INTELLIGENCE REPORT SERIES OCTOBER 2026 OPEN ACCESS

SERIES: ENVIRONMENTAL INTELLIGENCE

O nitrogênio alimenta metade do mundo e envenena o resto (2026)

O nitrogênio sintético alimenta cerca de metade da humanidade, mas a maior parte vaza para a água e o ar. Uma auditoria do gás, das zonas mortas e do choque de preços de 2026.

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Published5 October 2026
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O nitrogênio sintético alimenta cerca de metade da humanidade, mas a maior parte vaza para a água e o ar. Uma auditoria do gás, das zonas mortas e do choque de preços de 2026.

01

Metade da humanidade, uma única reação
Por que o mundo não consegue se alimentar sem o Haber-Bosch — nem continuar a usá-lo desta maneira

O nitrogênio sintético produzido pelo processo Haber-Bosch sustenta hoje a dieta de cerca de 40 % a 50 % da população mundial, ao passo que a fixação humana de nitrogênio corre a aproximadamente o triplo do nível que os cientistas consideram um limite planetário seguro ◈ Evidências sólidas [1] [3] [9]. A mesma molécula que enche os celeiros esvazia de oxigênio as águas costeiras, aquece o clima e amarra o orçamento das lavouras ao preço do gás natural.

A resposta direta à pergunta que este relatório examina é que o fertilizante nitrogenado é, ao mesmo tempo, indispensável e mal gerido. Em 2008, uma equipe liderada por Jan Willem Erisman estimou que o fertilizante nitrogenado sustentava 48 % da população mundial, contra 44 % em 2000, e que ao longo do século XX havia tornado possíveis cerca de 4 bilhões de nascimentos ◈ Evidências sólidas [1]. Vaclav Smil, partindo de premissas diferentes, situou a cifra em torno de 40 % ◈ Evidências sólidas [2]. O Our World in Data, ao revisar a literatura em 2022, constatou que as estimativas tendem a convergir para uma faixa de 40 % a 50 %, e um estudo de 2023 de Rosa e Gabrielli situou a proporção em cerca de metade em 2019 ✓ Fato comprovado [3]. Seja qual for a cifra adotada, nenhum outro processo industrial isolado se interpõe entre tantas pessoas e a fome. Ainda assim, cerca de 60 % do nitrogênio aplicado às lavouras jamais chega à colheita ◈ Evidências sólidas [6], e é nessa maioria perdida que o problema começa.

A escala da produção é difícil de apreender. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que a produção mundial de amônia atingiu 160 milhões de toneladas de nitrogênio contido em 2025, ante 156 milhões de toneladas em 2024 ✓ Fato comprovado [4]. Só a China produziu 49 milhões de toneladas, seguida por Índia e Rússia, com 15 milhões de toneladas cada, pelos Estados Unidos, com 14 milhões, e pela Indonésia, com 6 milhões ✓ Fato comprovado [4]. Cerca de 80 % da amônia produzida pelo Haber-Bosch acaba virando fertilizante ✓ Fato comprovado [1], e o consumo mundial de fertilizantes nitrogenados superou 115 milhões de toneladas em 2023, liderado pela China, com 26,3 milhões de toneladas, pela Índia, com 20,5 milhões, e pelos Estados Unidos, com 11,6 milhões ◈ Evidências sólidas [5]. Nas palavras do USGS, o nitrogênio é “um nutriente vegetal essencial que não tem substituto” ✓ Fato comprovado [4].

Essa produção empurra o ciclo global do nitrogênio muito além de sua faixa natural. Em 2023, uma equipe liderada por Katherine Richardson atualizou o marco dos limites planetários e fixou o limite seguro para a fixação industrial e biológica intencional de nitrogênio em 62 teragramas por ano, com uma zona de risco crescente que se estende até 82 ✓ Fato comprovado [9]. O valor atual é de cerca de 190 teragramas — aproximadamente o triplo do limite ✓ Fato comprovado [9]. Trabalhos anteriores de Will Steffen e colegas, em 2015, já haviam constatado que o limite fora ultrapassado; o número mais alto de 2023 reflete em parte uma mudança de método, e não uma triplicação do uso. Seja como for, o nitrogênio figura entre os mais gravemente violados dos nove limites, ao lado das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade.

A terceira dimensão é econômica. Como a amônia é feita a partir de hidrogênio extraído do gás natural ou do carvão, o preço do fertilizante acompanha o preço dos combustíveis fósseis e a geopolítica dos países que os exportam. Em 2021 e 2022, o índice de preços de fertilizantes do Banco Mundial subiu mais de 100 % e 55 %, respectivamente ✓ Fato comprovado [32]. Em 2026, o mercado foi atingido de novo: depois que o Estreito de Ormuz foi declarado fechado, no início de março, os preços da ureia ultrapassaram 850 dólares por tonelada em abril, alta de 80 % desde fevereiro ✓ Fato comprovado [32]. Dois choques de preços em cinco anos mostraram com que rapidez uma molécula tida como garantida se converte em mercadoria estratégica.

48 %
Parcela da população mundial alimentada pelo nitrogênio do Haber-Bosch, estimativa de 2008
Erisman et al., Nature Geoscience, 2008 · ◈ Evidências sólidas
190
Teragramas de nitrogênio fixados pela ação humana a cada ano, ante um limite seguro de 62
Richardson et al., Science Advances, 2023 · ✓ Fato comprovado
60 %
Parcela do nitrogênio aplicado às lavouras que nunca chega à colheita
Zhang et al., Nature, 2015 · ◈ Evidências sólidas
80 %
Alta dos preços da ureia entre fevereiro e abril de 2026
Banco Mundial, 2026 · ✓ Fato comprovado

Esses três fatos — dependência, vazamento e exposição aos preços — costumam ser discutidos separadamente. Agrônomos falam de produtividade, ecólogos de zonas mortas, climatologistas de óxido nitroso e operadores de mercado de spreads do gás. O argumento deste relatório é que eles formam um único sistema com um único ponto de falha: um processo inventado em 1909 que converte energia fóssil em alimento com uma eficiência global tão baixa que a maior parte do produto se transforma em poluição. A Avaliação Europeia do Nitrogênio (European Nitrogen Assessment) estimou em 2011 que a poluição por nitrogênio custa à Europa entre 70 bilhões e 320 bilhões de euros por ano, mais que o dobro da renda agrícola adicional gerada pelo fertilizante nitrogenado ◈ Evidências sólidas [22]. O fertilizante sai barato na porteira da fazenda sobretudo porque seus custos integrais são pagos em outro lugar.

Tampouco o ônus se distribui de maneira equitativa. Por habitante, o uso de fertilizante nitrogenado fica em torno de 40 quilos por ano na América do Norte e de 25 a 30 quilos na Europa, mas em apenas 2 a 3 quilos na África ✓ Fato comprovado [19]. Na África Ocidental, o uso de nitrogênio mineral foi em média de 4,1 quilos por hectare de terra cultivada em 2023, ante 192,4 quilos na China ✓ Fato comprovado [55]. Uma parte do mundo usa demais e perde a maior parte para os rios e o ar; outra usa de menos para fechar suas lacunas de produtividade. As seções a seguir examinam como o processo funciona, para onde vai o nitrogênio perdido, quem paga por ele, como o gás e a guerra definem seu preço, como cinco regimes de política pública tentaram geri-lo e o que as evidências contestadas de fato sustentam.

