O vinho caminhou para o oeste, do Cáucaso ao Mediterrâneo (~6000 a.C.)
O primeiro vinho do mundo foi fermentado em talhas de argila enterradas, numa aldeia georgiana do Neolítico. Em quatro mil anos, a videira domesticada chegou ao Egeu, onde se tornou um deus, um mercado e um modo de marcar o tempo. A transmissão não custou nada a ninguém.
Por volta de 6000 a.C., nas aldeias de adobe de Shulaveris Gora e Gadachrili Gora, no Cáucaso meridional, fermentava-se a uva em talhas de argila de 300 litros — o vinho mais antigo que a química consegue encontrar. Nos quatro milênios seguintes, a videira domesticada viajou para o oeste, rumo ao Levante, ao Egito, à Anatólia e ao Egeu, onde o vinho se tornou a bebida dos palácios, o corpo de um deus chamado Dioniso e o centro do symposion grego. A uva já estava no Mediterrâneo; o que chegou foi o saber de transformá-la em vinho — uma transmissão que, no momento em que aconteceu, nada tomou de ninguém.
Antes de a videira ser domesticada
Um mundo que conhecia a uva, mas não o vinho
Antes de cerca de 6000 a.C., a videira silvestre eurasiática crescia numa faixa de florestas e vales fluviais que se estendia do Cáucaso meridional ao Egeu, mas nenhuma sociedade humana havia ainda erguido uma instituição em torno dela. A planta era a Vitis vinifera subespécie sylvestris: uma trepadeira dioica de floresta, cujas bagas pequenas, ácidas e de casca grossa amadureciam em cepas macho e fêmea separadas, de modo que um pé qualquer podia não dar fruto algum. Seu sumo era azedo e seu rendimento, irregular. Os coletores neolíticos e os primeiros agricultores do Levante, da Anatólia e do Egeu colhiam essas uvas silvestres, comiam-nas e secavam-nas, e suas sementes afloram em seus depósitos de detritos; mas uma uva colhida não é um vinhedo, e um fruto esmagado deixado a apodrecer não é vinho 29. A distância entre as duas coisas é todo o assunto deste registro.
O mundo receptor, nos milênios anteriores à chegada da viticultura, era um mosaico de aldeias agrárias que haviam domesticado o trigo, a cevada, a ovelha, a cabra, o porco e o boi, mas não a videira. Suas bebidas fermentadas, quando as tinham, eram obtidas do grão ou do mel, e não sistematicamente da uva. Não existia vasilha de armazenamento especializada para o vinho, nem calendário organizado em torno da vindima, nem vocabulário que distinguisse o mosto da borra ou do vinagre, nem deus da uva 26. Para sentir o que a transmissão mudou, é preciso manter firmemente presente essa ausência: o Mediterrâneo não carecia de uvas. Carecia de vinho — a transformação deliberada, repetível e conservável do açúcar da uva em álcool, e toda a arquitetura social que cresceria ao seu redor.
A videira silvestre: biologia de uma planta não domesticada
Para entender por que o vinho teve de ser transmitido, e não simplesmente inventado em toda parte onde cresciam uvas, é preciso entender a planta. A videira silvestre é dioica: flores macho e fêmea ocorrem em indivíduos separados, e só as fêmeas dão fruto, e ainda assim apenas se um pé macho crescer perto o bastante para polinizá-las. Quem encontrasse uma videira silvestre frutífera não podia contar com que sua descendência frutificasse, nem com que uma estaca reproduzisse fielmente suas qualidades. As próprias bagas eram pequenas, intensamente ácidas e muito cheias de sementes, de polpa fina — mais próximas de uma groselha azeda do que da uva de mesa moderna 24. Um líquido espremido delas e deixado numa vasilha porosa e não vedada virava vinagre tantas vezes quanto virava vinho.
Essa biologia explica por que o registro arqueológico do Mediterrâneo anterior à transmissão mostra sementes de uva — em sítios neolíticos como a gruta de Franchthi, no sul da Grécia, ou Sitagroi, ao norte — sem mostrar vinho. Colher e comer uva silvestre é uma coisa; a produção controlada e repetível de uma bebida alcoólica estável é outra, e exigia duas inovações que a planta silvestre não fornecia por si só: uma videira autofértil que se reproduzisse fielmente, e uma vasilha e um método capazes de levar a fermentação ao fim de modo confiável e, em seguida, conservar o resultado 27. Ambas as inovações foram desenvolvidas primeiro no Cáucaso meridional, e ambas tiveram de viajar antes que o Mediterrâneo pudesse ter vinho próprio.
