INTELLIGENCE REPORT SERIES OCTOBER 2026 OPEN ACCESS

SERIES: ECONOMIC INTELLIGENCE

Trabalhar até os 70: o que as forças de trabalho mais velhas ensinam

Aposentadoria mais tarde, idadismo na contratação e desigualdade de saúde: o que Japão, Coreia do Sul, Singapura, Dinamarca e Alemanha aprenderam ao prolongar a vida profissional.

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Published23 October 2026
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Aposentadoria mais tarde, idadismo na contratação e desigualdade de saúde: o que Japão, Coreia do Sul, Singapura, Dinamarca e Alemanha aprenderam ao prolongar a vida profissional.

01

A aritmética de uma força de trabalho que encolhe
Por que todas as sociedades ricas pedem, discretamente, que as pessoas continuem trabalhando

Em 2025, havia 33 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 em idade ativa no conjunto da OCDE; em 2050 serão 52 [1]. Trabalhar por mais tempo deixou de ser uma escolha de estilo de vida debatida às margens — tornou-se o pressuposto fiscal padrão de quase todas as economias avançadas ✓ Fato comprovado.

A resposta curta à pergunta que este relatório examina é que o prolongamento da vida laboral já está em curso, tem grande valor econômico e está muito menos uniformemente ao alcance de todos do que os governos supõem. No conjunto da OCDE, a taxa de emprego das pessoas de 60 a 64 anos subiu 21,8 pontos percentuais, chegando a 56,5 % em 2024 [2], e o Japão emprega hoje 53,6 % de todos os que têm entre 65 e 69 anos [3] ✓ Fato comprovado. A capacidade de trabalhar até o fim da casa dos 60, porém, é distribuída pela saúde, pela escolaridade, pela ocupação e pelo preconceito de quem contrata — e não pela data de nascimento. Políticas que elevam a idade de aposentadoria de maneira uniforme transferem, portanto, o custo da mudança demográfica para as pessoas menos capazes de suportá-lo. O restante deste relatório apresenta as evidências de cada parte dessa afirmação: a aritmética demográfica, a economia, os dados sobre discriminação, as restrições de saúde e de qualificação e o que os países com as forças de trabalho mais velhas — Japão, Coreia do Sul, Singapura, Dinamarca, Alemanha, entre outros — aprenderam por terem chegado primeiro.

Comecemos pela aritmética, porque ela é implacável. O relatório Pensions at a Glance 2025, da OCDE, projeta que a população em idade ativa dos países-membros cairá 13 % nos próximos 40 anos, e mais de 30 % no Japão, na Coreia do Sul, na Itália, na Espanha, na Grécia, na Polônia, na Eslováquia e nos países bálticos [1] ✓ Fato comprovado. Na Coreia, a razão de dependência dos idosos deve subir quase 50 pontos [1]. O instituto Statistics Korea projeta que a população do país encolherá de 52 milhões para 36,2 milhões até 2072, que 47,7 % dos residentes terão então 65 anos ou mais e que a razão de dependência total saltará de 42,5 para 118,5 [4] ✓ Fato comprovado. Em outras palavras, no início da década de 2070 a Coreia teria mais dependentes do que pessoas em idade de trabalhar. Não se trata de hipóteses distantes: a Coreia tornou-se oficialmente uma sociedade superenvelhecida em 23 de dezembro de 2024, quando 10,24 milhões de residentes, 20 % da população, tinham 65 anos ou mais [5].

52
Pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 de 20 a 64 anos na OCDE em 2050
OCDE, 2025 · ✓ Fato comprovado
−13 %
Queda da população em idade ativa da OCDE em 40 anos
OCDE, 2025 · ✓ Fato comprovado
53,6 %
Taxa de emprego dos japoneses de 65 a 69 anos em 2024
MIC, Japão, 2025 · ✓ Fato comprovado
47,7 %
Parcela da população sul-coreana com 65 anos ou mais projetada para 2072
Statistics Korea, 2024 · ✓ Fato comprovado

O quadro mundial segue a mesma curva, apenas com atraso. O relatório World Population Prospects 2024, das Nações Unidas, projeta que a população mundial atingirá o pico de cerca de 10,3 bilhões de pessoas em meados da década de 2080 e que, no fim da década de 2070, as pessoas com 65 anos ou mais — 2,2 bilhões — serão mais numerosas que as crianças com menos de 18 anos [6] ✓ Fato comprovado. A população já atingiu o pico em 63 países, entre os quais China, Alemanha, Japão e Rússia, e esse grupo deve encolher 14 % nos próximos 30 anos [7]. A transição demográfica iniciada na Europa e no Japão já alcança também as economias de renda média, razão pela qual a China aprovou, em setembro de 2024, o primeiro aumento da idade legal de aposentadoria desde os anos 1950 [8]. Uma sociedade que encolhe dispõe de três alavancas para manter estáveis a produção e as contas públicas: mais trabalhadores vindos do exterior, mais produção por trabalhador ou mais anos de trabalho por pessoa. A maioria dos governos aciona hoje as três, mas é a terceira que fica inscrita na lei.

Essa terceira alavanca já está visível nas idades de aposentadoria aprovadas. A idade normal de aposentadoria na OCDE — aquela em que se pode receber a aposentadoria integral após uma carreira completa — era de 64,7 anos para os homens e de 63,9 para as mulheres que se aposentaram em 2024; para quem entrou no mercado de trabalho em 2024, a projeção é de 66,4 e 65,9 anos [9] ✓ Fato comprovado. Alguns países vão muito além. Como Dinamarca, Estônia e Itália vinculam a idade de aposentadoria à expectativa de vida, a OCDE projeta idades normais futuras de 74 anos na Dinamarca, 71 na Estônia e 70 na Itália [10]. Ainda assim, a OCDE calcula que os aumentos aprovados compensam pouco mais de 40 % do ganho projetado na expectativa de vida aos 65 anos, que, para os homens, passa de 18,5 para 22,7 anos [10] ◈ Evidências sólidas. A aposentadoria, em outras palavras, continuará a ficar mais longa, mesmo começando mais tarde.

