INTELLIGENCE REPORT SERIES AUGUST 2026 OPEN ACCESS

SERIES: ECONOMIC INTELLIGENCE

A retirada das seguradoras — 1,9 milhão de casas sem apólice

Seguradoras deixaram de renovar 1,9 milhão de apólices residenciais nos EUA em seis anos. O plano de último recurso da Califórnia carrega US$ 768 bi de risco.

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Published31 August 2026
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Seguradoras deixaram de renovar 1,9 milhão de apólices residenciais nos EUA em seis anos. O plano de último recurso da Califórnia carrega US$ 768 bi de risco.

01

A retirada, medida
O contrato mais curto da habitação foi o primeiro a reprecificar o clima

Entre 2018 e 2023, as seguradoras norte-americanas deixaram de renovar as apólices de mais de 1,9 milhão de proprietários, contagem montada a partir de 23 companhias que cobrem cerca de dois terços do mercado e 249 milhões de registros de apólices✓ Fato comprovado [4]. Em 2024, o Oeste registrava 25,1 não renovações por 1.000 apólices e o Sudeste, 22,0, contra 11,7 no Nordeste✓ Fato comprovado [2]. Não se trata de uma previsão para a década de 2050, e sim do registro contábil dos últimos oito anos.

A apólice residencial é o contrato de prazo mais curto atrelado ao ativo de prazo mais longo que a maioria das famílias possui. Ela é reprecificada ou cancelada a cada doze meses, ao passo que o imóvel por trás dela tem vida útil medida em décadas e financiamento medido em trinta anos. É esse descasamento de prazos que fez do seguro o primeiro mercado financeiro a marcar a preço de mercado o risco climático físico. O Federal Insurance Office do Tesouro norte-americano reuniu dados por código postal de mais de 330 seguradoras, referentes a mais de 246 milhões de apólices entre 2018 e 2022, e constatou que as taxas de não renovação nas áreas de maior risco superavam em cerca de 80 % as das áreas de menor risco✓ Fato comprovado [1].

O mesmo conjunto de dados precificou a diferença. As famílias do quinto de códigos postais com as maiores perdas anuais esperadas por ameaças climáticas pagavam, em média, 2.321 dólares por ano, 82 % a mais do que as do quinto de menor risco✓ Fato comprovado [1]. Antes de janeiro de 2025 não existia nenhuma coleta nacional desse tipo em escala de código postal, razão pela qual um debate de uma década se alimentou de anedotas✓ Fato comprovado [1]. A primeira constatação estabelecida pelos dados é que a retirada possui uma geografia, e que essa geografia acompanha os mapas de ameaça◈ Evidências sólidas [56].

A análise regional da National Association of Insurance Commissioners, divulgada em 31 de julho de 2026, acompanhou o que as seguradoras fizeram, e não o que anunciaram. No Nordeste, as não renovações passaram de 6,2 por 1.000 apólices em 2022 para 11,7 em 2024, alta de 147 % ante a base de 2018✓ Fato comprovado [2]. Das 263 seguradoras que subscreveram ininterruptamente na região entre 2018 e 2024, 141 — 54 % delas — reduziram suas carteiras, em média 38,7 %✓ Fato comprovado [2]. Cinquenta e seis companhias entraram no mercado no período e sessenta e uma saíram✓ Fato comprovado [2].

1,9 mi
Apólices residenciais não renovadas nos EUA, 2018-2023
Comitê de Orçamento do Senado dos EUA, 2024 · ✓ Fato comprovado
25,1
Não renovações por 1.000 apólices no Oeste, 2024
NAIC, 2026 · ✓ Fato comprovado
US$ 768 bi
Exposição carregada pelo FAIR Plan da Califórnia, junho de 2026
California FAIR Plan, 2026 · ✓ Fato comprovado
US$ 424 bi
Perdas por catástrofes naturais sem seguro no mundo, 2025
Swiss Re Institute, 2026 · ✓ Fato comprovado

É na Califórnia que a aritmética se torna mais visível. O FAIR Plan — a seguradora de último recurso do estado, criada para cobrir aquilo que nenhuma companhia autorizada aceita subscrever — mantinha 696.562 apólices em junho de 2026, alta de 8 % em nove meses e de 157 % desde setembro de 2022✓ Fato comprovado [8]. Sua exposição total alcançou 768 bilhões de dólares, aumento de 250 % nos mesmos quatro anos✓ Fato comprovado [8]. Um mecanismo concebido como residual tornou-se uma das maiores concentrações de risco imobiliário dos Estados Unidos, e ninguém a escolheu.

O mesmo instrumento se deteriora em outros lugares sob nomes distintos. As catástrofes naturais provocaram 107 bilhões de dólares em perdas seguradas ao longo de 190 eventos em 2025✓ Fato comprovado [18]. Incêndios florestais, tempestades e inundações responderam por 92 % desse total, participação recorde para essas três ameaças✓ Fato comprovado [20]. As perdas sem cobertura subiram mais de 7 %, chegando a 424 bilhões de dólares; só na América do Norte, a diferença entre perda econômica e perda segurada ampliou-se 6 %, atingindo 140 bilhões, contra ampliação de 11 % até 90 bilhões na Europa, no Oriente Médio e na África✓ Fato comprovado [21] [19].

✓ Fato comprovado As seguradoras se retiram mais depressa exatamente onde a perda climática modelada é maior

A análise por código postal do Tesouro encontrou taxas de não renovação cerca de 80 % superiores no quinto de maior risco em relação ao de menor risco, com prêmios 82 % mais altos nas mesmas localidades✓ Fato comprovado [1]. Os dados regionais da NAIC reproduzem o gradiente em resolução mais grosseira: 25,1 não renovações por 1.000 apólices no Oeste e 22,0 no Sudeste, contra 11,7 no Nordeste em 2024✓ Fato comprovado [2]. A retirada acompanha a ameaça modelada, não a inflação geral de custos◈ Evidências sólidas [30].

Este relatório examina o que acontece com um mercado imobiliário quando o contrato anual que o sustenta é reprecificado ou retirado. A resposta percorre quatro canais hoje mensuráveis separadamente: o prêmio, o mercado residual, o financiamento imobiliário e a avaliação. Cada um gerou evidências publicadas desde 2024, e essas evidências são mais precisas do que admite qualquer um dos lados do debate público. O que nenhum deles produziu foi uma resposta de política que trate da exposição, e não do sinal de preço que a revelou◈ Evidências sólidas [53].

02

O que os atuários reprecificaram
Os modelos deixaram de supor que o passado servia de guia

Os modelos de catástrofe em uso comercial ao longo da década de 2010 foram construídos entre 2005 e 2015 sobre históricos de ameaça que iam aproximadamente de 1960 a 2005, e supunham que a frequência e a severidade dos eventos fossem estacionárias◈ Evidências sólidas [41]. Essa premissa foi abandonada. O que se seguiu não foi pânico quanto ao futuro, mas revisão da perda esperada para o ano seguinte — e o prêmio é um instrumento de doze meses✓ Fato comprovado [42].