O que o Mediterrâneo antigo bebia
Reconstruir a bebida pré-vitícola do Mediterrâneo oriental é um exercício tanto de química quanto de arqueologia. Os trabalhos biomoleculares sobre cerâmica neolítica e do Bronze antigo identificaram toda uma gama de bebidas fermentadas — cerveja de cevada, hidromel e "beberagens" mistas que combinavam grão, mel e fruta — muito antes de o vinho de uva se tornar o produto básico da região 216. Eram bebidas locais, improvisadas, atadas aos materiais disponíveis. Quando incluíam uvas silvestres, estas eram um fruto entre muitos, não o princípio organizador da bebida.
- As cervejas de cereal, feitas com os mesmos cereais domesticados que alimentavam a aldeia, eram o fermento cotidiano de boa parte do Oriente Próximo.
- Os hidroméis aparecem onde quer que se praticasse a apicultura ou a coleta de mel silvestre.
- As "beberagens" fermentadas mistas — grão, mel e frutas diversas, inclusive a uva silvestre — afloram nas análises de resíduos da Anatólia e do Egeu.
- Os fermentos de tâmara e figo estavam disponíveis nas margens meridionais, mais quentes.
Nenhuma dessas bebidas exigia uma planta domesticada, um vinhedo dedicado ou um equipamento especializado. Faziam-nas nas mesmas talhas que tudo o mais e bebiam-nas jovens. A categoria que ainda não existia era a que viria a dominar: uma bebida de um só fruto, feita de uma planta criada precisamente para dá-la, conservada por meses ou anos e comerciada através do mar como artigo de luxo 911.
Assentamentos sem economia do vinho
O sentido deste "antes" é a calibragem. No sexto milênio a.C., uma aldeia egeia ou levantina era uma unidade autossuficiente. Seu excedente, quando o tinha, era grão e azeite. Sua bebida era produzida e consumida localmente. Não havia ânforas empilhadas para a exportação, nem vinhedos em terraços nas encostas, nem mercador cujo sustento dependesse de transportar o vinho de uma região produtora a outra sedenta. A videira, onde crescia, era silvestre na orla do bosque — útil, mas ainda não um capital.
O que chegou do Cáucaso meridional ao longo dos milênios seguintes não foi a uva, que o Mediterrâneo já possuía. Foi a ideia e a tecnologia do vinho: uma videira domesticada, autopolinizante, que se podia clonar e plantar em fileiras; um método para fermentar e conservar seu sumo em larga escala; e, por trás deles, o fato social de que o líquido resultante valia muito mais do que o grão que ele deslocava. Esse conjunto — planta, processo e prestígio — é a transmissão que este registro rastreia.
A transmissão: uma videira caminha rumo ao oeste
As aldeias do qvevri no Cáucaso meridional
A prova mais segura do vinho como produto deliberado não vem do Mediterrâneo, mas de um conjunto de aldeias neolíticas do vale médio do Kura, na atual República da Geórgia. Em Shulaveris Gora e no tell vizinho de Gadachrili Gora, os escavadores recuperaram grandes talhas de argila para armazenamento cujas paredes internas haviam absorvido a assinatura química do vinho de uva. Em 2017, uma equipe liderada por Patrick McGovern, da Universidade da Pensilvânia, publicou a análise nos Proceedings of the National Academy of Sciences, relatando ácido tartárico junto com os ácidos associados — málico, succínico e cítrico — que, em conjunto, assinam o vinho de uva e não qualquer outra fruta 1. As aldeias pertencem à cultura de Shulaveri-Shomu, e os estratos datados remontam a cerca de 6000-5800 a.C., recuando em vários séculos a origem quimicamente atestada da vinicultura e a reposicionando com firmeza no Cáucaso meridional.
O argumento não repousava apenas nos resíduos das talhas. O estudo de 2017 combinava a química com indícios ambientais recolhidos ao redor dos sítios — pólen de videira, restos antigos de amido e de células de uva, e até as moscas-das-frutas que se aglomeram sobre o fruto em fermentação — para sustentar que as uvas eram cultivadas, colhidas e fermentadas localmente, e não simplesmente importadas de outro lugar 1. O quadro é o de uma comunidade agrícola sedentária que havia incorporado a videira à mesma economia domesticada de seu trigo e suas ovelhas, e que descobrira como converter seu fruto numa bebida conservável. Esta é a diferença entre um golpe de sorte e uma tecnologia: os indícios de Shulaveri não apontam para uma fermentação afortunada, mas para uma prática repetível incrustada na vida da aldeia.
A equipe de McGovern enunciou a importância sem rodeios: os resíduos "fornecem a mais antiga prova arqueológica biomolecular de vinho de uva e vinicultura do Oriente Próximo, por volta de 6000-5800 a.C." 1. A escala é tão reveladora quanto a data. A forma de talha mais comum nesses sítios continha até 300 litros, e as vasilhas eram decoradas, em ao menos um caso célebre, com motivos em relevo que se leem de modo convincente como cachos de uva e uma figura que dança sob uma parreira. Uma talha de 300 litros não é um acaso da fermentação. É uma infraestrutura — prova de que a uva já havia sido domesticada, era cultivada deliberadamente e processada em quantidades muito superiores a um consumo ocasional 12.