✓ Fato comprovado Os aumentos aprovados da idade de aposentadoria compensam só cerca de 40 % dos ganhos projetados de longevidade na OCDE

O Pensions at a Glance 2025, da OCDE, projeta que a expectativa de vida restante aos 65 anos dos homens passará de 18,5 para 22,7 anos, enquanto os aumentos aprovados da idade de aposentadoria absorvem pouco mais de 40 % desse ganho [10]. A idade normal de aposentadoria de quem começou a trabalhar em 2024 é de 66,4 anos para os homens e de 65,9 para as mulheres, contra 64,7 e 63,9 para quem se aposentou em 2024 [9]. A direção da política é inequívoca; a escala do ajuste até agora é modesta.

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, enquadrou o problema, no lançamento do relatório de 2025, em termos deliberadamente estruturais: o envelhecimento populacional é um desafio estrutural central para os países da OCDE, com implicações econômicas, fiscais e sociais significativas [1]. O lado fiscal é o mais fácil de quantificar. No Reino Unido, o Office for Budget Responsibility estima que a elevação da idade de acesso à aposentadoria estatal (State Pension) de 66 para 67 anos, implantada gradualmente entre 2026 e 2028, reduzirá o endividamento em 10,5 bilhões de libras em 2029-30, quase tudo porque cerca de 820 mil pessoas de 66 anos a menos estarão recebendo o benefício [11] ✓ Fato comprovado. Cada ano a mais na idade de aposentadoria representa, em termos orçamentários, uma economia grande e imediata. É por isso que esse é o instrumento preferido.

O lado econômico é mais difícil, porque a idade de aposentadoria é apenas um sinal; por si só, não cria um emprego, um corpo saudável nem um empregador disposto a contratar. O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi direto ao ponto no World Economic Outlook de abril de 2025, ao advertir que elevar a idade legal de aposentadoria pode não produzir o efeito desejado sobre a idade efetiva de saída do mercado se os trabalhadores mais velhos não tiverem condições físicas ou cognitivas de permanecer ativos [12] ✓ Fato comprovado. É no intervalo entre a idade legal e a idade em que as pessoas de fato param de trabalhar que reside a verdadeira questão de política pública. As seções seguintes examinam esse intervalo: quem já trabalha por mais tempo, quanto isso vale, quem está sendo mantido de fora e o que as forças de trabalho mais velhas aprenderam sobre como fechá-lo.

02

O prolongamento da vida laboral já está em curso
O recorde silencioso no emprego dos trabalhadores mais velhos

O emprego dos trabalhadores mais velhos está em níveis recordes na maior parte do mundo desenvolvido. Em 2024, a taxa de emprego na OCDE chegou a 75,7 % para quem tem de 55 a 59 anos e a 56,5 % para quem tem de 60 a 64 [2] — mas as médias escondem uma escada de experiências nacionais ✓ Fato comprovado.

A tendência geral é mais forte do que sugere o debate público. Segundo a OCDE, a taxa de emprego das pessoas de 55 a 59 anos subiu 17,1 pontos percentuais, para 75,7 % em 2024, enquanto a das pessoas de 60 a 64 anos avançou 21,8 pontos, para 56,5 % [2] ✓ Fato comprovado. A taxa média de emprego na OCDE para a faixa de 65 a 69 anos chegou a 26,4 % [13]. Na União Europeia, a taxa de emprego das pessoas de 55 a 64 anos atingiu o recorde de 65,2 % em 2024 [14] ◈ Evidências sólidas. A Suécia, referência de longa data, chegou a cerca de 78,1 % na mesma faixa etária, e a Alemanha a 75,15 % [15] [16] ✓ Fato comprovado. Os países com idade de aposentadoria de 67 anos para ambos os sexos — Dinamarca, Islândia, Países Baixos e Noruega — estão entre os que têm as maiores taxas de emprego entre 60 e 64 anos [2]. A idade de aposentadoria, em outras palavras, não é um mero parâmetro fiscal: ela ancora a expectativa de pessoas e empregadores sobre quando a vida profissional termina.

O Japão está no extremo da distribuição. Em 2024, o número de pessoas ocupadas com 65 anos ou mais chegou ao recorde de 9,3 milhões, o 21º aumento anual consecutivo [3] ✓ Fato comprovado. A taxa de emprego foi de 53,6 % entre 65 e 69 anos, de 35,1 % entre 70 e 74 e de 12,0 % a partir dos 75, todas recordes; considerando todas as pessoas com 65 anos ou mais, foi de 25,7 % [3]. Uma década antes, em 2013, apenas 38,7 % das pessoas de 65 a 69 anos trabalhavam [17]. Os idosos representam hoje 29,4 % da população japonesa [3], e o país, na prática, reorganizou seu mercado de trabalho em torno da expectativa de que a maioria das pessoas continue trabalhando até o fim da casa dos 60. Essa reorganização, como mostra a seção 6, teve um preço em salários e em qualidade do emprego.

Os Estados Unidos apresentam outro desenho. A taxa de participação na força de trabalho dos americanos com 65 anos ou mais era de 19,1 % em 2025 — quase um em cada cinco —, acima dos 12,9 % de 2000, mas abaixo dos 20,2 % registrados em 2019 [18] ✓ Fato comprovado. A pandemia produziu o que o Federal Reserve Bank de St. Louis chamou de aposentadorias excedentes: cerca de 2,4 milhões de americanos a mais se aposentaram do que previam as tendências pré-pandemia, com o pico da diferença perto de 2,8 milhões no fim de 2022 [19]. No fim de 2024 e no início de 2025, porém, a parcela de aposentadorias excedentes havia caído abaixo de zero, e o Fed de St. Louis concluiu que as condições do mercado de trabalho e as transferências governamentais explicavam a maior parte do aumento [20] ◈ Evidências sólidas. O segmento que mais cresce é o mais velho: os trabalhadores com 75 anos ou mais representavam 1,2 % da força de trabalho americana em 2023, e a projeção é de que cheguem a 2,1 % até 2033 [21].