02

Entra gás, sai pão
Como uma reação centenária transformou energia fóssil em comida, e por que tão pouco disso chega ao prato

A síntese de amônia consome cerca de 2 % da energia final do mundo e 20 % da demanda industrial de gás natural, e emite cerca de 1,3 % do dióxido de carbono do setor energético ✓ Fato comprovado [20]. Do nitrogênio que chega aos campos, a lavoura média mundial absorve apenas cerca de 40 % ◈ Evidências sólidas [6].

O processo Haber-Bosch combina o nitrogênio do ar com hidrogênio sob alta temperatura e alta pressão, sobre um catalisador de ferro. Fritz Haber demonstrou um aparelho de laboratório funcional à BASF em 2 de julho de 1909, e a primeira fábrica comercial começou a produzir em 9 de setembro de 1913, pouco mais de quatro anos depois ✓ Fato comprovado [2]. O problema de engenharia — construir vasos de aço capazes de suportar as pressões envolvidas — foi resolvido por Carl Bosch, que defendeu o projeto contra o ceticismo interno ✓ Fato comprovado [2]. Haber recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1918, e Bosch dividiu o prêmio em 1931 ✓ Fato comprovado [1]. Até então, os agricultores dependiam do esterco, da rotação com leguminosas, do guano e do salitre extraído no Chile, fontes que, como o químico William Crookes advertira em 1898, não bastariam para alimentar um mundo em crescimento ◈ Evidências sólidas [58].

O nitrogênio do ar é gratuito; o hidrogênio, não. Segundo o Roteiro Tecnológico da Amônia (Ammonia Technology Roadmap) da Agência Internacional de Energia (AIE), 72 % da amônia mundial foi produzida a partir de gás natural em 2020 e 26 % a partir de carvão, cabendo à eletrólise uma fração de ponto percentual ✓ Fato comprovado [20]. O setor usou cerca de 8,6 exajoules de energia, ou 2 % do consumo final total de energia, e emitiu cerca de 450 milhões de toneladas de dióxido de carbono, ou 1,3 % das emissões do sistema energético ✓ Fato comprovado [20]. A produção de amônia consumiu cerca de 170 bilhões de metros cúbicos de gás natural, o equivalente a 20 % de toda a demanda industrial de gás ✓ Fato comprovado [20]. Erisman e colegas situaram o piso energético teórico da fixação em 32 megajoules por quilo de nitrogênio ✓ Fato comprovado [1]. A segurança alimentar, em suma, foi construída sobre um gasoduto.

✓ Fato comprovado Produzir amônia consome cerca de 2 % da energia final do mundo e 20 % da demanda industrial de gás

A AIE estima que a produção de amônia consumiu 8,6 exajoules de energia em 2020, incluindo cerca de 170 bilhões de metros cúbicos de gás natural, e emitiu 450 milhões de toneladas de dióxido de carbono [20]. Como 72 % da produção depende do gás, uma variação no preço do gás se transmite quase diretamente ao custo do fertilizante nitrogenado e, daí, ao custo dos grãos.

O custo climático vai muito além da fábrica. Um estudo de 2022 publicado na Scientific Reports por Stefano Menegat, Alicia Ledo e Reyes Tirado estimou que a cadeia de suprimento completa do fertilizante nitrogenado sintético emitiu 1,13 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2018, ou 2,1 % das emissões globais de gases de efeito estufa ◈ Evidências sólidas [19]. A fabricação respondeu por 38,8 % desse total, o transporte por 2,6 % e as emissões no campo — sobretudo o óxido nitroso liberado quando os micróbios do solo processam o nitrogênio excedente — por 58,6 % ◈ Evidências sólidas [19]. A maior parte do dano climático ocorre, portanto, depois que o fertilizante é espalhado, razão pela qual fábricas mais limpas não bastam, por si sós, para resolver o problema.

A fraqueza mais profunda é a eficiência. Um estudo de 2015 publicado na Nature, liderado por Xin Zhang e Eric Davidson, estimou que a eficiência média global no uso do nitrogênio pelas lavouras é de cerca de 0,4: apenas cerca de 40 % do nitrogênio aplicado termina na colheita, e o restante se perde para o ar, a água e o solo ◈ Evidências sólidas [6]. Para cumprir as metas alimentares e ambientais até 2050, calcularam os autores, essa eficiência teria de subir para cerca de 0,7 ◈ Evidências sólidas [6]. A equipe de Erisman constatou que a eficiência da produção de cereais havia caído de cerca de 80 % em 1960 para cerca de 30 % em 2000, à medida que os agricultores aplicavam mais nitrogênio para obter ganhos marginais cada vez menores ◈ Evidências sólidas [1]. As estimativas variam conforme as definições e os limites do sistema considerado, mas todas as grandes avaliações concluem que a maior parte do nitrogênio é desperdiçada ⚖ Contestado [6] [7].

A China ilustra o padrão de forma mais nítida. Um estudo em escala de condado de Chen e colegas, citando o Ministério da Agricultura chinês, situou a eficiência no uso do nitrogênio nas terras agrícolas do país em cerca de 32 % em 2017, ante uma média mundial de 55 % segundo a definição do ministério ◈ Evidências sólidas [7]. A China responde por quase 30 % do uso mundial de fertilizantes, e na maioria dos condados chineses a eficiência fica entre 20 % e 40 % ◈ Evidências sólidas [7]. Zhang descreveu o desempenho chinês como um dos mais baixos do mundo e advertiu que seguir pelo mesmo caminho levaria a um problema de poluição por nitrogênio ainda mais grave do que o atual ✓ Fato comprovado [6]. Ainda assim, a China também se tornou a evidência mais forte de que a eficiência pode melhorar, ponto examinado na seção seis.

A lacuna de eficiência é a verdadeira história

Os debates sobre o nitrogênio costumam ser enquadrados como mais fertilizante contra menos fertilizante. As evidências apontam para outro lado. Se a eficiência global no uso do nitrogênio subisse de cerca de 40 % para os 70 % que Zhang e colegas consideram necessários, as mesmas safras poderiam ser obtidas com muito menos fertilizante, muito menos gás e muito menos poluição [6]. A restrição decisiva não é a quantidade de nitrogênio que o mundo produz, mas a parcela dela que as lavouras de fato absorvem.

A baixa eficiência obedece a uma lógica econômica simples. Historicamente, o fertilizante foi barato em relação ao valor da lavoura que protege, de modo que aplicar uma margem extra é um seguro racional para um agricultor diante de um clima incerto. As perdas resultantes — nitrato no lençol freático, amônia no ar, óxido nitroso na atmosfera — recaem sobre os usuários de água a jusante, os moradores das cidades e o clima, e não sobre a fazenda. Erisman e colegas observaram que o número de pessoas sustentadas por hectare de terra arável passou de 1,9 em 1908 para 4,3 em 2008 ✓ Fato comprovado [1]. Essa conquista é real. Tão real quanto o fato de ter sido comprada com um insumo cujo desperdício tem preço zero.

03

Para onde vai a outra metade
Zonas mortas, óxido nitroso e um ciclo levado muito além do seu limite

Desde 1950, mais de 500 locais costeiros no mundo registraram níveis de oxigênio baixos o bastante para asfixiar a vida marinha, e menos de 10 % deles eram conhecidos como hipóxicos antes dessa data ✓ Fato comprovado [11]. A agricultura responde hoje por cerca de 74 % das emissões humanas de óxido nitroso ✓ Fato comprovado [17].

