestral distinta foi localizada três anos depois por Pablo Librado e pela equipe de Orlando, em artigo na Nature que mobilizou 273 genomas equinos antigos de toda a Eurásia, datados entre 50.000 a. C. e 200 d. C. O sinal era nítido. Os cavalos domésticos modernos — a linhagem agora rotulada DOM2 — originaram-se nas estepes do baixo Volga-Don do que hoje é o sul da Rússia, por volta de 2200 a. C., mais de um milênio depois de Botai. Em seguida, expandiram-se pela Eurásia em velocidade extraordinária, substituindo essencialmente toda outra população equina em seu caminho, alcançando a Europa central por volta de 2000 a. C. e o leste asiático em meados do segundo milênio a. C.18
A assinatura genômica do horizonte DOM2 é impressionante em dois alvos específicos de seleção. O lócus GSDMC, associado ao desenvolvimento vertebral e da musculatura dorsal, exibe uma varredura seletiva intensa ao longo da linhagem — a modificação que conferiu ao cavalo um dorso capaz de carregar um cavaleiro com conforto e um par de tração capaz de puxar uma carga sem se exaurir. O lócus ZFPM1, associado ao desenvolvimento neurológico e a traços comportamentais, exibe uma varredura paralela — o correlato genômico da docilidade, da resistência ao impulso de fuga, da treinabilidade que distingue um cavalo de trabalho manejável de um selvagem amansado. As duas alterações, em conjunto, descrevem um cavalo que foi selecionado, em poucas gerações de reprodução intensiva, em um tipo fundamentalmente novo de animal.19 Antoine Fages e colegas, a partir de uma série temporal de 278 genomas publicada na Cell em 2019, também identificaram duas linhagens equinas hoje extintas — uma na Península Ibérica, outra na Sibéria, ambas praticamente sem contribuição para as populações modernas — que, somadas ao ramo Botai-Przewalski, sublinham a magnitude da substituição genética: o horizonte DOM2 não se mesclou às populações equinas então existentes na Eurásia; substituiu-as.20
A cascata: carros de guerra, línguas indo-iranianas, combate montado
O horizonte DOM2 coincidiu com outra transformação. A cultura Sintashta, surgida a leste dos Montes Urais por volta de 2100 a. C., produziu os mais antigos carros de guerra de roda raiada conhecidos, sepultamentos em par equino em túmulos do tipo kurgan e elaboradas peças laterais de osso e chifre que revelam, em seus construtores, uma teoria sofisticada do controle por freio e rédea. Os dados genômicos de Librado situam os cavalos DOM2 ubíquos nesses sepultamentos em kurgan de Sintashta. O carro de guerra, o cavalo capaz de tracioná-lo em velocidade e o horizonte linguístico indo-iraniano que os transportou rumo ao leste, para a Ásia Central e a Ásia do Sul, são um único feixe que se difunde a partir da estepe do sul dos Transurais no início do segundo milênio a. C.21
O impacto subsequente desse feixe sobre as civilizações sedentárias da Idade do Bronze foi profundo e rápido. Os hicsos, que tomaram o Baixo Egito por volta de 1650 a. C., chegaram com carros de guerra e pares equinos de raça reconhecidamente derivada das estepes. O império hitita estruturou seu núcleo militar em torno da carruagem, e os manuais de treinamento hititas que chegaram até nós — sobretudo o texto de Kikkuli, composto no século XIV a. C. por um treinador equino mitânio para o rei hitita Suppiluliuma I — descrevem em detalhes extraordinários um regime de condicionamento de meses para cavalos de carro de guerra, regime que pressupõe um conhecimento de manejo equino com séculos de profundidade já no momento da redação. As economias palacianas micênicas da Grécia do final da Idade do Bronze, o corpo de carros de guerra da dinastia Shang no norte da China, os exércitos com carros de Mitanni e da Assíria — todos descendem da expansão DOM2 e, em poucos séculos a partir do horizonte de Sintashta, todos passaram a acumular carros e o pessoal especializado para operá-los.22

Cabe destacar que não se deve sobreinterpretar. Librado e colegas rejeitaram explicitamente o consenso anterior que vinculava o cavalo DOM2 à massiva expansão dos pastoralistas Yamnaya rumo à Europa da Idade do Bronze por volta de 3000 a. C., expansão que levou as línguas indo-europeias para o oeste. Os Yamnaya, no novo cronograma genético, não montavam cavalos DOM2; sua expansão é hoje atribuída a carros de boi e à marcha a pé, e não à montaria. A onda equina é posterior, menor e dirigida para o leste — para a Bacia do Tarim, o Indo e, por fim, para as cortes mitânia e Shang, usuárias de carros. O que ela carregou consigo, em termos linguísticos, foi o indo-iraniano — sânscrito, avéstico —, e não os ramos ocidentais do indo-europeu.23 A síntese de David Anthony, The Horse, the Wheel, and Language, de 2007, que articulou a ligação mais antiga entre Yamnaya a cavalo e disseminação do indo-europeu, precisa, em consequência, ser lida com o cronograma genético pós-2018 em mente: a parte do argumento referente ao carro de tração continua de pé; a parte referente à montaria teve de ser substancialmente reconstruída.