✓ Fato comprovado O Japão empregou o recorde de 9,3 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2024, a 21ª alta anual consecutiva

O Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão informa taxas de emprego de 53,6 % entre 65 e 69 anos, de 35,1 % entre 70 e 74 e de 12,0 % a partir dos 75, todas recordes [3]. Em 2013, a taxa da faixa de 65 a 69 anos era de 38,7 % [17]. Nenhuma outra grande economia levou a vida profissional tão longe na velhice, o que faz do Japão o experimento natural mais importante para todas as sociedades que vêm atrás.

O Reino Unido ilustra o risco oposto: o de que a saúde precária tire as pessoas mais velhas do trabalho mais depressa do que a política previdenciária as empurra de volta. O Office for National Statistics (ONS) constatou que mais de 2,5 milhões de pessoas estavam economicamente inativas por doença de longa duração em 2023, um aumento de mais de 400 mil desde a pandemia [22] ✓ Fato comprovado. Entre os inativos de 50 a 64 anos, 46 % relataram cinco ou mais problemas de saúde, contra 41 % em 2019 [22]. O Reino Unido está elevando a idade de acesso à State Pension de 66 para 67 anos entre maio de 2026 e março de 2028, e uma terceira revisão legal, iniciada em julho de 2025, examina a passagem para 68 [23]. O caso britânico mostra por que taxas de emprego e idades de aposentadoria não podem ser lidas isoladamente: uma idade de aposentadoria mais alta sem a saúde correspondente não produz mais trabalhadores, e sim mais pessoas esperando, com renda menor, por um benefício que ficou mais distante.

Três padrões se destacam nos dados comparativos entre países. Primeiro, o emprego dos trabalhadores mais velhos responde fortemente à própria idade de aposentadoria: quando sobe a idade em que os benefícios começam, o emprego logo abaixo dessa idade sobe junto, como mostram as evidências britânicas da seção 3. Segundo, os países com o maior nível de emprego entre 60 e 64 anos combinam uma idade de aposentadoria tardia com mercados de trabalho robustos, arranjos de trabalho flexíveis e sistemas ativos de educação de adultos — o modelo nórdico, e não o japonês. Terceiro, os ganhos concentram-se entre os saudáveis e os mais escolarizados. O restante deste relatório confronta cada um desses padrões com as evidências, a começar por quanto vale, de fato, trabalhar por mais tempo.

  • Japão: 53,6 % das pessoas de 65 a 69 anos trabalhando em 2024, um recorde [3]
  • Suécia: cerca de 78,1 % das pessoas de 55 a 64 anos trabalhando, entre as taxas mais altas da OCDE [15]
  • Alemanha: 75,15 % das pessoas de 55 a 64 anos trabalhando em 2024 [16]
  • União Europeia: recorde de 65,2 % das pessoas de 55 a 64 anos trabalhando em 2024 [14]
  • Estados Unidos: 19,1 % das pessoas com 65 anos ou mais na força de trabalho em 2025 [18]
03

Quanto vale trabalhar por mais tempo
Crescimento, orçamentos e o mito do declínio do trabalhador mais velho

O FMI estima que um envelhecimento mais saudável acrescentará cerca de 0,4 ponto percentual por ano ao crescimento mundial entre 2025 e 2050 [12]. O prêmio é real; a questão é quanto dele uma idade de aposentadoria, sozinha, consegue capturar ◈ Evidências sólidas.

A contribuição recente mais importante para esse debate é o capítulo sobre a economia prateada do World Economic Outlook de abril de 2025, do FMI. Com base em dados de 41 economias avançadas e emergentes, o estudo constatou que, em média, uma pessoa de 70 anos em 2022 tinha a mesma capacidade cognitiva de alguém de 53 anos em 2000 [12] ✓ Fato comprovado. Na fragilidade física, a melhora foi semelhante: uma pessoa de 70 anos em 2022 equivalia a uma de 56 anos em 2000 [12]. O capítulo então vinculou esses ganhos de saúde ao comportamento: uma década de melhora cognitiva está associada a um aumento de cerca de 20 pontos percentuais na probabilidade de permanecer no mercado de trabalho, a cerca de seis horas a mais de trabalho por semana e a rendimentos 30 % maiores para quem está empregado [12] ◈ Evidências sólidas. A fórmula escolhida pelo FMI para resumir o resultado — os 70 são os novos 50 — tem sido amplamente citada desde então, muitas vezes sem as ressalvas que a acompanham.

Elevar a idade legal de aposentadoria pode não produzir o impacto desejado sobre a idade efetiva de aposentadoria se os trabalhadores mais velhos não tiverem condições físicas ou cognitivas de permanecer ativos ou se sua produtividade declinar rapidamente com a idade.