Por que o Cáucaso, e o que significava a domesticação
O Cáucaso meridional foi um berço plausível por duas razões convergentes. Primeiro, situa-se dentro da área natural da videira silvestre, de modo que a matéria-prima ali abundava. Segundo — e esta é a descoberta que a genômica acrescentou à química de McGovern —, a região foi um dos lugares onde a videira silvestre foi efetivamente transformada em cultivo. Em 2023, um amplo estudo internacional liderado por Yang Dong e colegas, que sequenciou milhares de genomas de videiras cultivadas e silvestres, relatou na Science que a domesticação da uva ocorreu não uma só vez, mas em dois centros aproximadamente simultâneos, há cerca de 11 mil anos: um na Ásia ocidental e outro no Cáucaso meridional, este último dando origem às uvas de vinificação do Ocidente 4.
A domesticação importava por causa da vida sexual da planta. A videira silvestre é dioica; os cultivadores selecionaram, quase com certeza sem compreender o mecanismo, os raros mutantes hermafroditas cujas flores eram autoférteis e, portanto, confiavelmente frutíferas. Uma videira autopolinizante podia ser propagada por estacas — clonada —, de modo que um único pé superior se tornava todo um vinhedo de descendentes geneticamente idênticos 24. Por isso as talhas de Shulaveri implicam mais do que um bom ano de uvas silvestres. Como McGovern argumentou, as quantidades remetem a uma videira já posta sob controle humano, "clonada e transplantada por técnicas hortícolas". A uva se tornara um cultivo, e um cultivo pode viajar.
A rota e o mecanismo
O vinho não marchou rumo ao Mediterrâneo numa única campanha. Infiltrou-se, ao longo de três a quatro mil anos, levado pela lenta deriva rumo ao oeste de gentes, estacas e técnica. A videira deslocava-se como estacas e como conhecimento, e a trilha arqueológica marca seu avanço:
| Data (aprox.) | Sítio / região | Indícios |
|---|---|---|
| 6000-5800 a.C. | Shulaveris Gora, Gadachrili Gora (Geórgia) | Resíduo de ácido tartárico em talhas de 300 litros; o vinho mais antigo 1 |
| 5400-5000 a.C. | Hajji Firuz Tepe (Zagros, Irã) | Vinho de uva resinado numa talha de cozinha 3 |
| 4300 a.C. | Dikili Tash (norte da Grécia) | Uvas espremidas e marcadores de fermentação — o vinho egeu mais antigo 7 |
| 3150 a.C. | Abidos, tumba U-j (Egito) | Cerca de 700 talhas de vinho importadas do Levante 15 |
| 1700-1450 a.C. | Creta minoica | O vinho como produto de elite e de redistribuição 8 |
Em Hajji Firuz Tepe, no norte do Zagros, McGovern e colegas já haviam identificado, em 1996, vinho de uva resinado numa talha de nove litros encaixada no piso de uma cozinha neolítica, datada de cerca de 5400-5000 a.C. — resina de terebinto adicionada como conservante, prova de que o vinho era feito de propósito e destinado a se conservar 3. Rumo ao norte e ao oeste, na Anatólia, e rumo ao sul, na Mesopotâmia e no Levante, a videira propagou-se com a frente agrícola. Na segunda metade do quinto milênio a.C., havia alcançado o Egeu setentrional: em Dikili Tash, na Macedônia grega, Nicolas Garnier e Soultana-Maria Valamoti combinaram a química dos resíduos com a descoberta de autênticas cascas e sementes de uva espremidas para demonstrar a vinificação por volta de 4300 a.C. — "a mais antiga prova sólida para o Mediterrâneo oriental e a Europa" 7.
Através da Anatólia e da Mesopotâmia
O caminho da videira para o Oriente Próximo ampliado foi moldado tanto pelo clima quanto pelo contato. A uva prospera onde os invernos são frescos e os verões secos sem serem escaldantes — condições reunidas no planalto da Anatólia, nas colinas levantinas e no norte do Zagros, mas mal reunidas nas quentes planícies aluviais da baixa Mesopotâmia. O resultado foi uma geografia da produção e uma geografia do desejo que não coincidiam. Na Anatólia, a viticultura criou raízes profundas: no segundo milênio a.C., o reino hitita tratava os vinhedos como propriedade valiosa e juridicamente protegida, e o vinho anatólio era um produto reconhecido do Bronze médio 112. Os textos rituais e jurídicos hititas pressupõem o vinhedo como elemento fixo da paisagem cultivada, algo digno de guarda e de litígio.