Um prêmio é uma previsão com dinheiro por trás. Ele se decompõe em três elementos: a perda esperada gerada por um modelo de catástrofe, as despesas da seguradora e o custo do capital retido contra a cauda da distribuição. Os reguladores tratam o primeiro como insumo técnico e o terceiro como preço de mercado, e ambos se moveram fortemente entre 2022 e 2026✓ Fato comprovado [42]. Compreender a retirada exige separá-los, porque avançam em relógios distintos e se invertem por razões distintas.

A composição das ameaças mudou primeiro. Desde 2020, as perdas por tempestades convectivas severas — granizo, rajadas descendentes e tornados — superam as de furacões nos Estados Unidos, e uma única chuva de granizo já produz danos segurados comparáveis aos de um furacão de categoria 4 em terra◈ Evidências sólidas [41]. A Swiss Re calculou em 51 bilhões de dólares as perdas por tempestades convectivas severas em 2025✓ Fato comprovado [18]. O incêndio florestal é a ameaça de crescimento mais rápido, com perdas seguradas avançando cerca de 12 % ao ano◈ Evidências sólidas [19].

Ambas eram historicamente classificadas como ameaças secundárias e recebiam tratamento superficial nos modelos, porque estes haviam sido calibrados sobre os eventos que dominaram o registro do século XX◈ Evidências sólidas [41]. Desde então, os reguladores construíram seus próprios arcabouços de governança de modelos, e os conselhos dos mercados residuais passaram a votar explicitamente a ponderação de cada modelo comercial✓ Fato comprovado [42]. A Texas Windstorm Insurance Association aprovou nessa base novas ponderações e fixou uma perda máxima provável de período de retorno de cinquenta anos em 4,3 bilhões de dólares para a temporada de 2026✓ Fato comprovado [45].

◈ Evidências sólidas A reprecificação decorre de uma mudança de modelo, não de uma mudança de humor

Os modelos de catástrofe foram calibrados sobre registros de ameaça de 1960 a 2005 e tratavam a frequência como estacionária, enquanto as ameaças que hoje conduzem as perdas — incêndio florestal e tempestade convectiva severa — eram classificadas como secundárias e modeladas de forma superficial◈ Evidências sólidas [41]. Reguladores e conselhos de mercados residuais definem agora as ponderações por votação formal, como fez a Texas Windstorm Insurance Association ao estabelecer perda máxima provável de 4,3 bilhões de dólares para 2026✓ Fato comprovado [45]. Quando o modelo muda, o prêmio muda na renovação seguinte, coopere ou não a meteorologia daquele ano◈ Evidências sólidas [42].

O segundo insumo é o custo do capital, e ele obedece a um ciclo de mercado, não a um ciclo climático. Depois do mercado duro de 2023, as renovações de janeiro de 2026 produziram o que a Guy Carpenter chamou de abrandamento acelerado: seu índice global de taxas de resseguro de catástrofe recuou 12 %, com Estados Unidos e Ásia-Pacífico também em queda de 12 % e a Europa em 15 %✓ Fato comprovado [16]. A Howden Re mediu recuo de 14,7 % no resseguro de catástrofe e de 16,5 % na retrocessão na mesma renovação✓ Fato comprovado [17].

É aqui que a maior parte dos comentários lê o dado ao contrário. Um resseguro mais barato reduz o preço de transferir risco; não reduz o risco. As quedas foram atribuídas ao excesso de capital e ao apetite dos investidores por títulos vinculados a seguros, não a qualquer reavaliação da ameaça✓ Fato comprovado [17]. No mesmo período, a lacuna de proteção medida pela Swiss Re ampliou-se em vez de encolher✓ Fato comprovado [19] [21]. Resseguro barato e cauda descoberta em expansão não são achados contraditórios: são o mesmo mercado observado em duas camadas diferentes.

Uma casa que não pode ser segurada não pode ser hipotecada. Nenhum banco concederá financiamento sobre um imóvel insegurável. Os mercados de crédito congelam.

— Günther Thallinger, membro da diretoria executiva da Allianz SE, março de 2025

O argumento de Thallinger é estrutural, não retórico, e especifica uma sequência: o seguro se retira, o crédito imobiliário vem atrás e a avaliação se ajusta por último◈ Evidências sólidas [43]. É também verificável, o que é incomum em advertências desse tipo. Cada etapa foi desde então examinada separadamente nos microdados, com registros administrativos em vez de projeções. Os resultados são mais matizados que a advertência e mais alarmantes que a réplica do setor.

O restante deste relatório segue essa sequência na ordem: o que as evidências mostram sobre a transmissão, o que as famílias efetivamente pagam, o que o Estado absorveu quando o capital privado se retirou e o que os governos fizeram em resposta. A distinção que importa do início ao fim separa as medidas que alteram o preço do risco daquelas que alteram o risco◈ Evidências sólidas [51].

03

As evidências nos microdados
Seguradoras frágeis, execuções hipotecárias e uma reprecificação de 11 %

Os trabalhos mais sólidos sobre a retirada das seguradoras não usam projeções. Recorrem a registros regulatórios, bases de crédito e dados administrativos por código postal para reconstituir o que ocorreu depois da saída das companhias◈ Evidências sólidas [24]. A conclusão é que a transmissão do seguro para o crédito e daí para o preço da moradia é real, mensurável e mais estreita do que sugere a retórica dos dois lados◈ Evidências sólidas [26].

Parinitha Sastry, Ishita Sen e Ana-Maria Tenekedjieva produziram o estudo de referência, divulgado em dezembro de 2023 e premiado com o Marshall Blume Prize de 2025. Ele encadeia, numa única corrente, o custo dos eventos extremos, a fuga das seguradoras, sua insolvência e a inadimplência hipotecária✓ Fato comprovado [24]. A tese central sustenta que a precificação equivocada do risco climático, tanto no seguro patrimonial quanto no crédito imobiliário, gera exposição enorme para o contribuinte e empurra crédito excedente para as áreas mais arriscadas◈ Evidências sólidas [24].

O mecanismo que identificam é institucional, não meteorológico. Seguradoras financeiramente frágeis, reguladas em âmbito estadual, assumiram participação desproporcional nos estados de maior risco, e uma precificação equivocada severa ou persistente as empurrou para prejuízos e insolvência, provocando saída ou encolhimento◈ Evidências sólidas [25]. Os credores reagiram às lacunas de cobertura resultantes vendendo os financiamentos afetados a Fannie Mae e Freddie Mac, o que transfere o risco residual ao balanço federal◈ Evidências sólidas [49]. A retirada não termina na seguradora.