— Fundo Monetário Internacional, World Economic Outlook, capítulo 2, abril de 2025 [12]

O que está em jogo no plano macroeconômico é muito. O FMI estima que a mudança demográfica explica quase 75 % da desaceleração projetada do crescimento mundial, que a instituição situa cerca de 1,1 ponto percentual abaixo da média de 2016-18; sem os ganhos de um envelhecimento mais saudável, a perda seria de 1,5 ponto [12] ◈ Evidências sólidas. Estimativas anteriores do setor privado apontam na mesma direção. O Golden Age Index da PwC calculou, em 2018, que elevar o emprego dos trabalhadores com 55 anos ou mais em toda a OCDE aos níveis suecos acrescentaria cerca de US$ 3,5 trilhões ao PIB de longo prazo da OCDE [24] ◈ Evidências sólidas. Números assim dependem de premissas sobre quem poderia trabalhar e com que produtividade, e devem ser tratados como ordens de grandeza, não como previsões. Mas concordam quanto à direção: numa economia que envelhece, a taxa de emprego das pessoas com mais de 55 anos é um dos maiores determinantes isolados da produção per capita.

As evidências sobre as contas públicas são ainda mais sólidas, porque vêm de reformas reais. Quando o Reino Unido elevou de 60 para 61 anos a idade de acesso das mulheres à State Pension, o Institute for Fiscal Studies (IFS) constatou que a taxa de emprego das mulheres de 60 anos subiu 7,3 pontos percentuais — cerca de 27 mil mulheres a mais trabalhando — e que o emprego de seus maridos aumentou 4,2 pontos, o que reforçou as contas públicas em cerca de 2,1 bilhões de libras [25] ✓ Fato comprovado. O economista Jonathan Cribb, do IFS, observou que o tamanho do efeito sugeria que havia outros fatores em ação além dos incentivos financeiros: a idade de aposentadoria funciona como norma social, um sinal de quando se espera que alguém pare [25]. Esse efeito de sinalização é justamente o que torna a reforma da idade de aposentadoria poderosa — e o que a torna um instrumento rombudo.

✓ Fato comprovado Um ano a mais na idade de aposentadoria das mulheres no Reino Unido elevou em 7,3 pontos percentuais o emprego das mulheres de 60 anos

Uma pesquisa do Institute for Fiscal Studies constatou que elevar a idade feminina de acesso à State Pension de 60 para 61 anos levou cerca de 27 mil mulheres a mais ao trabalho, aumentou em 4,2 pontos percentuais o emprego de seus maridos e melhorou as contas públicas em cerca de 2,1 bilhões de libras [25]. A reação foi maior do que os incentivos financeiros, sozinhos, permitiriam prever, o que sugere que a idade de aposentadoria opera como uma norma social sobre quando o trabalho termina.

O obstáculo mais persistente ao prolongamento da vida laboral é a crença de que os trabalhadores mais velhos são menos produtivos. As melhores evidências microeconômicas não a sustentam. Axel Börsch-Supan e Matthias Weiss estudaram os erros cometidos por equipes na linha de montagem de uma grande fabricante de automóveis, corrigindo o fato de que os trabalhadores menos produtivos tendem a sair, e constataram que a produtividade nessa fábrica — típica da manufatura em larga escala — não declina pelo menos até os 60 anos [26] ◈ Evidências sólidas. Os trabalhadores mais velhos cometiam um pouco mais de erros, mas muito menos erros graves, porque a experiência lhes ensinara quais falhas importavam. Na linha de produção, o discernimento acumulado compensava qualquer perda de velocidade física. O resultado tornou-se um dos achados mais citados da economia do envelhecimento justamente por contrariar o que os gestores esperam.

No plano das economias como um todo, o quadro é mais ambíguo ⚖ Contestado. Nicole Maestas, Kathleen Mullen e David Powell estimaram que um aumento de 10 % na parcela da população com 60 anos ou mais reduz em 5,5 % o crescimento do PIB per capita, com cerca de dois terços do efeito decorrentes do crescimento mais lento da produtividade do trabalho, e não da redução do número de trabalhadores [27]. Esse achado não demonstra que os trabalhadores mais velhos, individualmente, sejam menos produtivos; pode refletir uma adoção mais lenta de novas tecnologias, menos investimento ou mudanças nos padrões de demanda nas regiões que envelhecem. Mas é um alerta contra a suposição de que uma vida profissional mais longa seja automaticamente mais produtiva. A conciliação, compatível com os dois estudos, é que os trabalhadores mais velhos continuam produtivos em funções que aproveitam sua experiência — e que as economias que deixam de investir em sua qualificação e em sua saúde abrem mão de boa parte do ganho.

O sinal importa mais do que o dinheiro

Os efeitos mais fortes da reforma da idade de aposentadoria não vêm da mudança nos incentivos financeiros, mas da mudança nas expectativas — de trabalhadores, cônjuges e empregadores [25]. É por isso que as reformas movem o emprego rapidamente, e por isso o movem sobretudo entre as pessoas cuja saúde e cujo emprego já lhes permitem reagir. Um sinal não torna saudável um trabalhador doente nem disposto um empregador relutante.

04

O muro da discriminação
Por que o mercado de trabalho não quer os trabalhadores de que a previdência precisa

Num experimento de campo com mais de 40 mil candidaturas a vagas de emprego, economistas encontraram evidências robustas de discriminação na contratação de mulheres mais velhas, sobretudo perto da idade de aposentadoria [28]. Os governos pedem às pessoas que trabalhem por mais tempo em mercados de trabalho que as filtram sistematicamente ✓ Fato comprovado.

As evidências mais sólidas sobre discriminação etária vêm de experimentos de campo, nos quais pesquisadores enviam a empregadores candidaturas fictícias pareadas que diferem apenas na idade. O maior deles, conduzido por David Neumark, Ian Burn e Patrick Button, enviou mais de 40 mil candidaturas a vagas em 12 cidades americanas e quatro ocupações [28] ✓ Fato comprovado. Depois de corrigir vieses que afetavam estudos anteriores, os autores encontraram discriminação robusta contra mulheres mais velhas, em especial as próximas da idade de aposentadoria, e evidências mais fracas, mas presentes, contra homens mais velhos [28]. Neumark resumiu o padrão sem rodeios em 2019: os candidatos mais velhos nunca se saem melhor, muitas vezes se saem pior, e as mulheres enfrentam discriminação etária a partir dos 40 anos [29]. Um experimento sueco de Magnus Carlsson e Stefan Eriksson, com mais de 6 mil candidaturas de pessoas entre 35 e 70 anos, constatou que a taxa de retorno dos empregadores cai substancialmente a partir dos 40 anos, e de forma mais acentuada para as mulheres do que para os homens [30] ✓ Fato comprovado.