A baixa Mesopotâmia, ao contrário, era terra de cerveja. Os sumérios e seus sucessores fabricavam cerveja de cevada como bebida cotidiana e importavam o vinho das terras altas mais frescas do norte e do leste como um luxo dispendioso — bebida de templos, palácios e ricos, antes que do lar trabalhador 216. Essa assimetria é, em si, um indício de como a transmissão operava. Onde a videira podia ser cultivada, era cultivada; onde não podia, o vinho tornava-se uma importação que valia a pena transportar a grande distância, o que, por sua vez, entretecia as terras altas vitícolas no comércio com as planícies do grão e da cerveja. A mesma lógica — produzir onde se pode, enviar a quem não pode — viria mais tarde a empurrar o vinho por todo o Mediterrâneo. Já no terceiro e no segundo milênio a.C., a costura entre o lugar onde o vinho era feito e o lugar onde era ansiado gerava o comércio que fazia do vinho um bem estratégico, e não apenas uma bebida.
O Egito recebe um luxo régio
O Egito oferece o instantâneo mais nítido do vinho que chega como luxo estrangeiro antes de se tornar indústria doméstica. No fim do quarto milênio a.C., o vale do Nilo não tinha viticultura própria de relevo e, no entanto, o vinho já era apreciado no ápice mesmo da sociedade. Na tumba U-j de Abidos, sepultura de um soberano da Dinastia 0 convencionalmente chamado Escorpião I e datada de cerca de 3150 a.C., os escavadores encontraram cerca de 700 grandes talhas — da ordem de 4.500 litros de vinho — depositadas para o além do rei. A análise da cerâmica mostrou que ela não fora fabricada no Egito: as talhas, e o vinho que continham, haviam sido produzidos no Levante meridional e transportados por cerca de 700 quilômetros por terra e por mar até o Alto Egito 15. Nessa data, o vinho era algo que um vinhedo levantino produzia e com que um rei egípcio se fazia sepultar.
Os resíduos diziam mais do que a procedência. Patrick McGovern e colegas identificaram neles, ao lado dos marcadores da uva, os traços químicos de resinas de árvore, ervas e figos — prova de que esse vinho egípcio primitivo já era uma preparação composta, medicinal e ritual, um vinho de ervas mais que um simples fermento 15. Só mais tarde, ao longo do período dinástico inicial e até o Império Antigo, os egípcios plantaram seus próprios vinhedos no delta do Nilo e fizeram do vinho um produto doméstico, com talhas rotuladas que registravam a safra, o vinhedo e a propriedade real. O arco é comprimido e legível: importar o luxo, apreciá-lo no ápice do poder e então localizar a tecnologia. É a mesma sequência pela qual o vinho conquistaria, uma após outra, as sociedades mediterrâneas.
A vasilha e a técnica ininterrupta
Um detalhe da transmissão merece ser destacado, porque sobreviveu no próprio Cáucaso meridional por oito mil anos. As talhas de Shulaveri são as ancestrais diretas do qvevri georgiano: uma grande vasilha de barro em forma de ovo, enterrada até o gargalo, na qual a uva esmagada — sumo, cascas, engaços e sementes juntos — fermenta e em seguida envelhece. A talha enterrada mantém uma temperatura estável e oferece uma ampla superfície contra a qual o vinho se clarifica. Em 2013, a Unesco inscreveu o método em sua Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, descrevendo como "o processo de elaboração do vinho consiste em espremer as uvas e, em seguida, despejar o sumo, as cascas, os engaços e as sementes no qvevri, que é vedado e enterrado para que o vinho fermente de cinco a seis meses antes de ser bebido" 12.
O que viajou ao Mediterrâneo foi o princípio, nem sempre a talha enterrada. Diferentes culturas receptoras adaptaram a tecnologia ao próprio barro, clima e gosto — talhas à superfície, lagares de pisa e, por fim, a ânfora de transporte. Mas a cadeia de prática iniciada em Shulaveris Gora nunca se rompeu em sua origem. A tradição georgiana do qvevri é, pela medida do uso documentado contínuo, o mais antigo método vivo de vinificação da Terra — uma transmissão cujo ponto de origem segue em produção 1112.
O que mudou e o que foi deslocado
De um fermento silvestre a uma instituição domesticada
Quando o vinho chegou, não se limitou a acrescentar uma bebida ao cardápio mediterrâneo. Instalou uma instituição. Uma videira domesticada e clonada é um investimento de capital de longo prazo: um vinhedo leva de três a cinco anos para dar fruto e décadas para amadurecer, e recompensa o detentor de terra e mão de obra capaz de esperar. O vinho se conserva e viaja como não o fazem nem a fruta fresca nem a cerveja fraca, o que significa que pode ser acumulado, tributado, presenteado e embarcado. Em quase toda parte onde fincou raízes em torno do Mediterrâneo, o vinho atrelou-se ao aparato do poder — a palácios, templos e às casas dos ricos — precisamente porque concentrava valor numa forma conservável e transportável 8911.