O nitrogênio que escapa do campo não desaparece. Parte dele se infiltra no lençol freático na forma de nitrato, parte é arrastada para os rios, parte se volatiliza como amônia e parte é convertida por bactérias do solo em óxido nitroso. Nos rios e mares costeiros, o nitrogênio excedente fertiliza florações de algas; quando as algas morrem e afundam, sua decomposição consome o oxigênio da água abaixo delas. Uma revisão de 2008 publicada na Science por Robert Diaz e Rutger Rosenberg contabilizou zonas mortas em mais de 400 sistemas, que cobriam mais de 245.000 quilômetros quadrados, e constatou que seu número havia crescido exponencialmente desde os anos 1960 ✓ Fato comprovado [10].

Uma década depois, uma equipe internacional liderada por Denise Breitburg atualizou o quadro. Mais de 500 locais costeiros haviam registrado concentrações de oxigênio de 2 miligramas por litro ou menos desde 1950, e menos de 10 % desses sistemas eram conhecidos por sofrer hipóxia antes de 1950 ✓ Fato comprovado [11]. O volume de água anóxica em mar aberto havia mais que quadruplicado no mesmo período ✓ Fato comprovado [11]. Os autores vincularam a tendência costeira diretamente à carga de nutrientes: o uso mundial de fertilizantes se multiplicou por dez depois de 1950, e o nitrogênio transportado pelos rios até o litoral aumentou 43 % entre 1970 e 2000 ✓ Fato comprovado [11].

O declínio do oxigênio nos oceanos está entre os efeitos mais graves das atividades humanas sobre o meio ambiente da Terra.

— Denise Breitburg, Smithsonian Environmental Research Center, janeiro de 2018

O exemplo mais bem medido está no Golfo do México — hoje chamado Golfo da América pelo governo federal dos Estados Unidos —, onde os rios Mississippi e Atchafalaya despejam o nitrogênio das fazendas do Meio-Oeste americano. Em 2024, cientistas apoiados pela NOAA mediram a zona hipóxica em 6.705 milhas quadradas, a 12ª maior em 38 anos de medições ✓ Fato comprovado [13]. Em 2025, ela cobriu 4.402 milhas quadradas, a 15ª menor da série histórica ✓ Fato comprovado [14]. Um único ano mais brando não constitui tendência: a média de cinco anos ficou em 4.755 milhas quadradas, mais que o dobro da meta de 1.900 milhas quadradas que a força-tarefa federal sobre hipóxia (Hypoxia Task Force) fixou para 2035 ✓ Fato comprovado [14].

4.755
Tamanho médio da zona morta do Golfo em cinco anos, em milhas quadradas
NOAA, 2025 · ✓ Fato comprovado
500
Locais costeiros que registraram perda severa de oxigênio desde 1950
Breitburg et al., Science, 2018 · ✓ Fato comprovado
40 %
Alta das emissões humanas de óxido nitroso entre 1980 e 2020
Tian et al., Earth System Science Data, 2024 · ✓ Fato comprovado
74 %
Participação da agricultura nas emissões humanas de óxido nitroso na década de 2010
Global Carbon Project, 2024 · ✓ Fato comprovado

O Mar Báltico oferece um paralelo europeu. Pesquisas de Jacob Carstensen e Daniel Conley, resumidas pela Universidade de Lund, constataram que a área de águas de fundo pobres em oxigênio passou de cerca de 5.000 quilômetros quadrados por volta de 1900 para cerca de 60.000 quilômetros quadrados, com a maior parte da expansão ocorrida depois de 1950 ◈ Evidências sólidas [15]. O Báltico é um mar semifechado, de lenta renovação das águas, o que o torna especialmente sensível, mas o motor é o mesmo: o escoamento de nutrientes das terras agrícolas e das águas residuais dos países que o cercam. Ao contrário do que ocorre em mar aberto, as zonas mortas costeiras respondem ao que acontece em terra, o que significa que podem se recuperar quando as cargas de nutrientes caem.

A segunda rota de fuga é a atmosfera. O balanço de óxido nitroso do Global Carbon Project, coordenado por Hanqin Tian e publicado em 2024, constatou que as concentrações atmosféricas subiram de 270 partes por bilhão em 1750 para 336 partes por bilhão em 2022 ✓ Fato comprovado [16]. As emissões humanas aumentaram 40 % entre 1980 e 2020, e a agricultura respondeu por 74 % das emissões antropogênicas na década de 2010 ✓ Fato comprovado [16] [17]. As concentrações observadas superaram os níveis projetados em todos os cenários usados na sexta rodada do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados (CMIP6) ✓ Fato comprovado [16]. Pep Canadell, da CSIRO, observou que as taxas de crescimento de 2020 a 2022 foram 30 % mais altas do que em qualquer ano anterior desde 1980 ✓ Fato comprovado [17].

✓ Fato comprovado A fixação humana de nitrogênio equivale a cerca de três vezes o limite planetário seguro

A atualização de 2023 dos limites planetários, publicada na Science Advances, fixou o limite para a fixação industrial e biológica intencional de nitrogênio em 62 teragramas por ano e estimou a fixação atual em cerca de 190 teragramas [9]. Os autores concluíram que o limite está ultrapassado em escala global, o que coloca o nitrogênio entre os mais severamente excedidos dos nove limites do sistema terrestre.

O óxido nitroso é um gás potente e persistente. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), com base nos valores do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC, atribui a ele um potencial de aquecimento global em cem anos 273 vezes superior ao do dióxido de carbono e uma vida útil na atmosfera de mais de um século ✓ Fato comprovado [18]. A China foi o maior emissor em 2020, com 16,7 % do total mundial, seguida pela Índia, com 10,9 %, e pelos Estados Unidos, com 5,7 % ✓ Fato comprovado [17]. A Europa é a exceção notável: suas emissões caíram 31 % ao longo das quatro décadas, o que mostra que a tendência não é inexorável ✓ Fato comprovado [16]. A equipe da CSIRO calculou que as emissões humanas de óxido nitroso precisam cair cerca de 20 % em relação aos níveis de 2019 até 2050 para que permaneçam compatíveis com as metas de Paris ◈ Evidências sólidas [17].

04

A conta chega a jusante
Água potável, risco de câncer, poluição do ar e os custos que ninguém fatura

Em 2011, estimou-se que a poluição por nitrogênio custava à Europa entre 70 bilhões e 320 bilhões de euros por ano — mais que o dobro da renda agrícola adicional gerada pelo fertilizante ◈ Evidências sólidas [22]. Em 2025, um pico de nitrato forçou a primeira proibição de rega de gramados da história da companhia de água do centro de Iowa ✓ Fato comprovado [25].

O custo da poluição por nitrogênio é mais visível onde ela chega à torneira. Em 13 de junho de 2025, a Central Iowa Water Works impôs a primeira proibição de sua história à rega de gramados, que atingiu cerca de 600.000 clientes, depois que os níveis de nitrato no rio Raccoon chegaram a 20,55 miligramas por litro ✓ Fato comprovado [25]. O limite americano para a água potável é de 10 miligramas por litro, medidos como nitrogênio na forma de nitrato. A unidade de remoção de nitrato da companhia custa cerca de 16.000 dólares por dia para operar e só consegue tratar 10 milhões de galões por dia, ante uma demanda de verão de 70 a 80 milhões ✓ Fato comprovado [25]. Um dirigente da companhia resumiu a causa sem rodeios: tudo o que sai da paisagem agrícola rio acima desce até as captações da cidade ✓ Fato comprovado [25].