As evidências de discriminação etária contra as mulheres meio que saltam aos olhos em todos os estudos.

— David Neumark, professor titular de Economia da Universidade da Califórnia em Irvine, junho de 2019 [29]

O que os empregadores dizem acreditar ajuda a explicar os resultados. No experimento sueco, os empregadores consultados posteriormente citaram estereótipos sobre a capacidade dos candidatos mais velhos de aprender novas tarefas, sua adaptabilidade e sua ambição [30]. Os trabalhadores reconhecem o mesmo padrão do outro lado. A pesquisa de 2026 da AARP constatou que 64 % dos trabalhadores americanos com 50 anos ou mais já presenciaram ou sofreram discriminação etária no trabalho, proporção que sobe para 74 % entre os trabalhadores negros e para 67 % entre as mulheres [31] ✓ Fato comprovado. Cerca de 90 % acreditam que a discriminação etária é comum, e 33 % relatam que se presumiu que estivessem menos à vontade com a tecnologia [32]. Entre as pessoas com 50 anos ou mais que planejavam mudar de emprego em 2025, 74 % acreditavam que a idade poderia impedir sua contratação [33].

As queixas formais são apenas a parte visível do problema. A Equal Employment Opportunity Commission (EEOC), agência federal americana, recebeu 16.223 denúncias de discriminação etária com base no Age Discrimination in Employment Act no ano fiscal de 2024, alta de 9,2 % sobre o ano anterior, segundo análise do escritório de advocacia Seyfarth; a própria comissão moveu apenas sete ações judiciais por discriminação etária [34] ◈ Evidências sólidas. A discriminação etária é notoriamente difícil de provar, porque raramente deixa rastro escrito: um candidato é descrito como qualificado demais, diz-se que uma equipe precisa de energia nova, uma reestruturação acaba eliminando os funcionários mais velhos. Carly Roszkowski, da AARP, descreveu o resultado em janeiro de 2025: muitos trabalhadores mais velhos enfrentam discriminação etária e são frequentemente preteridos em vagas para as quais estão qualificados, embora tragam experiência, maturidade e perspectiva [33].

Uma contradição no cerne da política

Os governos elevam a idade de aposentadoria partindo do pressuposto de que as pessoas mais velhas conseguem encontrar trabalho, enquanto experimentos de campo mostram empregadores filtrando-as a partir dos 40 anos [28] [30]. Onde as duas coisas colidem, o resultado não é uma vida profissional mais longa, e sim intervalos mais longos entre o último emprego e o primeiro pagamento da aposentadoria — intervalos financiados por poupança, benefícios por incapacidade ou pobreza.

Os custos não são apenas individuais. O Relatório Mundial sobre o Idadismo (Global Report on Ageism), da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em março de 2021 com outros três organismos da ONU, constatou que uma em cada duas pessoas no mundo tem atitudes idadistas em relação aos idosos [35] ✓ Fato comprovado. O relatório estimou que o idadismo foi responsável por 63 bilhões de dólares em gastos excedentes com saúde nos Estados Unidos em um único ano, e que empregar 5 % mais australianos com 55 anos ou mais valeria 48 bilhões de dólares australianos por ano para a economia [35] ◈ Evidências sólidas. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que os países não podem permitir que estereótipos, preconceito e discriminação baseados na idade limitem as oportunidades de garantir a saúde, o bem-estar e a dignidade das pessoas em toda parte [35].

A discriminação também assume uma forma institucional raramente chamada por esse nome: o desconto etário embutido na remuneração. No Japão, onde as empresas são legalmente obrigadas a oferecer a continuidade do emprego até os 65 anos e a envidar esforços para fazê-lo até os 70, a recontratação depois da idade de aposentadoria da empresa costuma vir acompanhada de um corte salarial acentuado. Apenas 39,6 % das empresas japonesas mantêm a remuneração pós-aposentadoria acima de 80 % do nível anterior, o que significa que cerca de 60 % a cortam em mais de um quinto pelo mesmo trabalho ou por um trabalho semelhante [36] ✓ Fato comprovado. A idade obrigatória de aposentadoria de 60 anos na Coreia do Sul produz um precipício semelhante [37]. Esses sistemas mantêm os mais velhos trabalhando, mas em condições que seriam consideradas discriminatórias se aplicadas a qualquer outro grupo. São o preço pelo qual os empregadores aceitaram a obrigação de mantê-los.

05

A restrição de saúde e de qualificação
Quem consegue de fato trabalhar até os 67 — e quem não consegue

Na Inglaterra, os homens das áreas mais carentes podem esperar apenas 51,1 anos de vida saudável, contra 70,1 anos nas menos carentes [38]. Uma idade de aposentadoria única aplicada aos dois grupos não é neutra; é uma transferência ✓ Fato comprovado.

A defesa do prolongamento da vida laboral apoia-se no pressuposto de que vidas mais longas são também vidas mais saudáveis. Na média, isso é em grande parte verdade, mas a média esconde desigualdades enormes. O relatório World Health Statistics 2024, da Organização Mundial da Saúde, registrou uma expectativa de vida mundial de 71,4 anos em 2021 e uma expectativa de vida saudável de 61,9, o que significa que as pessoas vivem, em média, cerca de 9,5 anos com a saúde debilitada [39] ✓ Fato comprovado. Dentro de cada país, a variação é maior do que entre os países. O Office for National Statistics constatou que, na Inglaterra, a expectativa de vida saudável dos homens das áreas menos carentes era de 70,1 anos em 2020-22, contra 51,1 anos nas mais carentes — uma diferença de 19,0 anos; entre as mulheres, a diferença era de 19,7 anos [38] ✓ Fato comprovado. Os homens das áreas mais pobres da Inglaterra podem, portanto, esperar perder a boa saúde mais de 15 anos antes de atingir a idade de acesso à State Pension.