A transformação reorganizou a terra. Por todo o Mediterrâneo da Idade do Bronze, a videira juntou-se ao grão e à oliveira para formar a tríade agrícola sobre a qual a economia e a dieta da região repousariam pelos três milênios seguintes. Encostas íngremes demais para os cereais foram postas em terraços para a videira; a mão de obra foi redirecionada para a poda, a condução, a vindima e a prensagem; o excedente que fora grão tornou-se vinho, riqueza mais densa e mais exportável. O arqueólogo Tim Unwin enquadra todo esse movimento como uma geografia histórica — a conversão constante da paisagem, do trabalho e da rota comercial numa ordem vitícola que o Mediterrâneo moderno ainda ostenta em suas encostas em terraços 9.
A tríade e a paisagem refeita
A tríade agrícola do grão, da oliveira e da videira não era um mero regime alimentar; era um modo de organizar a relação de toda uma sociedade com sua terra. O grão alimentava o corpo e exigia a planície plana e fértil. A oliveira e a videira, ao contrário, podiam ser arrancadas de encostas magras e pedregosas onde não crescia cereal algum, e assim traziam à produção terrenos marginais e multiplicavam o valor que uma dada paisagem podia render. Mas faziam-no por outro relógio. Um campo de grão devolve sua colheita num único ano; um vinhedo exige anos de investimento paciente antes de seu primeiro rendimento sério, e recompensa a continuidade da posse ao longo de gerações. Plantar um vinhedo era, com efeito, apostar no futuro e reivindicar uma terra — e tais apostas eram feitas com mais facilidade por quem já possuía terra, mão de obra e meios de esperar 911.
Essa lógica ajudou a concentrar a riqueza e a atar as famílias a parcelas específicas ao longo de séculos. Também soldou comercialmente o Mediterrâneo, pois uma região que punha suas encostas em terraços para a videira produzia um excedente que não podia beber e precisava vender, ao passo que as regiões mal adaptadas à uva se tornavam compradoras fiéis. O estudo de Jean-Pierre Brun sobre o vinho e o azeite no Mediterrâneo antigo rastreia em detalhe técnico como prensas, lagares e armazenamento evoluíram para servir a essa ordem — todo um aparato material de produção de que a aldeia pré-vitícola jamais precisara 5. A videira, em suma, não mudou apenas o que as pessoas bebiam. Mudou para que serviam as encostas, quem lucrava com elas e como as comunidades do mar se entreteciam nos apetites umas das outras.
O vinho como moeda do poder
Em parte alguma o caráter político do vinho é mais claro do que na Creta da Idade do Bronze e na Grécia continental micênica. Num estudo de 1996 sobre os indícios cretenses, Yannis Hamilakis argumentou contra tratar o vinho e o azeite como produtos neutros e a favor de lê-los como instrumentos na "dialética do poder" — bens por meio dos quais a autoridade se estabelecia e se legitimava, o trabalho se explorava e as facções rivais competiam 8. O vinho não era simplesmente consumido; era empregado. O banquete, o presente e a distribuição controlada de uma bebida de prestígio eram o modo como as elites da Idade do Bronze atavam seus seguidores e exibiam posição.
A decifração do linear B deu palavras a tudo isso. Os arquivos palacianos micênicos, editados na edição de referência de Michael Ventris e John Chadwick, registram o vinho como produto gerido e conservam uma festa chamada me-tu-wo ne-wo, a "festa do vinho novo" — um calendário da vindima já entretecido no ano religioso 14. As mesmas tábuas trazem o nome di-wo-nu-so: Dioniso, o deus do vinho, já presente no mundo grego há mais de três mil anos 14. Quando a videira alcançou os palácios egeus, tornara-se inseparável do modo como o poder se alimentava, recompensava e se santificava.
Um vocabulário novo, um deus novo, uma sociabilidade nova

A marca mais profunda que o vinho deixou no Mediterrâneo foi cultural. A civilização grega ergueu ao seu redor todo um complexo de prática e significado sem equivalente pré-vitícola. Dioniso — o deus que os micênicos já nomeavam — tornou-se o patrono de uma religião da embriaguez, do teatro e da libertação extática, sua imagem levada nas taças de beber mais célebres da época, entre elas a taça de figuras negras na qual o pintor Exéquias mostrou o deus recostado num navio, enquanto videiras e golfinhos se derramam pelo mar. Em torno do consumo do vinho cresceu o symposion, a reunião masculina de bebida formalizada em que se tratavam a poesia, a filosofia e a política gregas, o vinho deliberadamente diluído em água para que a conversa sobrevivesse à sobriedade 6.