Qual foi, de fato, a contribuição de Botai
A contribuição de Botai à eventual civilização equina da Eurásia foi, portanto, real, mas indireta. Botai foi o lugar em que os humanos primeiro resolveram o problema da coexistência rotineira e manejada com o cavalo — embridagem, pastoreio, ordenha. As habilidades, as técnicas e, muito provavelmente, parte do plantel inicial eram conhecidas em toda a estepe quando os criadores do baixo Volga deram início ao seu trabalho, dois milênios depois. Quando a nova pressão seletiva foi aplicada — animais maiores, temperamento mais calmo, dorsos mais fortes, tração mais duradoura —, foi aplicada a uma espécie que os povos das estepes já sabiam manejar. A linhagem genética que emergiu da varredura do Volga-Don substituiu quase tudo o que viera antes. A tradição de manejo, a tradição leiteira, a tradição de curral, o próprio conceito do cavalo como parceiro, em vez de presa — eis o legado que sobreviveu à substituição genética.
O ponto merece ser reiterado, porque a recente cobertura jornalística da reviravolta de 2018 às vezes deu a entender que a história de Botai havia sido “” ou “”. Não foi. O que o DNA antigo fez foi afinar o quadro em duas domesticações, em vez de uma. A primeira, no Iman-Burluk, no final do quarto milênio a. C., produziu uma população manejada, ainda que não geneticamente distinta, e um corpo de conhecimento prático sobre como conviver com cavalos. A segunda, no baixo Volga-Don, quinze séculos mais tarde, produziu a população geneticamente distinta que se converteu em todo cavalo que o mundo monta hoje. Ambos os eventos são reais; ambos foram necessários; nenhum substitui o outro.
O kumis e a dimensão dos produtos secundários
Uma herança institucional específica merece ser destacada. A bebida de leite de égua fermentado — koumiss, na forma inglesa derivada do russo, qımız, no cazaque moderno — que Outram e Evershed rastrearam na cerâmica de Botai em 2009 segue sendo bebida nacional do Cazaquistão e do Quirguistão, consumida diariamente por milhões de pessoas nesses países e em toda a vasta estepe centro-asiática. A continuidade não é direta (as éguas leiteiras modernas são cavalos DOM2, não cavalos de Botai), mas a prática de ordenhar éguas, os rituais em torno da fermentação e a integração do leite de égua na economia calórica da vida pastoril remontam, por uma cadeia ininterrupta de prática, aos primeiríssimos humanos que sabidamente o processaram. O resíduo de 5.500 anos num caco de Botai é a mesma bebida, no mesmo trecho de estepe, na mesma prática transmitida de geração em geração. Poucas tradições alimentares têm esse tipo de continuidade no registro arqueológico.24
O leite de égua, por sinal, mostrou-se a porta de entrada para uma categoria muito mais ampla de nutrição pastoril. O quadro teórico da “” de Andrew Sherratt, formulado nos anos 1980 e hoje em grande parte confirmado pelo registro arqueobotânico e de resíduo lipídico, tratava a exploração sistemática de produtos animais vivos — leite, lã, tração, esterco — como uma fase distinta que se seguiu, em vários milênios na maior parte do mundo, à domesticação inicial de bovinos, ovinos e caprinos. O resíduo de leite de égua em Botai é, à luz das evidências atuais, o sinal mais antigo de produtos secundários para os equinos em qualquer parte do mundo. A passagem do cavalo-como-carne para o cavalo-como-recurso-vivo ocorreu primeiro aqui, na estepe florestada, antes de ocorrer com a linhagem descendente DOM2 em qualquer outro lugar.