19,0
Anos de vida saudável que separam os homens mais ricos dos mais pobres na Inglaterra
ONS, 2024 · ✓ Fato comprovado
14,6
Anos de expectativa de vida entre o 1 % mais rico e o 1 % mais pobre dos homens nos EUA
JAMA, 2016 · ✓ Fato comprovado
46 %
Inativos britânicos de 50 a 64 anos com cinco ou mais problemas de saúde
ONS, 2023 · ✓ Fato comprovado
24 %
Parcela das pessoas de 55 a 65 anos em treinamento profissional, contra 41 % entre 45 e 54
OCDE, 2023 · ✓ Fato comprovado

A desigualdade de longevidade por renda é igualmente gritante nos Estados Unidos. Raj Chetty e colegas, com base em registros fiscais e de mortalidade, constataram que o 1 % mais rico dos homens americanos vive 14,6 anos a mais que o 1 % mais pobre, e as mulheres mais ricas, 10,1 anos a mais [40] ✓ Fato comprovado. A diferença está aumentando: entre 2001 e 2014, a expectativa de vida subiu 2,34 anos para os homens dos 5 % do topo da distribuição de renda, mas apenas 0,32 ano para os homens dos 5 % da base [40]. Em 23 países da OCDE, os homens de 65 anos com alta escolaridade podem esperar viver 3,6 anos a mais que os de baixa escolaridade, e as mulheres, 2,6 anos a mais [41] ✓ Fato comprovado. Como os aumentos da idade de aposentadoria se justificam pelos ganhos médios de longevidade, e como esses ganhos se concentram nos mais abastados, uma elevação uniforme pede às pessoas que menos ganharam que abram mão de mais.

Os limites de saúde são agravados pela natureza física de muitas ocupações. Uma advogada de 66 anos e uma cuidadora de 66 anos enfrentam a mesma idade de aposentadoria, mas não o mesmo corpo ao fim de uma semana de trabalho. O Employment Outlook 2025 da OCDE dedicou um capítulo inteiro às qualificações e aos empregos dos trabalhadores mais velhos num mercado de trabalho em transformação, reflexo do reconhecimento crescente de que a restrição muitas vezes está no emprego, e não no trabalhador [42]. No Reino Unido, 55 % dos inativos por doença de longa duração em meados de 2022 — cerca de 1,3 milhão de pessoas — tinham entre 50 e 64 anos [22] ✓ Fato comprovado. Para esse grupo, uma idade de aposentadoria mais alta não significa mais trabalho. Significa depender por mais tempo de auxílios-doença e benefícios por incapacidade, ou da poupança, até que a aposentadoria chegue.

✓ Fato comprovado Entre 2001 e 2014, a expectativa de vida nos EUA subiu 2,34 anos para os 5 % mais ricos dos homens, mas só 0,32 ano para os 5 % mais pobres

Chetty e colegas, com base em registros fiscais e de mortalidade, constataram que os ganhos de longevidade se concentraram no topo da distribuição de renda [40]. As idades de aposentadoria são fixadas em função da expectativa de vida média; vinculá-las às médias sem ajustar esse gradiente transforma um ajuste demográfico numa transferência regressiva. O mesmo gradiente aparece por escolaridade em 23 países da OCDE [41].

A qualificação é a segunda restrição, e os dados sobre ela são mais recentes. A Pesquisa de Competências de Adultos (Survey of Adult Skills) de 2023 da OCDE, publicada em dezembro de 2024, registrou pontuações médias de 260 em letramento, 263 em numeramento e 251 em resolução adaptativa de problemas nos países participantes [43]. As pessoas de 55 a 65 anos pontuaram abaixo das de 25 a 34 anos em todos os domínios: 30 pontos a menos em letramento na média da OCDE, 55 pontos na Coreia do Sul, 26 na Inglaterra e 17 nos Estados Unidos [44] ✓ Fato comprovado. A OCDE pondera que essas diferenças podem refletir efeitos do envelhecimento, mas também diferenças na qualidade e na quantidade de educação e formação entre gerações [44]. A distância excepcionalmente grande da Coreia é coerente com essa leitura: suas coortes mais velhas foram educadas antes da grande expansão da escolarização no país.

O sistema de formação, por sua vez, amplia a distância que deveria reduzir. Apenas cerca de 33 % das pessoas de 60 a 65 anos participaram de algum treinamento em 2023, contra mais de 50 % das de 25 a 44 anos, e a parcela que aprende no próprio trabalho caiu de 62 % entre 25 e 29 anos para 45 % entre 60 e 65 [42] ◈ Evidências sólidas. Dados anteriores da OCDE situavam a participação em treinamento profissional em 24 % para as pessoas de 55 a 65 anos, contra 41 % para as de 45 a 54 [45] ✓ Fato comprovado. Os empregadores investem menos nos funcionários mais velhos porque esperam um retorno mais curto; os próprios funcionários mais velhos investem menos em si mesmos pelo mesmo motivo. No entanto, um trabalhador de 55 anos diante de uma idade de aposentadoria de 67 ou 70 tem pela frente de 12 a 15 anos de vida profissional, mais do que o tempo médio de permanência no emprego de um funcionário mais jovem. A lacuna de formação é uma relíquia de uma época em que os 55 anos marcavam o começo do fim.