Trabalhos da Stern School, da Universidade de Nova York, e da Universidade da Colúmbia Britânica avançam para o elo seguinte. As não renovações iniciadas pela seguradora associam-se a taxas mais altas de execução hipotecária, queda no valor dos imóveis, gasto varejista mais fraco e recuo da propriedade residencial nas áreas atingidas◈ Evidências sólidas [28]. O efeito não é um colapso imobiliário, e sim um freio local persistente que se acumula. O que o torna relevante é que o gatilho é administrativo — uma carta da companhia — e não um evento físico◈ Evidências sólidas [28].

◈ Evidências sólidas A retirada das seguradoras se transmite ao crédito e à moradia, não apenas aos prêmios

As não renovações decididas pelas seguradoras associam-se a taxas mais altas de execução hipotecária, menor valor dos imóveis, gasto varejista mais fraco e queda da propriedade residencial nas áreas atingidas◈ Evidências sólidas [28]. O estudo de origem vincula perdas climáticas à fragilidade das seguradoras e, em seguida, à inadimplência hipotecária, e constata que os credores repassam a exposição resultante às agências semipúblicas◈ Evidências sólidas [24] [49]. O caminho de uma apólice cancelada até um empréstimo inadimplente é curto e já está documentado em escala de crédito individual◈ Evidências sólidas [25].

O canal da avaliação fornece o número mais nítido. A pesquisa sintetizada pelo National Bureau of Economic Research encontra queda relativa de cerca de 11 % nos preços dos imóveis em códigos postais simultaneamente muito expostos ao risco crescente e situados no decil superior de exposição a catástrofes◈ Evidências sólidas [26]. Trata-se de uma reprecificação do ativo que incorpora o custo corrente de segurá-lo, e ela ocorre sem que nenhum sinistro aconteça◈ Evidências sólidas [27]. O seguro é a correia de transmissão; a perda é lançada na escritura.

A estimativa prospectiva é maior e mais contestada. A décima segunda avaliação nacional de risco da First Street projeta 1,47 trilhão de dólares de perda líquida de valor imobiliário até 2055, distribuída por 70.026 setores censitários — 84 % do país —, impulsionada por custos de seguro e deslocamento de demanda, e não por destruição física◈ Evidências sólidas [22]. Projeta ainda prêmios médios 29,4 % maiores em termos reais no mesmo período e mais de 55 milhões de norte-americanos migrando para áreas menos expostas◈ Evidências sólidas [23].

Subprecificado, não superprecificado

O número de maior consequência no trabalho da First Street é uma decomposição, não um total. Da alta real de 29,4 % nos prêmios projetada até 2055, 18,4 pontos percentuais corrigem uma subprecificação atual e apenas 11 pontos refletem o agravamento da ameaça◈ Evidências sólidas [22]. Por essa contabilidade, a maior parte do aumento que hoje alcança as famílias não é o futuro chegando antes da hora: é o passado sendo liquidado◈ Evidências sólidas [23]. A constatação desagrada igualmente a reguladores e a entidades de defesa do consumidor, porque implica que o preço não foi o que deu errado.

As evidências em nível domiciliar são coerentes com tudo isso e pouco espetaculares. Os dados hipotecários da ICE mostram pagamentos anuais médios de seguro patrimonial subindo 6,6 %, ou 149 dólares, em 2025, até máxima histórica — ainda que no ritmo mais lento desde 2020✓ Fato comprovado [48]. Mais útil ainda, medem a transmissão diretamente: a cada ponto percentual de despesa habitacional deslocado para o seguro, a taxa de contratos fora de dia avançou cerca de 0,14 ponto em todos os quintis de escore de crédito◈ Evidências sólidas [48].

Em conjunto, os microdados sustentam uma tese mais estreita que as manchetes e mais firme que as réplicas. A retirada das seguradoras não derruba os mercados de moradia. Ela aplica um freio persistente e geograficamente concentrado sobre valores, desempenho do crédito e consumo local, e o faz por meio de um contrato que pode ser retirado num único ciclo de renovação◈ Evidências sólidas [26] [28].

04

O livro-razão das famílias
Quem paga, quem desiste e quem nunca esteve coberto

Na Austrália, o número de domicílios sob pressão de acessibilidade no seguro residencial — aqueles que destinam mais de quatro semanas de renda bruta à cobertura — cresceu 30 % em um ano, chegando a 1,61 milhão, ou 15 % do total✓ Fato comprovado [31]. Os prêmios médios subiram 28 %, alcançando 1.894 dólares australianos, e cerca de 50 % nos imóveis de maior risco✓ Fato comprovado [32]. O país não tem mercado residual movido a incêndios nem uma Proposition 103. Tem a mesma aritmética.

Os dados australianos formam a série de acessibilidade mais granular publicada por qualquer país, o que justifica lê-los de perto. Os domicílios sob pressão destinam, em média, 9,6 semanas de renda bruta ao seguro residencial, sete vezes o que destinam os demais✓ Fato comprovado [31]. A cheia fluvial é o principal fator isolado: para 171.000 domicílios, apenas o risco de inundação responde por mais da metade do prêmio✓ Fato comprovado [32]. A pressão de acessibilidade não se espalha de modo difuso; concentra-se em uma ameaça.

A série norte-americana é mais grosseira, mas aponta na mesma direção. A Insurify registrou prêmio anual médio de 2.948 dólares ao fim de 2025 e projeta 3.057 dólares até dezembro de 2026, quinto ano consecutivo de alta◈ Evidências sólidas [47]. O que chama atenção são os movimentos estaduais de 2025: Minnesota com alta de 34 %, a 3.530 dólares; Colorado com 33 %, a 3.996 dólares; Iowa com 28 %, a 2.802 dólares✓ Fato comprovado [47]. Nenhum desses estados é litorâneo, e nenhum deles está onde a conversa pública se instalou.

O padrão distributivo é contraintuitivo e importa para a política pública. A análise da Brookings sobre os dados do Tesouro situa os maiores aumentos em valores absolutos entre 2018 e 2022 nos códigos postais abastados e adaptáveis — 204 dólares, ou 10,66 % — contra 54 dólares tanto nos vulneráveis quanto nos de baixo risco, sobre média nacional de 104 dólares, ou 6,75 %✓ Fato comprovado [30]. A carga absoluta recaiu sobre os territórios mais ricos; a relativa, sobre os mais pobres, onde 54 dólares a mais consomem fatia de renda muito maior◈ Evidências sólidas [30].