Qual foi o custo: os parentes selvagens e a conta a jusante
O cavalo de Przewalski: uma história de quase-extinção
O custo da transmissão de Botai, na definição estrita de custo-da-transmissão-em-si, é pequeno. Nenhuma cidade foi saqueada no momento em que se ergueu um curral. Nenhuma população foi conquistada. Nenhuma autonomia foi rendida. O ato de trazer cavalos para dentro do lar foi, em seus próprios termos, pacífico.
O custo aparece, sim, no que sucedeu à linhagem equina de Botai ao longo dos cinco milênios subsequentes. Depois que o horizonte DOM2 varreu a estepe no início do segundo milênio a. C., os cavalos da linhagem Botai perderam seu status manejado. Os assentamentos foram abandonados (a própria cultura Botai chegou ao fim por volta de 3100 a. C. por razões ainda debatidas — mudança climática, exaustão do solo sob o intenso pisoteio local, competição com culturas posteriores). Os cavalos que haviam sido mantidos nos currais se dispersaram, regrediram ao comportamento selvagem e sobreviveram como uma população relicta no Gobi da Dzungária, na fronteira mongol-chinesa, onde o explorador russo homônimo Nikolai Przhevalsky os encontrou na década de 1870 e remeteu espécimes para São Petersburgo. No início do século XX, a manada selvagem era duramente caçada — em busca de troféus, de espécimes para zoológicos e por expedições militares mongóis e soviéticas durante e após a Segunda Guerra Mundial.25
A espécie foi declarada extinta na natureza em 1969, quando se registrou o último avistamento confirmado de uma manada selvagem, no sudoeste da Mongólia. Durante cerca de duas décadas, toda a população global de Equus przewalskii — chegando, em determinado momento, a apenas doze fundadores efetivos — existia exclusivamente em recintos de zoológicos na Europa, na América do Norte e na Mongólia, em torno dos quais a espécie se tornou projeto de uma pequena rede de conservação coordenada pelo livro genealógico internacional do Zoológico de Praga. A população cativa crescia lentamente. A depressão por endogamia, o risco de hibridização com cavalos domésticos e a questão de onde realocar uma manada em recuperação seguiram sem solução durante boa parte das décadas de 1970 e 1980.26 O gargalo genético pelo qual a espécie passou é um dos mais estreitos já documentados para qualquer grande mamífero no século XX — uma redução quase total do patrimônio evolutivo a doze indivíduos reprodutores — e a população recuperada de Przewalski exibe, hoje, as impressões digitais desse gargalo na heterozigosidade drasticamente reduzida em relação tanto aos cavalos domésticos modernos quanto às amostras de genomas antigos.
A reintrodução
Em 1992, após uma década de preparação diplomática e logística, os primeiros dezesseis cavalos de Przewalski foram libertados no Parque Nacional de Hustai, no Khentii mongol. O projeto resultou de parceria entre a Fundação para a Preservação e Proteção do Cavalo de Przewalski (Holanda) e as autoridades mongóis de conservação. Ao todo, oitenta e quatro animais foram devolvidos ao longo das décadas de 1990 e 2000. A manada de Hustai chegou a 260 em 2009. Reintroduções paralelas na Área Estritamente Protegida do Grande Gobi B, no sudoeste da Mongólia, e em Khomiin Tal, no oeste do país, levaram, em meados dos anos 2020, a população selvagem mongol a cerca de 850 animais distribuídos em três sítios — um total ainda pequeno, ainda vulnerável a invernos severos, a surtos de doenças e ao risco persistente de hibridização nas ocasiões em que éguas domésticas mongóis ingressam nas reservas durante períodos de neve. O cavalo já não está extinto na natureza. Sobrevive porque uma coalizão de guardas mongóis, zoólogos tchecos e holandeses e mantenedores de livros genealógicos da era russa conseguiu não deixar partir os últimos doze fundadores efetivos.27
Essa história de recuperação tem uma procedência incomum: os registros reprodutivos dos fundadores vêm sendo mantidos sem interrupção em um único livro genealógico internacional, custodiado pelo Zoológico de Praga desde 1959, e os descendentes de cada animal podem ser rastreados, pelo livro, até os animais capturados na natureza no final do século XIX. A manada de Przewalski é, assim, em sentido literal de manutenção de registro, a população de grande mamífero mais bem documentada do mundo. Foi essa documentação que tornou a reintrodução possível — o pareamento genético dos fundadores aos sítios de liberação dependeu dela — e confere à população uma espécie de continuidade burocrática que os próprios cavalos de Botai, evidentemente, jamais tiveram.