A inteligência artificial acrescenta uma variável nova e ambígua. A OCDE constata que a exposição à automação é maior entre os trabalhadores mais jovens e cai rapidamente com a idade, enquanto a exposição à IA em sentido mais amplo segue um formato de U invertido ao longo da vida; constata também que o uso de IA generativa cresceu mais depressa entre as pessoas de 55 a 74 anos em 2024-25, ainda que a partir de uma base baixa [46] ◈ Evidências sólidas. Uma pesquisa divulgada pelo Pension Research Council da Wharton situou em 18 % o uso de IA generativa entre trabalhadores de 50 a 64 anos, bem abaixo do observado entre os trabalhadores na casa dos 30 e dos 40 [47]. Cerca de 34 % dos americanos com 50 anos ou mais em busca de emprego disseram, em janeiro de 2025, temer que a IA ameaçasse a segurança de seu emprego [33]. A IA poderia prolongar a vida profissional ao assumir as partes física e cognitivamente desgastantes do trabalho — ou encurtá-la ao desvalorizar a experiência. O que acontecerá depende muito de os trabalhadores mais velhos serem ou não treinados para usá-la.

06

O que as forças de trabalho mais velhas estão aprendendo
Japão, Coreia do Sul, Singapura, Dinamarca, Alemanha, China e França

Os países que envelheceram primeiro já testaram quase todas as políticas disponíveis: recontratação obrigatória, rendimentos isentos de impostos, vínculos automáticos com a expectativa de vida e até a suspensão pura e simples. Seus resultados são as melhores evidências existentes sobre o que funciona ◈ Evidências sólidas.

A abordagem japonesa consiste em atribuir a obrigação aos empregadores, e não ao sistema previdenciário. As empresas devem oferecer emprego até os 65 anos e, desde uma emenda de 2021, devem envidar esforços para garantir oportunidades de trabalho até os 70 [48]. A parcela de empresas com medidas para garantir trabalho até os 70 anos subiu de 25,6 % em 2021 para 34,8 % em 2024 [48] [36] ✓ Fato comprovado, e as pequenas e médias empresas avançaram mais depressa que as grandes: 32,4 % contra 25,5 % nos dados de 2025 [48]. Em número de pessoas ocupadas, o modelo funciona: o Japão tem as maiores taxas de emprego de pessoas no fim da casa dos 60 entre as grandes economias [3]. Seu ponto fraco é a qualidade do emprego. A recontratação costuma vir com contratos por prazo determinado e salários muito menores, o que mantém as pessoas trabalhando, mas muitas vezes em funções aquém de sua qualificação [36].

A Coreia do Sul mostra o que acontece quando a idade obrigatória de aposentadoria e a idade de acesso à previdência se descolam. A idade legal de aposentadoria na Coreia é de 60 anos, enquanto a idade de acesso à previdência nacional está subindo para 65 até 2033, o que deixa um intervalo de até cinco anos sem salário nem aposentadoria [37] ✓ Fato comprovado. Cerca de 40 % dos coreanos com 65 anos ou mais vivem abaixo da linha de pobreza relativa, a taxa mais alta da OCDE e bem acima da média da organização, de cerca de 14,8 % [49] ◈ Evidências sólidas. A Comissão Nacional de Direitos Humanos recomendou, em março de 2025, elevar a idade de aposentadoria para 65 anos, e em junho de 2026 uma comissão do governista Partido Democrata propôs elevá-la em um ano a cada dois a partir de 2028, até chegar a 65 em 2036 [50]. O apoio público é alto: 88,3 % defendem uma elevação gradual [51].

O debate coreano também expõe quem paga a conta. Ryu Gi-seop, da Federação dos Sindicatos da Coreia (FKTU), descreveu o abismo de renda entre a aposentadoria e o início dos pagamentos previdenciários como um problema estrutural diretamente ligado à taxa de pobreza dos idosos no país, a mais alta da OCDE [37]. Os empregadores, representados por Lee Sang-cheol, da Korea Enterprises Federation, argumentam que uma extensão uniforme concentraria os benefícios nas grandes empresas e nos trabalhadores sindicalizados com contratos regulares, aprofundando a desigualdade no mercado de trabalho [37] ⚖ Contestado. A Confederação Coreana de Sindicatos (KCTU), do lado oposto, qualificou o plano gradual como equivalente a abandonar centenas de milhares de trabalhadores a um vazio de renda [50]. Ambos têm razão sobre parte do problema: uma idade de aposentadoria mais alta protege os que já estão dentro, com empregos estáveis, enquanto os que têm trabalho precário — e mais precisam de renda — são os menos beneficiados. O prazo de fim de 2026 para uma decisão na Coreia vai pôr à prova a possibilidade de um acordo que contemple os dois lados [37].

Singapura oferece o modelo de sequenciamento mais cuidadoso. Pela Retirement and Re-employment Act, a idade de aposentadoria subiu de 63 para 64 anos e a idade de recontratação de 68 para 69 em 1º de julho de 2026, numa trajetória que leva a 65 e 70 até 2030 [52] ✓ Fato comprovado. Os empregadores devem oferecer recontratação aos trabalhadores elegíveis até a idade de recontratação, o que dá aos funcionários mais velhos uma expectativa legal de continuidade no trabalho sem congelar seus contratos antigos. A Dinamarca tomou o caminho oposto, legislando o resultado em vez da obrigação: em maio de 2025, o Parlamento aprovou por 81 votos a 21 a elevação da idade de aposentadoria para 70 anos até 2040 para os nascidos depois de 1970, passando por 68 em 2030 e 69 em 2035 [53] ✓ Fato comprovado. A Dinamarca vincula sua idade de aposentadoria à expectativa de vida desde a reforma do Estado de bem-estar de 2006 [53]. Ainda assim, a primeira-ministra Mette Frederiksen havia questionado o mecanismo automático em 2024, ao dizer que não se podia simplesmente continuar mandando as pessoas trabalharem mais um ano [54].