1,61 mi
Domicílios australianos sob pressão de acessibilidade no seguro residencial
Actuaries Institute, 2024 · ✓ Fato comprovado
9,6 sem.
Renda bruta destinada à cobertura pelos domicílios sob pressão
Actuaries Institute, 2024 · ✓ Fato comprovado
< 1 %
Imóveis do condado de Buncombe com seguro federal contra inundação
CoreLogic, 2024 · ✓ Fato comprovado
US$ 3.057
Prêmio médio projetado do seguro residencial nos EUA, dezembro de 2026
Insurify, 2026 · ◈ Evidências sólidas

A segunda reação das famílias ao preço é a saída, e os Estados Unidos conduziram um experimento nacional a respeito. O Risk Rating 2.0 da FEMA, introduzido em 2021, levou o programa federal de seguro contra inundação a uma precificação de risco por imóvel; 77 % dos segurados viram aumento já no primeiro ano✓ Fato comprovado [37]. A contratação de novas apólices caiu em seguida entre 11 % e 39 %, e as renovações entre 5 % e 13 %, conforme a magnitude do aumento, com as maiores perdas de cobertura nas comunidades de renda mais baixa◈ Evidências sólidas [38].

O furacão Helene mostrou como isso se apresenta quando a água chega. No condado de Buncombe, na Carolina do Norte, onde mais de cinquenta pessoas morreram nas enchentes, menos de 1 % dos imóveis dispunha de seguro federal contra inundação✓ Fato comprovado [39]. A CoreLogic estimou entre 20 e 30 bilhões de dólares em perdas por inundação sem cobertura, contra 10,5 a 17,5 bilhões em perdas seguradas por vento e inundação, incluído o programa federal✓ Fato comprovado [40]. O montante descoberto correspondia a cerca do dobro do segurado, num estado que ninguém havia classificado como de alto risco.

É improvável que a instabilidade do mercado de seguros afete todas as comunidades da mesma forma.

— Manann Donoghoe, Brookings Institution, abril de 2026

Essa desigualdade tem forma demográfica no Sul dos Estados Unidos. Moradores negros representam 28,8 % da população dos códigos postais vulneráveis em estados como Louisiana, Flórida, Carolina do Sul e Mississippi, contra cerca de 10 % nos adaptáveis✓ Fato comprovado [30]. A relação entre carga do prêmio e composição do bairro se intensifica acima de um limiar de 20 %◈ Evidências sólidas [30]. Onde a capacidade de adaptação é menor, o mesmo aumento em dólares causa o maior estrago, e a cobertura perdida é a mais difícil de repor◈ Evidências sólidas [56].

Os sem seguro são o número maior

Na Europa, apenas cerca de um quarto das perdas por eventos extremos esteve segurado entre 1980 e 2024, e o Eurobarômetro de 2025 da EIOPA apurou que somente 17 % dos entrevistados mantêm cobertura para danos patrimoniais por catástrofe natural✓ Fato comprovado [35]. Nas economias emergentes, de 80 % a 90 % das perdas catastróficas costumam ficar descobertas✓ Fato comprovado [19]. A retirada das seguradoras é uma crise visível na pequena parte do mundo que tinha cobertura; em todo o resto, essas mesmas perdas sempre foram absorvidas por famílias e orçamentos públicos◈ Evidências sólidas [36].

O livro-razão das famílias tem, portanto, duas colunas que se comportam de modo diferente. Onde a cobertura existe e é obrigatória — atrelada a um financiamento —, o ajuste aparece como preço. Onde é facultativa, aparece como perda de cobertura, e essa perda se concentra nas famílias menos capazes de se autossegurar◈ Evidências sólidas [38] [58]. A primeira coluna é politicamente visível. É na segunda que está a maior parte do dinheiro✓ Fato comprovado [21].

05

O Estado vira seguradora
Mercados residuais, rateios e a socialização da cauda

Quando as companhias privadas se retiram, o risco não desaparece: migra para uma entidade estatal sem a faculdade de recusá-lo. O FAIR Plan da Califórnia carrega hoje 768 bilhões de dólares de exposição✓ Fato comprovado [8]. Em fevereiro de 2025, aplicou um rateio de 1 bilhão de dólares sobre suas seguradoras associadas, metade do qual o comissário de seguros autorizou repassar aos segurados de todo o estado✓ Fato comprovado [9].

O mercado residual é a válvula que torna a retirada politicamente suportável, e funciona convertendo um risco precificado em obrigação não precificada. O incêndio de Los Angeles em janeiro de 2025 o testou. A UCLA Anderson calculou as perdas seguradas totais em até 44,5 bilhões de dólares, dos quais 4,8 bilhões correspondiam apenas ao FAIR Plan✓ Fato comprovado [10]. As perdas econômicas foram estimadas entre 76 e 131 bilhões — diferença de aproximadamente dois para um em relação ao que estava segurado◈ Evidências sólidas [10].

A resposta tarifária foi imediata e restringida. A State Farm obteve, em maio de 2025, aumento provisório de emergência de 17 % nas apólices residenciais da Califórnia, após pedir inicialmente 22 %, com 15 % em inquilinos e condomínios e 38 % em apólices de locadores✓ Fato comprovado [11]. Em contrapartida, a companhia comprometeu-se a um aporte de 400 milhões de dólares da controladora e à suspensão de parte das não renovações✓ Fato comprovado [11]. Em março de 2026, um acordo tripartite manteve os 17 %, mas reduziu o aumento em condomínios para 5,8 %, com devoluções retroativas a junho de 2025✓ Fato comprovado [12].

O Texas exibe a mesma migração sem a narrativa dos incêndios. A Texas Windstorm Insurance Association mantinha 286.251 apólices e 127,1 bilhões de dólares de exposição no primeiro trimestre de 2026, depois de somar mais de 50.000 apólices em dois anos, com exposição em alta de cerca de 19 % em 2024 e 11 % em 2025✓ Fato comprovado [44]. Ela subscreve hoje 53 % da cobertura residencial de vento e granizo em sua área designada, contra 47 % de todo o mercado privado✓ Fato comprovado [44].