Eis o custo no sentido direto: a linhagem saída de Botai sobreviveu como população selvagem por uma margem tão estreita que exigiu um programa global de criação em cativeiro, ao longo de quatro décadas, apenas para se manter viva. O herdeiro biológico mais direto da transmissão de Botai era, em meados do século XX, um animal que já não existia fora de gaiolas.
As contas a jusante
O custo no sentido indireto — o custo a jusante da transmissão, pago por populações que Botai nunca conheceu — é maior, mas constitui propriamente a conta de tecnologias posteriores construídas sobre o cavalo, e não da embridagem em si.
Quando os cavalos DOM2 puxaram carros de roda raiada para fora da estepe de Sintashta no início do segundo milênio a. C., a cascata tecnológica que se seguiu reorganizou a economia militar de toda civilização da Idade do Bronze ao alcance da expansão. Os hicsos, que tomaram o Baixo Egito por volta de 1650 a. C., chegaram com carros e cavalos derivados dessa linhagem. Os hititas, os mitânios, os micênicos, o corpo de carros de guerra da dinastia Shang — todos descendem do mesmo avanço DOM2. As economias palacianas do final da Idade do Bronze mantinham frotas de carros a custo enorme: um único par de carros exigia anos de treinamento, condutores especializados, programas cuidadosos de reprodução e atenção veterinária contínua.28
Quando a equitação montada amadureceu, no início do primeiro milênio a. C. — os citas, a partir de cerca de 800 a. C., os sármatas, os Xiongnu —, o quadro de custos voltou a se deslocar. As populações nômades a cavalo, que punham em campo forças de cavalaria capazes de operar pela estepe aberta em velocidades inalcançáveis pela infantaria sedentária, tornaram-se o mais persistente problema militar de toda civilização sedentária ao alcance dos pastos. Os chineses Han, sob o imperador Wudi, gastaram décadas e dezenas de milhares de conscritos nas guerras contra os Xiongnu; os romanos passaram todo o período imperial administrando os sármatas e as posteriores incursões hunas; os sassânidas e os bizantinos enfrentaram onda após onda de ataque montado turco; as grandes conquistas mongóis do século XIII d. C. mataram, por estimativas demográficas modestas, dezenas de milhões de pessoas pela China, pela Ásia Central, pelo Irã e pelo Leste Europeu.
Nenhum desses custos é o custo de Botai. São o custo da guerra montada sobre a civilização sedentária — que é descendente do DOM2, que é descendente do avanço pôntico-cáspio de ~2200 a. C., o qual, por sua vez, mantém apenas vínculo frouxo de descendência com a tradição de manejo de Botai. Atribuir o custo das invasões mongóis a uma aldeia cazaque do quarto milênio que embridou a linhagem equina errada seria confusão historiográfica do tipo que o atlas existe para recusar. A conta da transmissão de Botai é pequena: uma linhagem selvagem que quase se perdeu, e que se salvou por pouco.
O mesmo cuidado se deve à questão da conta dos produtos secundários. O pastoralismo montado — o modo de vida eurasiático que os povos cazaque, quirguize, mongol e turco, bebedores de kumis e ordenhadores de éguas, têm conduzido de modo mais ou menos contínuo por três milênios — é uma tradição em atividade com pegada ecológica profunda. O pastoreio intenso na estepe remodela a estrutura da comunidade de capins, mantém abertas vastas áreas frente à sucessão florestal e depende de ciclos regulares de mobilidade entre o pasto de verão e o de inverno. Os padrões culturais que sustenta são notáveis; os custos demográficos e ambientais do superpovoamento de rebanhos, quando se materializam, são pagos pelas próprias comunidades pastoris, não por terceiros. A coletivização soviética do pastoralismo cazaque no início dos anos 1930, que matou aproximadamente um milhão e meio de pessoas na fome do Asharshylyk e exterminou a maior parte dos rebanhos do país, é uma catástrofe demográfica real e recente — mas é o custo da coletivização, e não do pastoralismo equino, e o endereço histórico correto para ela é Moscou nos anos 1930, e não Botai no quarto milênio a. C.