Um vocabulário novo e um novo conjunto de categorias vieram com tudo isso:
- a distinção entre mosto, vinho, borra e vinagre como etapas nomeadas de um único processo;
- a libação, o vinho derramado para os deuses, gesto ritual inacessível a uma cultura sem vinho;
- o symposion e sua etiqueta da mistura, do brinde e do beber ordenado;
- o vinho como remédio, prescrito e teorizado na tradição hipocrática;
- o calendário da vindima, o ano agrícola reorganizado em torno da poda e da colheita.
O poeta Hesíodo, por volta de 700 a.C., pôs em verso o ano vitícola em Os trabalhos e os dias, indicando ao camponês quando podar e quando colher e secar a uva — prova de que, na época arcaica, o calendário da videira já fazia parte do modo como um grego entendia o curso do ano 13. O Mediterrâneo havia absorvido o vinho tão por completo que agora organizava em torno dele o tempo, o culto, a sociabilidade e a medicina.
A segunda viagem da videira: colonização e ânfora
Tendo recebido a videira, os gregos tornaram-se seus portadores e, ao fazê-lo, completaram o alcance da transmissão por todo o Mediterrâneo. A partir do século VIII a.C., os colonos gregos plantaram vinhedos onde quer que se estabelecessem — por toda a Itália meridional, que vieram a chamar Enótria, a "terra das videiras conduzidas", ao longo das costas da Sicília e em Massália (a atual Marselha) por volta de 600 a.C., de onde a viticultura subiu o Ródano rumo ao que viria a ser a Gália 95. Os mercadores fenícios levaram a videira rumo ao oeste, por suas próprias rotas, em direção à Ibéria e ao norte da África nesses mesmos séculos. A uva que o Cáucaso meridional domesticara e o Egeu sacralizara tornou-se então um cultivo colonial, plantado em três continentes em poucos séculos 59.
O que tornou possível essa segunda viagem foi uma embalagem: a ânfora cerâmica de transporte. A ânfora converteu o vinho, de coisa feita e bebida localmente, num produto que se podia vedar, empilhar aos milhares no porão de um navio e comerciar através do mar aberto. A reconstituição que André Tchernia fez do comércio romano do vinho repousa precisamente sobre essas vasilhas — suas formas, seus selos e seus locais de achado mapeiam as rotas e os volumes de uma indústria 10. A ânfora foi para o vinho antigo o que o contêiner é para as mercadorias modernas: a unidade padronizada que fez do comércio de longa distância de um líquido perecível não apenas algo possível, mas algo enorme. Com ela, a transmissão que começara como estacas passando de aldeia em aldeia tornou-se uma economia à escala de todo o Mediterrâneo.
O vinho, a medicina e a ordem da mesa
O vinho não nutriu apenas o culto e o comércio; entrou no corpo do saber mediterrâneo. Na tradição médica hipocrática, o vinho era a um só tempo um remédio por direito próprio e o solvente universal no qual outros fármacos se dissolviam e administravam — prescrito para feridas, febres e digestão, classificado por cor, idade, doçura e força, e ajustado ao paciente e ao mal 6. Uma cultura sem vinho não tinha tal farmacologia; uma cultura que o tinha construiu toda uma terapêutica em torno da única substância capaz de levar o medicamento ao corpo e, ao mesmo tempo, elevar o ânimo. O vinho tornou-se, na frase antiga, algo que tanto feria quanto curava conforme a medida.
Essa preocupação com a medida moldou os modos tanto quanto a medicina. Os gregos bebiam seu vinho misturado com água, em proporções que debatiam e moralizavam, e tinham por marca de bárbaros e bêbados bebê-lo puro. O simposiarca que regia uma reunião de bebida fixava a mistura e o ritmo. Em torno dessa disciplina cresceu uma ordem elaborada da mesa: vasilhas especializadas para misturar, resfriar, servir e beber; regras de brinde e sequência; a convicção de que as pessoas civilizadas bebiam de um modo específico e controlado, e de que o modo como se bebia revelava o que se era 611. Nada desse aparato — farmacológico, social, moral — havia existido no Mediterrâneo antes do vinho. Foi construído, peça a peça, sobre uma planta caucasiana.