1968
Criam-se os FAIR Plans norte-americanos — Legislação federal institui os planos de acesso equitativo ao seguro como mercados residuais estaduais para bens que nenhuma companhia autorizada aceita subscrever, estrutura ainda em uso✓ Fato comprovado [8].
1982
A França ergue o regime CatNat — Uma extensão obrigatória de catástrofes naturais passa a acompanhar toda apólice patrimonial, financiada por sobretaxa fixa e respaldada por ressegurador público, o que torna a cobertura universal por lei✓ Fato comprovado [33].
2002
A Louisiana consolida seu mercado residual — O estado funde suas seguradoras residuais em uma única corporação com poder de rateio, modelo depois submetido às temporadas de furacões de 2020 e 2021✓ Fato comprovado [46].
2021
A FEMA introduz o Risk Rating 2.0 — O programa federal de seguro contra inundação migra para precificação de risco por imóvel; 77 % dos segurados veem aumento no primeiro ano e a contratação começa a recuar✓ Fato comprovado [37].
2022
O FAIR Plan da Califórnia inicia a escalada — Número de apólices e exposição começam a subida que chegará a 696.562 apólices e 768 bilhões de dólares em junho de 2026, altas de 157 % e 250 %✓ Fato comprovado [8].
2023
Chega o mercado duro de resseguro — As taxas de resseguro de catástrofe atingem o pico, as companhias recuam na Califórnia e na Flórida, e a Florida Citizens alcança 1,42 milhão de apólices em outubro✓ Fato comprovado [14] [16].
2024
Helene expõe a lacuna do interior — Menos de 1 % dos imóveis do condado de Buncombe, na Carolina do Norte, possui cobertura federal contra inundação; as perdas descobertas são estimadas entre 20 e 30 bilhões de dólares. O Comitê de Orçamento do Senado divulga dados de não renovação por condado nos cinquenta estados✓ Fato comprovado [39] [4].
2025
Incêndio, rateio e sobretaxa — As perdas seguradas de Los Angeles chegam a 44,5 bilhões de dólares; o FAIR Plan cobra 1 bilhão de seus associados; a França eleva a sobretaxa CatNat de 12 % para 20 % em 1º de janeiro✓ Fato comprovado [10] [9] [33].
2026
O resseguro barateia enquanto a exposição cresce — As renovações de janeiro caem 12 % no mundo e 15 % na Europa; a Florida Citizens fica abaixo de 392.000 apólices; a exposição do FAIR Plan alcança 768 bilhões de dólares✓ Fato comprovado [16] [14] [8].
2027
O primeiro conjunto de dados nacional completo — A coleta de 2026 da NAIC, referente aos exercícios de 2018 a 2025 em escala de código postal para seguradoras com pelo menos 50.000 dólares de prêmio relevante, deve resultar em relatório público✓ Fato comprovado [3].

A Flórida é o contraexemplo, e é a evidência mais forte contra uma leitura puramente climática da retirada. A Citizens Property Insurance mantinha 1,42 milhão de apólices no pico de outubro de 2023 e 936.182 no início de 2025; ao fim de janeiro de 2026 estava abaixo de 392.000, queda de 73 % e o menor patamar de sua história✓ Fato comprovado [14]. O programa de despovoamento transferiu mais de 546.000 apólices para seguradoras privadas somente em 2025✓ Fato comprovado [14].

O fundo estatal deixou de ser a maior seguradora patrimonial da Flórida e, em dezembro de 2025, a Citizens recomendou redução de tarifas para a maioria dos segurados✓ Fato comprovado [13]. A companhia prevê custos menores de resseguro em 2026, apoiada na redução de exposição e no abrandamento do mercado✓ Fato comprovado [15]. A Louisiana seguiu o mesmo caminho em escala menor: a carteira residual caiu quase 20 % desde o pico de 2022, para cerca de 114.000 apólices; os aumentos de prêmio estão praticamente estáveis em 2026, após 4,6 % em 2025; e três novas companhias foram licenciadas nos quatro primeiros meses do ano✓ Fato comprovado [46].

✓ Fato comprovado Mercados residuais podem encolher quando o Estado muda as regras, não o clima

A Florida Citizens passou de 1,42 milhão de apólices em outubro de 2023 para menos de 392.000 ao fim de janeiro de 2026, redução de 73 % obtida depois que a reforma do contencioso e a suficiência tarifária permitiram o retorno das seguradoras privadas✓ Fato comprovado [14]. A carteira residual da Louisiana caiu quase 20 % desde o pico de 2022, com quatorze companhias licenciadas em 2024 e 2025 e mais três no início de 2026✓ Fato comprovado [46]. A exposição a furacões não diminuiu em nenhum dos dois estados. Mudou o ambiente jurídico e tarifário em que se pedia ao capital privado que a carregasse◈ Evidências sólidas [15].

A França representa a alternativa integralmente socializada e revela seu próprio custo. Em 1º de janeiro de 2025, a sobretaxa obrigatória CatNat acoplada a toda apólice patrimonial subiu de 12 % para 20 %, e a equivalente em automóveis, de 6 % para 9 % — a maior alteração do regime em mais de vinte e cinco anos✓ Fato comprovado [33]. O sistema acumulava déficit de 1,9 bilhão de euros desde 2015 e enfrenta necessidade de financiamento projetada de ao menos 420 milhões de euros anuais até 2050✓ Fato comprovado [33] [34].

O desenho francês compra universalidade e a paga apagando o sinal. Como a sobretaxa é fixa e legal, um domicílio em planície de inundação e outro em terreno alto recolhem a mesma alíquota, o que é equitativo no ano da cheia e inflacionário em todos os demais◈ Evidências sólidas [34]. O regime não pode recusar um risco nem precificá-lo, e precisou elevar a contribuição de todos em dois terços para permanecer solvente✓ Fato comprovado [33].

06

O que os governos fizeram
Cinco respostas, ordenadas pelo que de fato alteram

As respostas públicas à retirada se agrupam em cinco famílias: comprimir o preço, socializar a cauda, subsidiar a demanda, endurecer o ativo ou deslocar o ativo◈ Evidências sólidas [53]. Apenas as duas últimas alteram a perda esperada. São também as que menos recursos receberam em todas as jurisdições examinadas aqui◈ Evidências sólidas [51] [52].

A compressão de preços é o instrumento mais antigo e o fracasso mais bem documentado. O regime de aprovação prévia derivado da Proposition 103, na Califórnia, historicamente proibia as seguradoras de empregar modelos prospectivos de catástrofe ou o custo líquido do resseguro na formação de tarifas, o que manteve os preços aprovados abaixo da perda esperada modelada◈ Evidências sólidas [55]. A consequência não foi seguro mais barato, e sim menos seguro; análises posteriores aos incêndios de 2025 advertiram que insolvências e novas retiradas eram o passo seguinte plausível◈ Evidências sólidas [55].

A Sustainable Insurance Strategy adotada em resposta é uma troca explícita. As companhias ganham o direito de usar modelos de catástrofe e de repassar o custo líquido do resseguro; em contrapartida, comprometem-se a subscrever em áreas deprimidas e de alto risco✓ Fato comprovado [11]. O acordo com a State Farm é essa troca em miniatura: alta de 17 % e suspensão de parte das não renovações, financiadas em parte por aporte de 400 milhões de dólares da controladora✓ Fato comprovado [11] [12]. Resta saber se os compromissos sobreviverão à próxima temporada de incêndios.

Socializar a cauda é a segunda família e a mais difundida. Funciona até chegar o rateio: a cobrança de 1 bilhão de dólares do FAIR Plan em 2025 foi parcialmente repassada a segurados de toda a Califórnia, inclusive aos que nunca estiveram perto de um incêndio✓ Fato comprovado [9]. A Europa desenha uma versão ampliada da mesma ideia, com a EIOPA e o Banco Central Europeu propondo um esquema de resseguro público-privado para estreitar uma lacuna em que apenas cerca de um quarto das perdas extremas foi segurado desde 1980✓ Fato comprovado [36] [35].