Des Moines tentou fazer os poluidores pagarem. Em 2015, a companhia de água processou distritos de drenagem de três condados situados rio acima, sob o argumento de que os sistemas de drenagem subterrânea que retiram a água dos campos eram fontes pontuais de poluição nos termos do Clean Water Act. Em janeiro de 2017, a Suprema Corte de Iowa decidiu que os distritos de drenagem estavam imunes a pedidos de indenização, e a ação federal foi extinta em março de 2017 ✓ Fato comprovado [26]. O episódio expôs a arquitetura jurídica que blinda a agricultura: pela legislação americana, o escoamento das terras agrícolas é classificado como poluição difusa e fica em grande medida isento do sistema de licenciamento que rege fábricas e estações de tratamento de esgoto. Quem paga o tratamento, em vez disso, são os clientes da companhia de água.

O risco à saúde pode começar bem abaixo do limite legal. Um estudo dinamarquês baseado em registros nacionais, liderado por Jörg Schullehner, acompanhou 2,7 milhões de adultos entre 1978 e 2011 e usou mais de 200.000 amostras de água para estimar a exposição ◈ Evidências sólidas [24]. As pessoas expostas a mais de 9,3 miligramas de nitrato por litro tinham um risco de câncer colorretal 16 % maior do que as expostas a menos de 1,3 miligrama, e o aumento do risco aparecia a partir de cerca de 4 miligramas por litro ◈ Evidências sólidas [24]. O limite europeu é de 50 miligramas de nitrato por litro, mais de dez vezes esse patamar. Schullehner observou que o aumento do risco podia ser detectado em concentrações muito abaixo do padrão de potabilidade ◈ Evidências sólidas [24]. Uma única coorte não prova causalidade, mas o achado motivou apelos para que se revisem padrões fixados há décadas.

◈ Evidências sólidas Nitrato muito abaixo do limite legal está associado a maior risco de câncer colorretal

Numa coorte de 2,7 milhões de adultos dinamarqueses, a exposição acima de 9,3 miligramas de nitrato por litro esteve associada a um risco de câncer colorretal 16 % maior em comparação com a exposição abaixo de 1,3 miligrama, com risco elevado já a partir de cerca de 4 miligramas [24]. O padrão da UE para a água potável é de 50 miligramas por litro. A associação é observacional, mas foi extraída de dados de registros nacionais com estimativas de exposição de precisão incomum.

As águas subterrâneas da Europa mostram quão persistente é o problema. A avaliação da Comissão Europeia sobre a Diretiva Nitratos de 1991, apresentada em julho de 2026, constatou que a parcela de estações de monitoramento de águas subterrâneas no limite de 50 miligramas ou acima dele chegava a 25,3 % na Alemanha, 21,7 % em Portugal, 14,8 % na Dinamarca e 11,7 % na Itália ✓ Fato comprovado [59]. O European Environmental Bureau, ao analisar a mesma avaliação, estimou o custo da poluição por nitrato em cerca de 22 bilhões de euros por ano e afirmou que mais de 33 % das massas de água são afetadas pela poluição agrícola ◈ Evidências sólidas [27]. A avaliação concluiu que a diretiva continua necessária, ainda que a Comissão preparasse medidas de simplificação para os agricultores ✓ Fato comprovado [27].

O nitrogênio também mata pelo ar. A amônia liberada pelo esterco e pelo fertilizante reage com outros poluentes e forma material particulado fino. Um estudo de 2021 publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences por Nina Domingo e colegas estimou que a poluição do ar causada pela agricultura americana provoca cerca de 17.900 mortes por ano, 15.900 delas ligadas à produção de alimentos, das quais 80 % estão associadas a alimentos de origem animal ◈ Evidências sólidas [28]. Cerca de 12.400 dessas mortes foram atribuídas às emissões de amônia ◈ Evidências sólidas [28]. Essas mortes raramente aparecem nos debates sobre política agrícola, porque a poluição é difusa e as vítimas vivem longe dos campos.

Um subsídio pago por estranhos

A Avaliação Europeia do Nitrogênio constatou que os danos causados pelo nitrogênio custam a cada europeu entre 150 e 740 euros por ano, e que o total supera a renda agrícola gerada pelo fertilizante nitrogenado [22]. Os clientes das companhias de água de Iowa, os pescadores costeiros do Golfo do México e as famílias que respiram partículas derivadas da amônia pagam um subsídio oculto à maneira como se adubam as lavouras. Nenhum preço de mercado sinaliza esse custo ao agricultor que aplica o nitrogênio.

Juntando as peças, o dano é grande em relação ao benefício. A Avaliação Europeia do Nitrogênio, lançada em 2011 por Mark Sutton e colegas, estimou o dano anual total em 70 bilhões a 320 bilhões de euros em toda a Europa ◈ Evidências sólidas [22]. A Declaração de Colombo, de outubro de 2019, adotada no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), estimou que cerca de 80 % do nitrogênio que a humanidade mobiliza se perde no ambiente, o equivalente a cerca de 200 bilhões de dólares por ano, e comprometeu os governos com a meta de reduzir pela metade o desperdício de nitrogênio até 2030 ✓ Fato comprovado [23]. Joyce Msuya, então diretora executiva adjunta do Pnuma, resumiu o que está em jogo numa única frase: a existência da humanidade depende do nitrogênio, mas sua utilidade teve um custo terrível ✓ Fato comprovado [23]. A declaração não é vinculante e, sete anos depois, a meta continua sem nenhum mecanismo de cumprimento que a respalde.

05

Gás, guerra e o preço do pão
Dois choques de fertilizantes em cinco anos e o que revelaram sobre quem detém o poder de pressão

Em 2022, quase 70 % da produção europeia de amônia parou com a disparada dos preços do gás ✓ Fato comprovado [35]. Em 2026, o fechamento do Estreito de Ormuz cortou em 83 % as exportações de ureia dos produtores dependentes do Golfo Pérsico e levou os preços a mais de 850 dólares por tonelada ✓ Fato comprovado [32] [43].

O primeiro alerta veio em setembro de 2021. Com os preços do gás no atacado britânico em média de 19,79 dólares por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU), mais de 500 % acima da média de 3,20 dólares de 2020, a CF Industries paralisou suas duas fábricas de amônia no Reino Unido, em Billingham e Ince ✓ Fato comprovado [37]. A paralisação cortou o fornecimento de um subproduto em que poucos haviam pensado: o dióxido de carbono de grau alimentício, usado para atordoar animais no abate e para embalar carnes e bebidas. O governo britânico concordou em conceder apoio financeiro de curto prazo para reabrir Billingham — um subsídio emergencial pago a uma fábrica de fertilizantes para manter em funcionamento a cadeia de abastecimento alimentar ✓ Fato comprovado [37]. Em junho de 2022, a CF anunciou que Ince fecharia definitivamente e, em setembro de 2022, suspendeu a produção de amônia em Billingham ✓ Fato comprovado [36].

A invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, transformou um aperto no gás em crise. O amoniaduto Togliatti-Odessa, que transportava até 2,5 milhões de toneladas de amônia russa por ano ao longo de cerca de 2.470 quilômetros até os terminais de exportação do Mar Negro, foi fechado ✓ Fato comprovado [48]. A Rússia havia respondido por cerca de 16 % do comércio mundial de fertilizantes nitrogenados em 2020, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI) ◈ Evidências sólidas [49]. Em novembro de 2022, a associação setorial Fertilizers Europe informou que quase 70 % da produção europeia de amônia estava paralisada desde agosto por causa dos preços do gás, e a Comissão Europeia estimou que os custos com fertilizantes para os agricultores haviam subido 110 % em relação a 2019 ✓ Fato comprovado [35]. A ureia, o fertilizante nitrogenado mais comercializado do mundo, se tornou um barômetro da guerra.