O que foi empurrado para a margem
Toda instituição que chega desloca algo. As vítimas do vinho não foram pessoas, mas outras bebidas e outros arranjos. À medida que a videira se propagava e o vinho se tornava a bebida de prestígio da elite mediterrânea, os fermentos mais antigos — cerveja de cevada, hidromel, beberagens de fruta mistas — foram empurrados para baixo na escala social e para as margens geográficas. Não desapareceram, mas tornaram-se a bebida do pobre, a marca do bárbaro, o não-vinho contra o qual a bebida civilizada se definia. Os autores gregos e, depois, romanos trataram os povos bebedores de cerveja como rústicos por comparação, e o prestígio cultural antes repartido entre muitos fermentos locais concentrou-se quase por inteiro na uva 69.
A videira silvestre, também, foi marginalizada num sentido mais silencioso. À medida que se propagavam as videiras cultivadas, clonadas e hermafroditas, a uva silvestre e dioica da orla do bosque deixou de ter importância econômica; o futuro genético e cultural pertencia à planta domesticada. E a própria paisagem foi refeita: posta em terraços para a videira, plantada com a tríade, reorganizada em torno de um cultivo que exigia capital paciente e recompensava quem já possuía a terra. Nada disso foi violento. Mas foi um deslocamento genuíno — de bebidas, de plantas e de um modo de beber mais antigo e mais local.
Qual foi o custo
Uma transmissão quase sem conta a pagar
Este registro é, deliberadamente, um contraponto. Muitas transmissões deste atlas chegam portadas pela violência, pela extração ou pela coerção, e seu custo é o centro da história. A viagem do vinho rumo ao oeste não é uma delas. A difusão da viticultura do Cáucaso meridional ao Mediterrâneo ao longo de quatro milênios foi, até onde mostram os indícios, uma difusão pacífica: estacas e técnica deslocando-se com agricultores, mercadores e o lento contato de comunidades vizinhas. Nenhuma conquista portou a videira. Nenhuma população foi escravizada para entregá-la. Nenhuma cultura foi destruída no ato de recebê-la. A uva já estava presente nas terras receptoras; o que se propagou foi um saber e uma planta domesticada, e um saber não precisa ser tomado à ponta da espada.
Por isso a gravidade do custo deste registro está fixada em zero. A transmissão propriamente dita — videira, vasilha e método deslocando-se rumo ao oeste — não extraiu nada do Cáucaso meridional nem exigiu nada do Mediterrâneo além do trabalho de aprender a cultivar e a fermentar. Os remetentes não foram espoliados; a tradição de Shulaveri-Shomu não só sobreviveu, mas persiste, na prática georgiana viva do qvevri, oito mil anos depois 1112. Não há aqui contagem de mortos, nem população deslocada, nem cidade aniquilada. A honestidade quanto ao custo corta nos dois sentidos: onde a conta é genuinamente nula, o atlas o diz, e resiste à tentação de fabricar uma tragédia para se ajustar ao seu registro habitual.
O livro-razão a jusante, que não é o deste registro
Dizer que a transmissão não teve custo não é dizer que o vinho não o teve. Ao longo dos milênios seguintes, o vinho tornou-se o motor e o lubrificante de economias que foram tudo menos gentis — e a honestidade intelectual exige nomeá-las, mantendo-as ao mesmo tempo em seu devido lugar. O exemplo mais nítido é a Itália romana. Por volta do fim da República, a produção de vinho havia sido industrializada em propriedades movidas a escravos, os latifundia, cuja produção o historiador André Tchernia reconstituiu a partir das ânforas que a transportavam aos milhões através do Mediterrâneo 10. Por trás da ânfora elegante e do vinhedo cuidado estava uma mão de obra agrícola acorrentada, em boa parte cativos de guerra escravizados, acionando prensas e terraços para o lucro de proprietários ausentes. Muito mais tarde, as potências coloniais europeias plantariam vinhedos nas Américas, na África do Sul e em outros lugares às custas de mão de obra forçada e escravizada.
Os séculos coloniais prolongaram o mesmo padrão para além dos oceanos. As potências europeias levaram a videira às Américas, à África do Sul e à Austrália, e onde a plantaram sob um modelo de plantation a trabalharam com mãos forçadas e escravizadas, tal como trabalhavam o açúcar e o algodão. Os vinhedos do Cabo dos primórdios e da América espanhola colonial não eram lugares gentis. Mas, mais uma vez, o custo pertence ao sistema, não à planta: foram a plantation, a conquista e a instituição da escravidão que extraíram o sofrimento, servindo-se da viticultura como de um cultivo entre vários.
São custos reais, e graves. Mas não são o custo desta transmissão. São os custos de instituições posteriores específicas — a escravidão romana, os sistemas de plantation coloniais — que se serviram do vinho, como se serviram do grão, do açúcar e do algodão, a título de veículo. A videira não exigia a escravidão mais do que o trigo; a escravidão pertencia a Roma e à ordem colonial, e está documentada nos registros que tratam diretamente desses sistemas. As estacas que viajaram de Shulaveris Gora a Creta não portavam tal conta. Carregar a difusão quatro vezes milenar de uma bebida com os pecados de todo regime posterior que dela lucrou seria confundir uma coisa com seus abusos 10.