Abordagem públicaRisco estruturalAvaliação
Compressão tarifária em regimes de aprovação prévia
Crítico
Manter tarifas aprovadas abaixo da perda esperada modelada não reduz essa perda; muda quem está disposto a subscrever a apólice◈ Evidências sólidas [55]. A exclusão californiana dos modelos de catástrofe e do custo líquido do resseguro coincidiu com a maior retirada de seguradoras da história do estado◈ Evidências sólidas [55].
Crescimento do mercado residual sem limite de exposição
Crítico
A exposição do FAIR Plan cresceu 250 % em menos de quatro anos, até 768 bilhões de dólares, e seu primeiro rateio bilionário foi parcialmente repassado a segurados de todo o estado✓ Fato comprovado [8] [9]. O fundo não pode recusar um risco nem reprecificá-lo◈ Evidências sólidas [52].
Dependência de resseguro barato
Alto
As renovações de janeiro de 2026 caíram de 12 % a 15 % por excesso de capital e apetite por títulos vinculados a seguros, não por reavaliação da ameaça✓ Fato comprovado [16] [17]. Ciclos de capital se invertem bem mais depressa do que a exposição◈ Evidências sólidas [19].
Subsídio à demanda sem exigência de mitigação
Alto
O apoio ao prêmio mantém a cobertura acessível, mas preserva a ocupação da zona de ameaça, e a evidência indica que a precificação do seguro, sozinha, não afasta a construção de terrenos expostos a incêndios◈ Evidências sólidas [50].
Normas de mitigação e endurecimento construtivo
Médio
Construir segundo a norma IBHS Wildfire Prepared restaura de forma mensurável a disponibilidade: um imóvel reconstruído em Paradise, na Califórnia, pode ser segurado por cerca de 2.000 dólares, contra aproximadamente 8.000 pelo FAIR Plan◈ Evidências sólidas [54] [50]. A restrição é de alcance e financiamento, não de eficácia.

A quarta família é a única com efeito demonstrado sobre a perda em si. A norma Wildfire Prepared Home, do Insurance Institute for Business and Home Safety, mira três pontos de falha: o telhado, determinados elementos construtivos e a faixa de zero a um metro e meio ao redor da edificação✓ Fato comprovado [54]. Onde comunidades reconstruíram segundo ela, a capacidade privada voltou: um imóvel de Paradise, na Califórnia, erguido conforme o padrão obtém cobertura por cerca de 2.000 dólares, ao passo que o FAIR Plan cobraria aproximadamente 8.000◈ Evidências sólidas [50].

A quinta família é a realocação, a menos financiada em relação à exposição que enfrenta. As recompras voluntárias da FEMA cobrem 75 % do custo de aquisição, com 25 % a cargo do governo local, não podem recorrer à desapropriação e são cronicamente lentas✓ Fato comprovado [52]. Como a contrapartida local é condição prévia, as recompras se concentram em municípios capazes de arcar com ela, que não são aqueles em que a necessidade é maior◈ Evidências sólidas [53]. A doutrina jurídica já descreve o próprio seguro público como a alavanca mais plausível para um recuo parcialmente planejado◈ Evidências sólidas [52].

O que se regula é o sinal

Em todas as jurisdições examinadas aqui, a resposta dominante consistiu em atuar sobre o preço, e não sobre a exposição◈ Evidências sólidas [53]. A França elevou em dois terços uma sobretaxa obrigatória; a Califórnia comprimiu tarifas por três décadas e depois trocou acesso a modelos por compromissos de subscrição; a Flórida reescreveu suas regras processuais; a União Europeia desenha um respaldo público de resseguro✓ Fato comprovado [33] [11] [14] [36]. Apenas as normas de mitigação e a realocação alteram a perda esperada, e seguem sendo as duas menores rubricas◈ Evidências sólidas [51] [52].

O programa federal de seguro contra inundação é o experimento natural sobre o que ocorre quando um governo faz o contrário e deixa o preço passar. O Risk Rating 2.0 melhorou a exatidão do sinal e reduziu a cobertura: as novas apólices caíram de 11 % a 39 % e as renovações de 5 % a 13 %, com as perdas mais agudas entre as famílias de renda mais baixa◈ Evidências sólidas [38] [37]. Precificação exata e cobertura universal não são alcançáveis ao mesmo tempo sem um subsídio explicitamente nomeado como tal◈ Evidências sólidas [51].

Essa é a troca que todo regulador deste relatório realiza, em geral sem enunciá-la. Um preço que reflete o risco encolhe a carteira. Um preço que não o reflete encolhe o número de companhias. A única saída consiste em alterar o risco, o que exige investimento em edificações e uso do solo, e não em prêmios◈ Evidências sólidas [51] [54].

07

A discussão que não vai se resolver
Duas leituras do mesmo registro administrativo

O Government Accountability Office informou em 2026 que os prêmios médios de seguro residencial nos Estados Unidos subiram cerca de 3 % em termos reais entre 2019 e 2024 — e, ao mesmo tempo, 25 % ou mais nas áreas litorâneas do Sul⚖ Contestado [29]. As duas metades dessa frase são verdadeiras, e cada uma sustenta um relato distinto do que está ocorrendo⚖ Contestado [6].

As conclusões do GAO são a evidência mais forte contra a narrativa de uma crise generalizada. A análise encontrou prêmios acompanhando em linhas gerais a inflação no conjunto do país, com a divergência concentrada por ameaça: imóveis em áreas de alto risco de vento pagavam cerca de 58 % mais do que bens comparáveis em risco médio, enquanto passar de risco médio para alto de incêndio associava-se a aumento de 8 %⚖ Contestado [29]. Medidos sobre a renda mediana, os prêmios pesavam mais na Flórida, na Louisiana e em Oklahoma✓ Fato comprovado [29].

A posição do setor é que o clima é um insumo entre vários e não o principal. As entidades patronais atribuem a deterioração a uma combinação de crescimento da exposição em zonas de ameaça, inflação dos custos de reconstrução e abuso do sistema judicial, e sustentam que o resseguro é mecanismo de transmissão, não causa: se as perdas esperadas sobem, os prêmios precisam subir, seja o risco retido ou cedido⚖ Contestado [7] [57]. Quando o Comitê de Orçamento do Senado divulgou seus dados, o setor respondeu que a audiência havia ignorado essa combinação⚖ Contestado [6].