Nem todos perderam. Produtores com acesso a gás barato, sobretudo na América do Norte, vendiam para um mercado mundial cujo preço era definido pelas fábricas europeias mais caras. A CF Industries registrou lucro líquido de 3,35 bilhões de dólares em 2022, ante 917 milhões de dólares em 2021 ✓ Fato comprovado [36]. A norueguesa Yara registrou em 2022 um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), excluídos itens especiais, recorde de 4,89 bilhões de dólares ✓ Fato comprovado [38]. A amônia na Costa do Golfo dos Estados Unidos teve preço médio de 1.070 dólares por tonelada curta em 2022, ante cerca de 450 dólares em 2025 ✓ Fato comprovado [4]. Se essas margens refletiram escassez ou poder de mercado é uma das questões contestadas examinadas na seção sete ⚖ Contestado [47].

Veio então o segundo choque. Depois que o Estreito de Ormuz foi declarado fechado, no início de março de 2026, o Banco Mundial informou que os preços da ureia ultrapassaram 850 dólares por tonelada em abril, alta de 80 % desde fevereiro, e lembrou que o Oriente Médio fornece quase um quarto das exportações mundiais de ureia ✓ Fato comprovado [32]. Sua edição de abril de 2026 das Perspectivas dos Mercados de Commodities (Commodity Markets Outlook) previu alta de 31 % nos preços dos fertilizantes no ano, puxada por um aumento de cerca de 60 % na ureia, e advertiu que a acessibilidade seria a pior desde 2022 ✓ Fato comprovado [33]. O Centro de Comércio Internacional (ITC) constatou que as exportações de ureia das economias dependentes do estreito caíram 83 % em volume em abril de 2026 na comparação anual, e que o Golfo Pérsico normalmente fornece 43 % da ureia transportada por via marítima ✓ Fato comprovado [43].

✓ Fato comprovado O fechamento de Ormuz em 2026 levou a ureia a mais de 850 dólares por tonelada em poucas semanas

O Banco Mundial informou que os preços da ureia subiram 80 % entre fevereiro e abril de 2026, depois que o Estreito de Ormuz foi declarado fechado [32]. O Centro de Comércio Internacional constatou que as exportações de ureia das economias dependentes de Ormuz caíram 83 % em volume em abril [43]. Os preços recuaram para cerca de 453 dólares por tonelada em junho, com a retomada parcial da navegação [44], mas o episódio mostrou que um único gargalo marítimo pode mover o preço mundial dos insumos alimentares em questão de dias.

Outros governos agravaram então a escassez. A China, que havia exportado cerca de 4,9 milhões de toneladas de ureia em 2025, proibiu muitas exportações de fertilizantes em março de 2026 e depois emitiu uma cota de cerca de 1,5 milhão de toneladas, segundo reportagens da Reuters ◈ Evidências sólidas [45]. Pequim já havia restringido os embarques em 2024, quando suas exportações de nitrogenados caíram mais de 90 % na comparação anual ✓ Fato comprovado [34]. A Índia, que comprava do Oriente Médio mais de 40 % de sua ureia e de seu fosfato diamônico, correu atrás de fornecedores alternativos ◈ Evidências sólidas [45]. As licitações de importação indianas fecharam entre 935 e 959 dólares por tonelada, ante 410 a 420 dólares um ano antes ◈ Evidências sólidas [46]. As restrições à exportação impostas por grandes produtores transformaram uma perturbação regional da navegação num evento de preços global.

1898
Crookes dá o alarme — William Crookes adverte a British Association de que o mundo enfrentará escassez de trigo, a menos que os químicos encontrem uma maneira de fixar o nitrogênio atmosférico [58].
1909
A demonstração de Haber — Fritz Haber opera seu aparelho de laboratório de amônia por cerca de cinco horas diante do representante da BASF [2].
1913
Começa a amônia industrial — A produção comercial começa em 9 de setembro, pouco mais de quatro anos após a demonstração em laboratório [2].
1918
O Nobel de Haber — Haber recebe o Prêmio Nobel de Química de 1918; Carl Bosch é contemplado com um prêmio compartilhado em 1931 [1].
1950
A grande aceleração — O uso mundial de fertilizantes inicia uma alta de dez vezes; mais de 500 locais costeiros registrarão depois hipóxia, menos de 10 % deles conhecidos antes dessa data [11].
2008
Metade da humanidade — Erisman e colegas estimam que o fertilizante nitrogenado sustenta 48 % da população mundial [1].
2015
O plano chinês de crescimento zero — Pequim fixa a meta de crescimento zero no uso de fertilizantes até 2020; o uso total cai depois 12,8 % entre 2015 e 2020 [52].
2019
A Declaração de Colombo — Governos reunidos sob a égide do Pnuma adotam a meta de reduzir pela metade o desperdício de nitrogênio até 2030 [23].
2021
A crise do dióxido de carbono no Reino Unido — Os preços do gás obrigam a CF Industries a paralisar suas duas fábricas britânicas, o que corta o fornecimento de dióxido de carbono de grau alimentício [37].
2022
As fábricas europeias se apagam — Após a invasão da Ucrânia, quase 70 % da produção europeia de amônia é paralisada pelos preços do gás [35].
2025
Tarifas sobre o fertilizante russo — Entram em vigor em 1º de julho as tarifas da UE sobre fertilizantes nitrogenados russos e bielorrussos, que subirão a 430 euros por tonelada até 2028 [39].
2026
O choque de Ormuz — O fechamento do estreito leva a ureia a mais de 850 dólares por tonelada em abril; a China proíbe a maior parte das exportações de fertilizantes [32] [45].

A resposta europeia puxou em duas direções. Para privar Moscou de receitas, a UE impôs tarifas aos fertilizantes nitrogenados russos e bielorrussos a partir de 1º de julho de 2025, combinando uma alíquota de 6,5 % com uma sobretaxa de 40 a 45 euros por tonelada que sobe para 430 euros por tonelada em 2028 ✓ Fato comprovado [39]. A relatora letã Inese Vaidere argumentou que a medida ajudaria a impedir que a Rússia usasse o mercado da UE para financiar sua máquina de guerra ✓ Fato comprovado [40]. A partir de 1º de janeiro de 2026, as importações de fertilizantes também entraram na fase definitiva do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), o que acrescentou cerca de 43 euros por tonelada à ureia egípcia ◈ Evidências sólidas [41]. Em poucas semanas, a Comissão propôs suspender as tarifas ordinárias sobre a ureia e a amônia de outros fornecedores para compensar esses custos ✓ Fato comprovado [41]. Em maio de 2026, com os preços do nitrogênio na UE cerca de 70 % acima da média de 2024, Bruxelas publicou um Plano de Ação para os Fertilizantes que oferece apoio direcionado por meio dos instrumentos da política agrícola ◈ Evidências sólidas [42].

06

Cinco regimes, uma molécula
Como China, Índia, Países Baixos, Dinamarca e Estados Unidos gerem o nitrogênio, e o que os resultados mostram

O uso de nitrogênio mineral vai de 192,4 quilos por hectare de terra cultivada na China a 59,1 nos Estados Unidos e 14,4 no conjunto da África ✓ Fato comprovado [55]. As políticas por trás desses números vão de metas de produção e subsídios de preço a ordens judiciais e um imposto de carbono sobre a pecuária.