O que permanece
O que permanece de Botai é o fato de ter sido o primeiro. Cinco mil e quinhentos anos depois de uma população do rio Iman-Burluk colocar pela primeira vez um freio na boca de um cavalo e ordenhar uma égua em um vaso de cerâmica, humanos por metade do planeta bebem leite de égua fermentado em continuidade direta de prática; montam animais descendentes de uma linhagem paralela, porém aparentada; e dependem de uma parceria de trabalho com uma única espécie, Equus, o primeiro grande animal que os humanos aprenderam a manejar em escala sem o matar. A relação entre cavalo e ser humano figura entre as parcerias interespecíficas mais consequentes da história da espécie, e seu primeiro capítulo documentado foi escrito — em ossos equinos, em cacos cerâmicos e em geoquímica de curral — em um trecho de estepe cazaque que segue silencioso desde o abandono das casas no final do quarto milênio a. C.29
What followed
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2009Outram, Stear, Bendrey, Olsen, Kasparov, Zaibert, Thorpe e Evershed publicam, na Science, três linhas convergentes de evidência — desgaste por embocadura, morfologia metacarpiana e resíduo lipídico de leite equino —, firmando Botai como a mais antiga criação documentada de cavalos.
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2006O levantamento geoquímico em Krasnyi Yar, feito por Rosemary Capo e Sandra Olsen, identifica solos enriquecidos em fósforo e empobrecidos em nitrogênio em cercados delimitados por buracos de poste contíguos às casas semienterradas da cultura Botai — a assinatura geoquímica de currais equinos em uso prolongado.
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2018Gaunitz, Fages, Outram e Orlando publicam, na Science, vinte genomas equinos de Botai: os cavalos de Botai são os ancestrais do cavalo de Przewalski, e não dos domesticados modernos. Os cavalos domésticos modernos carregam apenas cerca de 2,7 % de ascendência relacionada a Botai.
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2021Librado, Orlando e uma equipe internacional mapeiam, na Nature, o horizonte DOM2 na estepe do baixo Volga-Don por volta de 2200 a. C.; a partir dali, a linhagem do cavalo doméstico moderno se difunde pela Eurásia em quatro séculos, substituindo quase toda população anterior.
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2021Taylor e Barrón-Ortiz publicam, em Scientific Reports, “”, sustentando que a pontuação de desgaste por embocadura é frágil e reabrindo o debate entre domesticação e abate em massa; a equipe de Outram publica uma réplica detalhada.
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-2000Sepultamentos Sintashta-Petrovka com carros de roda raiada surgem a leste dos Urais, com cavalos DOM2 pareados nos kurgans — o primeiro complexo de carro puxado a cavalo, e a cascata tecnológica que se difundirá pelas civilizações da Idade do Bronze.
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1969Avista-se, no sudoeste da Mongólia, a última manada selvagem confirmada de cavalo de Przewalski; a espécie é declarada extinta na natureza. Toda a população global — o herdeiro biológico mais direto de Botai — sobrevive apenas em coleções de zoológico coordenadas pelo livro genealógico internacional do Zoológico de Praga.
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1992Os primeiros dezesseis cavalos de Przewalski são reintroduzidos no Parque Nacional de Hustai, na Mongólia, sob parceria de conservação holandês-mongol; a manada chega a 260 em 2009, e a população selvagem mongol combinada se aproxima de 850 animais em três reservas, em meados dos anos 2020.
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1980Viktor Zaybert identifica o assentamento de Botai, às margens do Iman-Burluk, e inicia a escavação sistemática; serão recuperados, com o tempo, dez mil metros quadrados e 300.000 fragmentos ósseos catalogados, mais de 99 % deles de cavalo.
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2023Outram publica, em Frontiers in Environmental Archaeology, uma revisão de síntese que enquadra Botai como o caso-tipo de uma fase inicial de domesticação por “” — nem pastoralismo pleno, nem mera caça, mas um processo secular de construção de nicho com cavalos.
Where this lives today
References
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