A posição contrária apoia-se no gradiente, e não no nível. Se a inflação de custos fosse o motor, a retirada estaria amplamente distribuída; em vez disso, as taxas de não renovação são cerca de 80 % mais altas nos códigos postais de maior risco e quase o dobro no Oeste em relação ao Nordeste✓ Fato comprovado [1] [2]. O conjunto de dados do Senado, referente a 249 milhões de apólices de 23 seguradoras, situou a alta nos condados expostos ao clima dos cinquenta estados◈ Evidências sólidas [4] [5].

A leitura da reprecificação

Um episódio de descoberta de preços
A apólice anual é o único instrumento da cadeia habitacional que se reprecifica todo ano, e por isso registrou primeiro a mudança na perda esperada◈ Evidências sólidas [26].
A retirada acompanha a ameaça, não o custo
As taxas de não renovação são cerca de 80 % mais altas nos códigos postais de maior risco e mais que o dobro no Oeste em relação ao Nordeste✓ Fato comprovado [1] [2].
A anomalia era a subprecificação
De uma alta real projetada de 29,4 pontos até 2055, 18,4 pontos corrigem uma subprecificação atual, e não uma ameaça futura◈ Evidências sólidas [22].
A lacuna cresceu enquanto as taxas caíam
As perdas catastróficas sem cobertura subiram 7 %, a 424 bilhões de dólares, no mesmo ano em que o resseguro de catástrofe recuou de 12 % a 15 %✓ Fato comprovado [21] [16].
A transmissão alcança crédito e valor
A saída de seguradoras associa-se a mais execuções hipotecárias, consumo mais fraco e queda relativa de 11 % no valor dos imóveis expostos◈ Evidências sólidas [28] [26].

A leitura da inflação de custos

Os prêmios acompanharam a inflação
No conjunto do país, os prêmios médios residenciais subiram cerca de 3 % em termos reais entre 2019 e 2024, com a divergência concentrada por região⚖ Contestado [29].
Cresce a exposição, não a ameaça
Construiu-se mais patrimônio e de maior valor em zonas de ameaça; parte da alta das perdas é problema de denominador, e não de clima⚖ Contestado [7].
Contencioso e custos de reconstrução
As entidades patronais atribuem boa parte da deterioração ao abuso do sistema judicial e à inflação da construção, e não ao risco físico⚖ Contestado [6] [57].
Mercados residuais podem reverter
A Flórida cortou seu fundo estatal em 73 % ao longo de vinte e sete meses, sem qualquer mudança em sua exposição a furacões✓ Fato comprovado [14].
A capacidade voltou depressa
As renovações de resseguro de catástrofe de janeiro de 2026 caíram 12 % no mundo e 15 % na Europa à medida que o capital se reconstituía✓ Fato comprovado [16] [17].

O resultado da Flórida é o dado mais incômodo para a leitura da reprecificação, e merece ser enunciado sem atenuações. Uma redução de 73 % no fundo residual estadual em vinte e sete meses, obtida com a exposição a furacões inalterada, demonstra que boa parte do que parecia inasseguribilidade climática era jurídica e atuarial✓ Fato comprovado [14] [13]. Qualquer relato que trate a retirada como função direta da ameaça precisa explicar esse número⚖ Contestado [15].

A resposta da leitura da reprecificação é que a Flórida alterou as duas variáveis que podia alterar — a exposição ao contencioso e a suficiência tarifária — e com isso tornou a ameaça subjacente suportável a certo preço. É uma conquista genuína e não constitui refutação, porque a ameaça segue inalterada e o preço agora está sendo pago◈ Evidências sólidas [15]. O que a Flórida demonstra é o tamanho da cunha entre risco físico e risco institucional, não a ausência do primeiro⚖ Contestado [46].

O que não se contesta é mais estreito do que o volume da discussão sugere. Ninguém nega que as não renovações subiram acentuadamente entre 2018 e 2024, que subiram mais depressa nas geografias de maior ameaça, que os mercados residuais absorveram a diferença, nem que a parcela descoberta da perda catastrófica mundial está crescendo✓ Fato comprovado [2] [8] [21]. A divergência recai sobre o peso atribuído à ameaça física nesse conjunto, e será resolvida pelo banco de dados por código postal da NAIC, e não pela argumentação✓ Fato comprovado [3].

08

O que as evidências dizem
O sinal estava correto; a resposta foi dirigida ao sinal

Quatro conclusões resistem ao contraste com os dados invocados pelos dois lados. A retirada acompanha a ameaça modelada✓ Fato comprovado [1]. A transmissão para crédito e valor é real, porém limitada◈ Evidências sólidas [26]. Os mercados residuais crescem onde se impede o capital privado de precificar e encolhem onde isso não ocorre✓ Fato comprovado [14]. E a parcela descoberta da perda cresce mesmo com o resseguro ficando mais barato✓ Fato comprovado [21].

A primeira conclusão é a mais robusta e a menos útil politicamente. As taxas de não renovação são cerca de 80 % mais altas no quinto de códigos postais de maior risco do que no de menor risco, os prêmios são 82 % maiores, e o gradiente regional se reproduz em todos os níveis de agregação que os reguladores testaram✓ Fato comprovado [1] [2]. Qualquer que seja a parcela do aumento de custos atribuível ao contencioso ou à inflação da construção, o padrão de quem fica sem apólice não se distribui dessa maneira◈ Evidências sólidas [30].

A segunda é real e menor do que se anuncia. A saída de seguradoras associa-se a taxas mais altas de execução hipotecária, menor valor dos imóveis, consumo local mais fraco e queda da propriedade residencial, além de recuo relativo de preços de cerca de 11 % nos códigos postais mais expostos◈ Evidências sólidas [28] [26]. É um freio local sério e cumulativo. Não é o episódio sistêmico descrito pelas advertências mais dramáticas, e as evidências em escala de crédito sustentam a tese menor, e não a maior◈ Evidências sólidas [25] [48].

A terceira conclusão é aquela sobre a qual os governos poderiam agir amanhã. A Flórida cortou seu fundo residual em 73 % em vinte e sete meses e a Louisiana em quase 20 %, nos dois casos alterando as condições jurídicas e tarifárias, e não o clima✓ Fato comprovado [14] [46]. O fundo californiano viu sua exposição crescer 250 % em quatro anos sob um regime tarifário que excluía modelos de catástrofe e custos de resseguro◈ Evidências sólidas [8] [55]. O mercado residual é um produto da política pública, não uma leitura do clima◈ Evidências sólidas [52].