A China é o caso mais claro de reforma em grande escala. Em fevereiro de 2015, o Ministério da Agricultura lançou um Plano de Ação Crescimento Zero para o uso de fertilizantes até 2020. Segundo o Anuário Estatístico da China, o uso total de fertilizantes caiu então de 60,23 milhões de toneladas em 2015 para 52,51 milhões de toneladas em 2020, um recuo de 12,8 % ✓ Fato comprovado [52]. O uso de nitrogênio mineral por hectare de terra cultivada caiu de 235,4 quilos em 2014 para 192,4 quilos em 2023 ✓ Fato comprovado [55]. Um estudo de 2024 publicado na Nature Food, liderado por pesquisadores da Carnegie Science, constatou que a eficiência chinesa no uso do nitrogênio melhorou 18 % entre 2007 e 2017, enquanto a produtividade subiu 10 % e a poluição por nitrogênio caiu 8 % ◈ Evidências sólidas [8]. A China ainda aplica muito mais nitrogênio por hectare do que qualquer outro grande produtor, mas mostrou que o uso pode cair sem que a produção desabe.

A Índia ilustra o incentivo oposto. A ureia é vendida aos agricultores a um preço fixo e fortemente subsidiado, o que estimula o uso excessivo em relação a outros nutrientes. A conta dos subsídios a fertilizantes no exercício fiscal de 2025-26 chegou a cerca de 2,11 lakh crore de rúpias (aproximadamente 2,11 trilhões de rúpias), 22 % a mais que no ano anterior ◈ Evidências sólidas [60]. O uso de nitrogênio mineral ficou em 121,5 quilos por hectare de terra cultivada em 2023 ✓ Fato comprovado [55]. O governo promoveu a nanoureia, um produto líquido que, segundo a cooperativa IFFCO, pode substituir um saco de 45 quilos por um frasco de 500 mililitros. Um ensaio de campo de dois anos na Universidade Agrícola do Punjab constatou produtividade 21,6 % menor no trigo e 13 % menor no arroz quando a nanoureia substituiu o nitrogênio convencional ⚖ Contestado [53]. A alegação de que a tecnologia pode substituir toneladas de fertilizante não resistiu a testes independentes.

Os Países Baixos mostram o que acontece quando a lei do nitrogênio encontra a política. Em 2019, o Conselho de Estado derrubou o sistema governamental de licenciamento de emissões de nitrogênio perto de habitats protegidos, congelando milhares de licenças para obras e atividades agropecuárias. Os planos de comprar e fechar fazendas de criação de animais provocaram protestos em massa e, em março de 2023, o novo Movimento Agricultor-Cidadão, conhecido como BBB, venceu as eleições provinciais e conquistou 17 cadeiras no Senado ✓ Fato comprovado [56]. Em janeiro de 2025, o Tribunal Distrital de Haia ordenou ao Estado que levasse metade de suas áreas naturais sensíveis ao nitrogênio para abaixo dos respectivos limites de deposição até 2030, sob pena de pagar ao Greenpeace uma multa de 10 milhões de euros ✓ Fato comprovado [50]. O líder agrícola Ger Koopman, da LTO, advertiu para um impacto sem precedentes sobre a agricultura, a construção de moradias e a economia holandesa ✓ Fato comprovado [50].

A Dinamarca preferiu a negociação ao litígio. Seu acordo Tripartite Verde, de junho de 2024, firmado entre governo, agricultores, indústria e organizações ambientalistas, criou o primeiro imposto de carbono do mundo sobre as emissões da pecuária, que começa em 300 coroas dinamarquesas por tonelada de dióxido de carbono equivalente em 2030 e sobe a 750 coroas até 2035, com uma dedução de 60 % que reduz a alíquota efetiva ✓ Fato comprovado [51]. O acordo também destinou 250.000 hectares a novas florestas e criou um fundo fundiário de 40 bilhões de coroas para retirar terras agrícolas da produção ✓ Fato comprovado [51]. O ministro do Clima, Lars Aagaard, declarou que a agricultura é o maior emissor da Dinamarca e que isso não pode continuar ✓ Fato comprovado [51]. O teste será saber se as cargas de nitrogênio que chegam às águas costeiras dinamarquesas vão de fato diminuir.

Os Estados Unidos apostam na ação voluntária. O escoamento agrícola está em grande parte fora do licenciamento do Clean Water Act, e as metas da força-tarefa sobre hipóxia para o Golfo do México dependem de estratégias estaduais de redução de nutrientes e de pagamentos de incentivo. A média de cinco anos da zona morta do Golfo continua mais de duas vezes acima da meta para 2035 ✓ Fato comprovado [14]. O uso americano de nitrogênio mineral é relativamente baixo por hectare, de 59,1 quilos em 2023 ✓ Fato comprovado [55], mas os campos com drenagem subterrânea do Cinturão do Milho (Corn Belt) entregam nitrogênio aos rios com eficiência incomum. A estrutura de mercado também está sob escrutínio: em março de 2026, a Bloomberg noticiou que o Departamento de Justiça havia aberto investigações civis e criminais sobre grandes produtores de fertilizantes, e comentários públicos enviados ao Departamento de Agricultura afirmavam que quatro empresas controlam cerca de 75 % da oferta de nitrogênio dos Estados Unidos ◈ Evidências sólidas [47].

Tetos funcionam quando tribunais ou pactos os sustentam

Os dois regimes com progresso mais mensurável, China e Dinamarca, combinaram metas quantitativas explícitas com capacidade estatal para fazê-las cumprir. Os Países Baixos têm uma lei vinculante, mas nenhum acordo político; os Estados Unidos têm um acordo político, mas nenhuma lei vinculante. Os programas voluntários contra a poluição difusa não aproximaram a zona morta do Golfo de sua meta em mais de duas décadas de esforços [14] [52] [51].

A África Subsaariana enfrenta o problema inverso. A Declaração de Abuja, de 2006, fixou uma meta de 50 quilos de nutrientes fertilizantes por hectare; segundo o IFDC, o uso africano subiu de 8,0 quilos em 2006 para um pico de 42,5 em 2019, antes de cair para 34,5 em 2022 ✓ Fato comprovado [29]. O uso de nitrogênio mineral no conjunto da África foi em média de apenas 14,4 quilos por hectare de terra cultivada em 2023, e de 2,0 na Nigéria ✓ Fato comprovado [55]. Na Cúpula Africana sobre Fertilizantes e Saúde do Solo, realizada em Nairóbi em maio de 2024, os governos se comprometeram a triplicar até 2034 a produção e a distribuição internas de fertilizantes orgânicos e inorgânicos certificados ✓ Fato comprovado [30]. A Nova Zelândia, por sua vez, impõe desde julho de 2021 um teto de 190 quilos de nitrogênio sintético por hectare por ano em áreas de pastejo, embora seu atual governo tenha proposto revogá-lo ◈ Evidências sólidas [54].