Manter a linha em zero
A decisão editorial, portanto, é manter o custo em zero e defender abertamente essa posição. A norma que este atlas aplica é causal e próxima: o que esta transmissão, em seu próprio movimento, tomou de alguém? A resposta, para a difusão do vinho rumo ao oeste, é: nada mensurável. A marginalização da cerveja e do hidromel foi uma mudança de moda e de prestígio, não uma violência. A remodelação das encostas em vinhedos foi uma transformação econômica livremente adotada pelas culturas que a adotaram. A única sociedade que se poderia chamar de "fonte" — a cultura de Shulaveri-Shomu e seus descendentes georgianos — não perdeu nada e conservou tudo, até a talha enterrada.
O que este registro oferece em lugar de uma contagem de mortos é uma calibragem de outra ordem: a prova de que nem toda transmissão poderosa é paga com sofrimento. O vinho refez a dieta, a religião, a economia e a sociabilidade de metade do mundo, e o fez, no momento da transmissão, de graça. Que uma coisa tenha se tornado mais tarde um instrumento de extração não torna retroativamente sua origem extrativa. A conta da escravidão romana é debitada a Roma. A viagem da videira não é debitada a ninguém — e uma história honesta quanto ao custo deve saber registrar um zero com tanto cuidado quanto registra um massacre 911.
Há até uma espécie de justiça no ponto em que a história termina. A cultura que deu o vinho ao mundo não foi, como tantas vezes acontece, apagada ou empobrecida pelo dom. Oito mil anos depois de as primeiras uvas terem sido esmagadas numa talha enterrada em Shulaveris Gora, os descendentes daquela tradição ainda espremem uva em qvevris, nos mesmos vales, por um método que a Unesco hoje protege como patrimônio de toda a humanidade 12. A planta que domesticaram tornou-se, por algumas medidas, o fruto mais cultivado da Terra, e a bebida que inventaram sustenta economias, religiões e rituais por todo o planeta. A maioria das transmissões deste atlas traça uma linha de um doador a um tomador, com o custo recaindo sobre um só lado da troca. Esta traça um dom que nada custou ao doador e enriqueceu o mundo — e que então deixou o doador, de forma única, ainda de posse da arte original. A videira caminhou rumo ao oeste, e ninguém ficou mais pobre por isso.
What followed
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-6000O vinho é fermentado em larga escala em talhas de argila de 300 litros em Shulaveris Gora e Gadachrili Gora, no Cáucaso meridional — o vinho de uva mais antigo quimicamente atestado e o ancestral do qvevri georgiano.
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-5400Em Hajji Firuz Tepe, no Zagros, vinho de uva resinado é conservado em talhas de cozinha, mostrando que a produção e a conservação deliberadas do vinho se propagaram ao sul, para o planalto iraniano.
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-4300A vinificação alcança o Egeu setentrional: em Dikili Tash, na Macedônia grega, cascas e sementes de uva espremidas fornecem a mais antiga prova sólida de vinho para o Mediterrâneo oriental e a Europa.
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-3150Na tumba egípcia U-j de Abidos, cerca de 700 talhas de vinho são sepultadas com o rei Escorpião I — vinho importado por terra e por mar do Levante, agora um luxo digno do além de um rei.
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-1700Na Creta minoica, o vinho torna-se um produto de elite e de redistribuição gerido pelos palácios — um bem por meio do qual se estabelece a autoridade, se organiza o trabalho e competem as facções rivais.
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-1250As tábuas micênicas em linear B registram o vinho como produto gerido, nomeiam a festa do “vinho novo” e já trazem o nome di-wo-nu-so — Dioniso — três milênios antes da Grécia clássica.
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-700Os trabalhos e os dias de Hesíodo põem em verso o ano vitícola, indicando ao camponês quando podar e quando colher e secar a uva: o calendário da videira já faz parte do ano grego.
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-530O pintor Exéquias mostra Dioniso recostado num navio entre videiras e golfinhos; o symposion, a libação e uma religião do deus do vinho são agora o centro da vida grega.
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-150Na Itália romana, o vinho é produzido em massa em latifundia movidos a escravos e embarcado pelo Mediterrâneo em milhões de ânforas — uma extração a jusante que se serviu do vinho, mas não foi causada por sua transmissão.
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2013A Unesco inscreve o método georgiano do qvevri na lista do Patrimônio Cultural Imaterial, reconhecendo uma tradição vinícola ininterrupta de oito mil anos, nascida dos mesmos vales onde o vinho começou.
Where this lives today
References
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