2021
Começa o experimento de precificação — O Risk Rating 2.0 leva o seguro federal contra inundação à precificação de risco por imóvel, o único teste nacional do efeito de um preço exato sobre a contratação✓ Fato comprovado [37].
2023
Documenta-se a cadeia de transmissão — Parinitha Sastry, Ishita Sen e Ana-Maria Tenekedjieva divulgam “When Insurers Exit”, que vincula perdas climáticas, fragilidade das seguradoras, insolvência e inadimplência hipotecária em dados de crédito◈ Evidências sólidas [24] [25].
2024
Helene testa a premissa do interior — De 20 a 30 bilhões de dólares em perdas por inundação sem cobertura, em áreas quase sem seguro, demonstram que a lacuna de proteção é maior onde se supunha ausência de risco✓ Fato comprovado [39] [40].
2024
Publica-se o registro por condado — O Comitê de Orçamento do Senado divulga dados de não renovação sobre 249 milhões de apólices de 23 seguradoras nos cinquenta estados e no Distrito de Colúmbia✓ Fato comprovado [4] [5].
2025
O Tesouro divulga os dados por código postal — O Federal Insurance Office publica a análise de mais de 246 milhões de apólices de mais de 330 seguradoras e estabelece os gradientes de 80 % em não renovações e de 82 % em prêmios✓ Fato comprovado [1].
2025
Chega a estimativa de avaliação — A First Street projeta 1,47 trilhão de dólares de perda líquida de valor imobiliário até 2055 em 84 % dos setores censitários, impulsionada por custos de seguro e não por destruição◈ Evidências sólidas [22] [23].
2026
Publica-se a contraevidência — O Government Accountability Office conclui que os prêmios nacionais acompanharam em geral a inflação de 2019 a 2024, com altas de 25 % ou mais concentradas nas áreas litorâneas do Sul⚖ Contestado [29].
2026
Surge o registro regional das companhias — A análise da NAIC mostra que 141 de 263 seguradoras que subscreveram sem interrupção no Nordeste cortaram suas carteiras em 38,7 % na média, com não renovações 147 % acima de 2018✓ Fato comprovado [2].
2027
Aguarda-se o relatório nacional por código postal — A coleta de 2026 da NAIC, referente aos exercícios de 2018 a 2025, deve produzir o retrato público mais completo já reunido do mercado residencial de seguros dos Estados Unidos✓ Fato comprovado [3].

A quarta conclusão deveria inquietar quem lê a temporada de renovações de 2026 como recuperação. O resseguro de catástrofe caiu 12 % no mundo e 15 % na Europa em janeiro de 2026, e a Florida Citizens recomendou redução de tarifas✓ Fato comprovado [16] [13]. Nos mesmos doze meses, as perdas catastróficas mundiais sem cobertura subiram mais de 7 %, a 424 bilhões de dólares, e as perdas seguradas por incêndio seguiram crescendo cerca de 12 % ao ano✓ Fato comprovado [21] [19]. O capital voltou; a exposição não caiu.

O problema estrutural é um descasamento de prazos que nenhuma das partes contesta. Um contrato de doze meses é usado para dar lastro a um financiamento de trinta anos sobre uma edificação centenária, num ambiente de ameaças que muda em escala de décadas◈ Evidências sólidas [43]. Todas as respostas institucionais até aqui — sobretaxas, rateios, fundos residuais, aprovação prévia, respaldos públicos — operam sobre o contrato de doze meses. Nenhuma opera sobre a edificação ou sobre sua localização◈ Evidências sólidas [53] [52].

◈ Evidências sólidas A lacuna de proteção cresceu no mesmo ano em que o resseguro barateou

As taxas de resseguro de catástrofe caíram 12 % no mundo e 15 % na Europa nas renovações de janeiro de 2026, impulsionadas pelo excesso de capital e pelo apetite por títulos vinculados a seguros✓ Fato comprovado [16] [17]. No mesmo período, o valor das perdas por catástrofes naturais sem cobertura subiu mais de 7 %, chegando a 424 bilhões de dólares, com a lacuna norte-americana ampliando-se 6 %, até 140 bilhões✓ Fato comprovado [21] [19]. Resseguro barato é uma afirmação sobre a oferta de capital, não sobre a quantidade de risco◈ Evidências sólidas [18].

Existe uma única intervenção com efeito comprovado sobre a perda, e não sobre o preço, e ela é o menor programa deste relatório. Construir segundo a norma IBHS Wildfire Prepared restaura a capacidade privada por aproximadamente um quarto do preço do mercado residual nas comunidades que a adotaram◈ Evidências sólidas [54] [50]. Nada nas evidências sugere que ela não seja escalável. Tudo no histórico orçamentário sugere que ninguém tentou escalá-la◈ Evidências sólidas [51].

A conclusão de verdade

O mercado de seguros não fracassou. Fez a única coisa para a qual existe — reprecificar um ativo quando a perda esperada muda — e o fez mais depressa que qualquer outra instituição ligada à moradia◈ Evidências sólidas [26]. Toda resposta relevante desde 2024 tratou do preço, e não da exposição: elevação de dois terços na sobretaxa francesa, tarifas comprimidas e depois acesso negociado a modelos na Califórnia, reforma processual na Flórida, um respaldo público de resseguro em projeto na Europa✓ Fato comprovado [33] [11] [14] [36]. Os dois instrumentos que alteram a perda esperada — endurecer edificações e afastar pessoas da ameaça — seguem sendo os menos financiados dos cinco◈ Evidências sólidas [51] [52].

As perguntas mensuráveis dos próximos cinco anos já estão formuladas. Se o banco de dados por código postal da NAIC reproduzir o gradiente do Tesouro nos exercícios de 2018 a 2025✓ Fato comprovado [3]. Se o fundo residual da Flórida permanecer abaixo de 400.000 apólices após uma temporada com furacão em terra✓ Fato comprovado [14]. Se a exposição do FAIR Plan californiano ultrapassar 1 trilhão de dólares antes que a Sustainable Insurance Strategy devolva capacidade privada◈ Evidências sólidas [8]. E se alguma jurisdição deslocar recursos do subsídio ao prêmio para a mitigação estrutural em escala que apareça nos dados de sinistros◈ Evidências sólidas [51] [54].

SRC

Primary Sources

All factual claims in this report are sourced to specific, verifiable publications. Projections are clearly distinguished from empirical findings.

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APA
OsakaWire Intelligence. (2026, August 31). A retirada das seguradoras — 1,9 milhão de casas sem apólice. Retrieved from https://osakawire.com/pt/the-insurance-retreat-when-risk-becomes-uninsurable/
CHICAGO
OsakaWire Intelligence. "A retirada das seguradoras — 1,9 milhão de casas sem apólice." OsakaWire. August 31, 2026. https://osakawire.com/pt/the-insurance-retreat-when-risk-becomes-uninsurable/
PLAIN
"A retirada das seguradoras — 1,9 milhão de casas sem apólice" — OsakaWire Intelligence, 31 August 2026. osakawire.com/pt/the-insurance-retreat-when-risk-becomes-uninsurable/

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  <p>Seguradoras deixaram de renovar 1,9 milhão de apólices residenciais nos EUA em seis anos. O plano de último recurso da Califórnia carrega US$ 768 bi de risco.</p>
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