RiscoGravidadeAvaliação
Dependência de importações do Golfo Pérsico e da Rússia
Crítico
O fechamento de Ormuz em 2026 e a guerra de 2022 mostraram que dois corredores de abastecimento podem mover os preços mundiais da ureia em 80 % em poucas semanas [32] [35].
Controles voluntários do escoamento agrícola
Alto
A média de cinco anos da zona morta do Golfo do México continua mais que o dobro da meta para 2035 sob um regime voluntário, baseado em incentivos [14].
Subsídios de preço que premiam o uso excessivo
Alto
A conta de subsídios da Índia subiu 22 % em um ano, enquanto os preços fixos da ureia desestimulam uma adubação equilibrada [60].
Proibições abruptas de insumos sintéticos
Alto
A proibição de 2021 no Sri Lanka reduziu as colheitas de arroz em cerca de 32 % e a produção de chá em 18 % antes de ser revogada [31].
Produtos de eficiência não comprovada
Médio
Ensaios independentes com nanoureia constataram perdas de produtividade de 13 % a 22 % no trigo e no arroz [53].
07

A contabilidade em disputa
Quantas pessoas o nitrogênio realmente alimenta, quem lucra com a escassez e se o mundo pode usar menos

A afirmação de que o nitrogênio sintético alimenta metade da humanidade é uma estimativa derivada de modelos, não uma medição, e pesquisadores sérios a situam entre 40 % e 50 % ⚖ Contestado [1] [2] [3]. As disputas mais duras dizem respeito aos lucros, à tecnologia de eficiência e à velocidade com que qualquer país pode cortar o uso sem prejudicar a segurança alimentar.

A primeira disputa diz respeito ao próprio número de destaque. Os 48 % de Erisman para 2008 e a estimativa de Rosa e Gabrielli, de cerca de metade em 2019, ficam no extremo superior; a estimativa de Smil, de cerca de 40 % para o fim dos anos 1990, fica abaixo ⚖ Contestado [1] [2] [3]. A diferença decorre principalmente de quanto da produtividade das lavouras se atribui ao fertilizante, e não a sementes melhores, à irrigação e ao manejo. A própria estimativa de Erisman para o conjunto do século XX era de 27 % da população ✓ Fato comprovado [1]. O Our World in Data adverte que essas estimativas são, compreensivelmente, difíceis de obter com alto grau de certeza ✓ Fato comprovado [3]. A formulação cuidadosa é que o nitrogênio sintético sustenta algo entre duas em cada cinco e uma em cada duas pessoas vivas hoje.

A segunda disputa diz respeito aos lucros. Os críticos apontam os lucros recordes de 2022, a concentração do mercado americano e as investigações antitruste de 2026 como prova de que os produtores exploram a escassez ⚖ Contestado [36] [47]. Os defensores do setor respondem que as fábricas norte-americanas compravam gás barato no Henry Hub enquanto os preços eram definidos pelo produtor europeu marginal, cujos custos com gás haviam subido mais de 500 % ✓ Fato comprovado [37]. Nessa leitura, os ganhos extraordinários foram um subproduto da geografia, e não de conluio. Até o fechamento desta edição, nenhuma acusação havia sido apresentada, e as associações de produtores de milho ainda cobravam ação federal em julho de 2026 ◈ Evidências sólidas [47].

Milhões de pessoas morreram em conflitos armados nos últimos cem anos, mas, ao mesmo tempo, bilhões de pessoas foram alimentadas.

— Jan Willem Erisman e colegas sobre o legado da síntese da amônia, Nature Geoscience, outubro de 2008

A terceira disputa gira em torno de saber se a tecnologia de eficiência pode substituir os limites. A experiência chinesa é a evidência mais forte a favor do otimismo: o uso total de fertilizantes caiu 12,8 % entre 2015 e 2020, enquanto a eficiência melhorava ✓ Fato comprovado [52] [8]. Menegat e colegas sustentam que as emissões poderiam ser cortadas substancialmente sem comprometer a segurança alimentar ◈ Evidências sólidas [19]. Os céticos apontam os ensaios com nanoureia, a conclusão do tribunal holandês de que o governo não dispunha de um plano crível e as mais de duas décadas de programas voluntários na bacia do Mississippi sem que a meta de hipóxia fosse atingida ⚖ Contestado [53] [50] [14]. A tecnologia funciona quando é medida e fiscalizada; fracassa quando é vendida como substituta da fiscalização.

Argumentos para produzir mais

Metade da humanidade depende dele
As estimativas convergem para 40 % a 50 % da população mundial alimentada pelo nitrogênio sintético [3].
A África precisa de mais, não de menos
O uso africano de fertilizantes, de 34,5 quilos por hectare, continua abaixo da meta de 50 quilos fixada em Abuja [29].
Proibições causam fome
A proibição de 2021 no Sri Lanka reduziu as colheitas de arroz em cerca de 32 % em uma única safra [31].
Não há substituto
O USGS descreve o nitrogênio como um nutriente vegetal essencial que não tem substituto [4].
A eficiência pode subir junto com a produção
A eficiência chinesa subiu 18 % em uma década, enquanto a produtividade aumentou 10 % [8].

Argumentos para usar menos

O limite foi rompido
A fixação humana, de cerca de 190 teragramas, equivale a aproximadamente o triplo do limite seguro de 62 [9].
A maior parte é desperdiçada
Apenas cerca de 40 % do nitrogênio aplicado chega à colheita no mundo [6].
O dano supera o ganho
Os danos do nitrogênio na Europa, de 70 bilhões a 320 bilhões de euros por ano, superam a renda agrícola que ele gera [22].
O custo climático está aumentando
As cadeias de suprimento de fertilizantes produzem 2,1 % das emissões globais de gases de efeito estufa [19].
A dependência do gás é um risco de segurança
Dois choques de preços em cinco anos atrelaram o custo dos alimentos à guerra e às rotas marítimas [32] [35].

A quarta disputa é sobre a velocidade. A decisão do Sri Lanka, em 2021, de proibir da noite para o dia os fertilizantes sintéticos é o exemplo que serve de advertência: segundo o Instituto Internacional de Gestão da Água (IWMI), as colheitas de arroz caíram 32 %, a produção de chá recuou 18 % e o país perdeu cerca de 425 milhões de dólares em exportações de chá ✓ Fato comprovado [31]. Os defensores de uma transição rápida argumentam que o Sri Lanka fracassou porque proibiu os insumos sem construir as alternativas, e não porque a redução seja impossível ⚖ Contestado [31]. Seus adversários argumentam que o episódio mostra quão pouca margem tem um sistema alimentar depois de construído em torno do nitrogênio sintético. Ambos os lados concordam num ponto: qualquer redução tem de vir primeiro da eficiência e só depois de cortes absolutos.

As disputas parecem diferentes conforme o lugar de onde são observadas. Na China, na Índia, nos Países Baixos e no Cinturão do Milho americano, as evidências apontam para um uso excessivo substancial, que poderia ser reduzido sem baixar a produtividade. Em boa parte da África Subsaariana, as evidências apontam para um uso insuficiente, que mantém a produtividade muito abaixo do potencial ◈ Evidências sólidas [29] [55]. Uma mensagem global única — use menos, ou use mais — não serve a nenhum dos dois grupos. A forma produtiva do debate é regional: onde o nitrogênio é abundante, eficiência e limites; onde é escasso, acesso e melhor manejo desde o início.

Uma última incerteza diz respeito à amônia de baixo carbono. A amônia feita com hidrogênio obtido por eletrólise alimentada por eletricidade renovável, ou a partir de gás com captura de carbono, reduziria as emissões das fábricas e afrouxaria o vínculo com os preços do gás. Mas a AIE informou em 2025 que o hidrogênio de baixas emissões ainda responde por menos de 1 % da oferta, e reduziu de 49 milhões para 37 milhões de toneladas sua projeção de produção de hidrogênio de baixas emissões para 2030, após uma onda de cancelamentos ✓ Fato comprovado [21] [57]. Mesmo uma fábrica totalmente limpa deixaria intactos os 58,6 % das emissões da cadeia de suprimento que ocorrem no campo ◈ Evidências sólidas [19]. Uma produção mais limpa é necessária, mas não resolve o vazamento que está no cerne do problema do nitrogênio.

08

O que as evidências nos dizem
O nitrogênio é uma falha de gestão antes de ser uma falha de oferta

O mundo não sofre de escassez de nitrogênio; sofre de um problema de eficiência no uso do nitrogênio que a dependência do gás tornou perigoso ◈ Evidências sólidas [6] [20]. As evidências sustentam aumentar a eficiência onde o uso é alto, ampliar o acesso onde ele é baixo e reduzir a exposição aos gargalos que definem o preço.

A primeira conclusão é que o Haber-Bosch não pode ser abandonado em nenhum horizonte de tempo realista. Algo entre 40 % e 50 % da população mundial depende dele ⚖ Contestado [3], a África Subsaariana precisa de mais nitrogênio, e não de menos ✓ Fato comprovado [29], e o único país que tentou abandonar os fertilizantes sintéticos da noite para o dia perdeu cerca de 32 % de sua colheita de arroz em uma safra ✓ Fato comprovado [31]. Qualquer política que trate o fertilizante nitrogenado simplesmente como um poluente a ser proibido interpreta mal as evidências. A questão não é se o nitrogênio sintético deve ser usado, mas quanto do que se produz chega de fato a uma lavoura.

A segunda conclusão é que o desperdício é a variável central. Com apenas cerca de 40 % do nitrogênio aplicado chegando à colheita ◈ Evidências sólidas [6] e a fixação humana em cerca de três vezes o limite planetário ✓ Fato comprovado [9], a distância entre o que se produz e o que se aproveita alimenta todos os danos a jusante: a zona morta média de 4.755 milhas quadradas no Golfo do México ✓ Fato comprovado [14], a participação de 74 % da agricultura nas emissões de óxido nitroso ✓ Fato comprovado [17], o nitrato nas águas subterrâneas da Alemanha a Iowa ✓ Fato comprovado [59] [25] e as mortes ligadas à amônia no ar americano ◈ Evidências sólidas [28]. Elevar a eficiência de cerca de 0,4 para 0,7, como propõem Zhang e colegas, reduziria todos esses danos de uma só vez ◈ Evidências sólidas [6].

A terceira conclusão é que a eficiência responde à fiscalização, não à exortação. O uso de fertilizantes na China caiu 12,8 % sob metas nacionais explícitas ✓ Fato comprovado [52], e sua eficiência melhorou enquanto a produtividade subia ◈ Evidências sólidas [8]. A Dinamarca negociou um preço para as emissões da pecuária e um fundo fundiário para aposentar terras agrícolas ✓ Fato comprovado [51]. Em contraste, o regime voluntário na bacia do Mississippi deixou a zona morta em mais do dobro de sua meta ✓ Fato comprovado [14], e o preço fixo da ureia na Índia continua a premiar o uso excessivo ◈ Evidências sólidas [60]. As políticas que funcionam tornam o desperdício caro para o agricultor que o gera, ou pagam diretamente aos agricultores para que desperdicem menos.

Ponha preço no vazamento, não na molécula

O custo da poluição por nitrogênio recai sobre os clientes das companhias de água, os pescadores, o clima e as pessoas que respiram ar poluído, enquanto o agricultor paga apenas pelo saco de fertilizante [22] [25] [28]. Políticas que taxam ou limitam o excedente de nitrogênio, e não o uso de nitrogênio, premiam a eficiência sem restringir a produção de alimentos. Elas também reduzem a exposição ao gás, que por duas vezes desde 2021 transformou o fertilizante em arma geopolítica.

A quarta conclusão é que o nitrogênio se tornou uma questão de segurança. Os choques de 2022 e 2026 mostraram que os preços da ureia podem saltar 80 % em semanas quando um fornecedor de gás entra em guerra ou um estreito se fecha ✓ Fato comprovado [32] [35]. As proibições de exportação da China ampliaram os dois episódios ✓ Fato comprovado [34] [45]. A resposta europeia — tarifas sobre o fornecimento russo, cobranças de carbono na fronteira e, em seguida, suspensões emergenciais para compensá-las — ilustra quão difícil é perseguir ao mesmo tempo metas de clima, segurança e acessibilidade ◈ Evidências sólidas [39] [41] [42]. Cada tonelada de nitrogênio que não precisa ser aplicada é uma tonelada que não precisa ser importada.

A quinta conclusão é que a peça que falta é a medição. A Declaração de Colombo fixou a meta de reduzir pela metade o desperdício de nitrogênio até 2030 ✓ Fato comprovado [23], mas não existe uma contabilidade internacional acordada do excedente de nitrogênio comparável aos inventários nacionais de gases de efeito estufa. Os países informam as vendas de fertilizantes e a produtividade das lavouras, mas raramente a diferença entre elas. Sem esse número, os governos não conseguem fixar metas, os agricultores não podem ser recompensados por cumpri-las e o público não consegue saber se a política está funcionando. A avaliação de 2026 da Diretiva Nitratos europeia concluiu que a lei continua necessária após 35 anos ✓ Fato comprovado [27]; o mesmo se poderia dizer da política do nitrogênio em geral.

Um século depois de o aparelho de Fritz Haber funcionar pela primeira vez durante cinco horas num laboratório, a reação que ele descobriu alimenta bilhões de pessoas e degrada a água, o ar e o clima dos quais elas dependem ✓ Fato comprovado [1] [2]. Nenhum dos dois fatos anula o outro. As evidências não sustentam o abandono do nitrogênio sintético, tampouco sustentam o status quo. Sustentam um objetivo mais estreito e mais exigente: fazer com que uma parcela muito maior do nitrogênio que o mundo já produz termine nos alimentos, e não nos rios, nos mares e no céu.

SRC

Primary Sources

All factual claims in this report are sourced to specific, verifiable publications. Projections are clearly distinguished from empirical findings.

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OsakaWire Intelligence. (2026, October 5). O nitrogênio alimenta metade do mundo e envenena o resto (2026). Retrieved from https://osakawire.com/pt/the-nitrogen-problem-the-fertilizer-that-feeds-half-the-world/
CHICAGO
OsakaWire Intelligence. "O nitrogênio alimenta metade do mundo e envenena o resto (2026)." OsakaWire. October 5, 2026. https://osakawire.com/pt/the-nitrogen-problem-the-fertilizer-that-feeds-half-the-world/
PLAIN
"O nitrogênio alimenta metade do mundo e envenena o resto (2026)" — OsakaWire Intelligence, 5 October 2026. osakawire.com/pt/the-nitrogen-problem-the-fertilizer-that-feeds-half-the-world/

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  <p>O nitrogênio sintético alimenta cerca de metade da humanidade, mas a maior parte vaza para a água e o ar. Uma auditoria do gás, das zonas mortas e do choque de preços de 2026.</p>
  <footer>— <cite><a href="https://osakawire.com/pt/the-nitrogen-problem-the-fertilizer-that-feeds-half-the-world/">OsakaWire Intelligence · O nitrogênio alimenta metade do mundo e envenena o resto (2026)</a></cite></footer>
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