1889
A Alemanha cria o seguro-velhice — O sistema de Bismarck paga uma pensão por velhice a partir dos 70 anos, idade reduzida para 65 em 1916 [55].
1908
A Old Age Pensions Act britânica — Uma pensão não contributiva de cinco xelins por semana a partir dos 70 anos [56].
1935
A Social Security Act americana — Sancionada em 14 de agosto de 1935, fixa os benefícios de aposentadoria aos 65 anos [57].
1999
A armadilha da aposentadoria antecipada é medida — Gruber e Wise encontram impostos implícitos sobre o trabalho após a idade de aposentadoria antecipada de cerca de 70 % na França e de 40 % na Alemanha [58].
2006
OCDE: Live Longer, Work Longer — Uma síntese de 21 estudos nacionais adverte que o número de aposentados por trabalhador dobrará em 50 anos [59].
2021
O Japão impõe o dever de esforço até os 70 — Os empregadores devem envidar esforços para garantir trabalho a seus funcionários até os 70 anos [48].
2022
O pico da grande onda de aposentadorias nos EUA — As aposentadorias excedentes se aproximam de 2,8 milhões antes de se normalizarem até 2025 [19] [20].
2023
A França eleva a idade mínima para 64 anos — Em meio a protestos maciços, a reforma eleva a idade legal de 62 para 64 anos até 2030 [60].
2025
O primeiro aumento na China desde os anos 1950 — A partir de janeiro, as idades de aposentadoria começam a subir ao longo de 15 anos: para 63 no caso dos homens, para 55 e 58 no das mulheres [8].
2025
A Dinamarca aprova a aposentadoria aos 70 — O Parlamento aprova por 81 votos a 21 uma idade de aposentadoria de 70 anos até 2040 [53].
2026
Começa a Aktivrente alemã — A partir de 1º de janeiro, até 2.000 euros mensais de rendimentos do trabalho após a idade de aposentadoria ficam isentos de imposto [61].
2026
Singapura passa para 64 e 69 anos — As idades de aposentadoria e de recontratação sobem em 1º de julho, rumo a 65 e 70 até 2030 [52].

A Alemanha preferiu os incentivos à obrigação. Sua Aktivrente, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, isenta do imposto de renda até 2.000 euros mensais de rendimentos do trabalho para quem continuar trabalhando depois da idade legal de aposentadoria [61] ✓ Fato comprovado. O regime exclui autônomos, servidores públicos e quem tem minijobs [62]. O ministro das Finanças, Lars Klingbeil, apresentou a medida como uma recompensa: quem escolher trabalhar por mais tempo deve sentir um ganho real no bolso [61]. Seus prováveis beneficiários, porém, são os que já podem e querem trabalhar depois dos 67 — em geral, empregados mais saudáveis e mais bem pagos —, o que levanta dúvidas sobre o custo de peso morto que só a avaliação poderá esclarecer. A Suécia, por sua vez, embutiu o ajuste no próprio sistema: sua idade-alvo de aposentadoria, a riktålder, está fixada em 67 anos para o período de 2026 a 2031, com saque mais cedo possível aos 64, e acompanha a expectativa de vida [63] ✓ Fato comprovado.

China e França ilustram os limites políticos. A reforma chinesa, aprovada pelo Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional em setembro de 2024, eleva a idade de aposentadoria dos homens de 60 para 63 anos e a das mulheres de 50 para 55 ou de 55 para 58 ao longo de 15 anos a partir de janeiro de 2025, ao mesmo tempo que amplia o período mínimo de contribuição de 15 para 20 anos até 2039 [8] ✓ Fato comprovado. Ela foi motivada em parte por projeções da Academia Chinesa de Ciências Sociais segundo as quais o fundo de previdência urbano poderia se esgotar até 2035 [64] ◈ Evidências sólidas. A França elevou sua idade mínima de 62 para 64 anos em 2023, apesar de protestos maciços [60], e depois, sob o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, suspendeu a reforma no fim de 2025, congelando a idade legal em 62 anos e 9 meses até janeiro de 2028 [65] [66] ✓ Fato comprovado. Lecornu prometeu que não haveria nenhum aumento da idade de agora até janeiro de 2028 [65]. A lição não é que a reforma seja impossível, mas que ela é reversível quando lhe falta consentimento.

  • Obrigação do empregador (Japão, Singapura): as empresas devem oferecer a continuidade do trabalho até uma idade fixada; emprego alto, salários e qualidade do emprego menores [36] [52]
  • Vínculo automático com a expectativa de vida (Dinamarca, Suécia): previsível, mas politicamente contestado à medida que as idades se aproximam dos 70 [53] [63]
  • Incentivos fiscais (Alemanha): recompensam quem já tem condições de trabalhar; risco de peso morto [61]
  • Aumentos escalonados por lei (China, Reino Unido, EUA): grande economia fiscal, efeitos desiguais sobre o emprego [8] [11]
  • Suspensão ou reversão (França): mostra o custo de uma reforma sem consentimento [65]
A obrigação funciona, mas tem um preço

Os países com o maior nível de emprego no fim da carreira — o Japão acima de todos — chegaram lá obrigando os empregadores a manter os funcionários mais velhos e permitindo cortes salariais acentuados na recontratação [36]. Essa barganha aumenta o número de pessoas ocupadas, mas consolida um desconto etário institucional. O modelo de recontratação de Singapura e o incentivo fiscal alemão são tentativas de manter o primeiro sem o segundo; nenhum dos dois foi avaliado até agora.

07

As questões em disputa
Deslocamento dos jovens, equidade, produtividade e a mente do aposentado

Quatro controvérsias moldam a política do prolongamento da vida laboral: se os trabalhadores mais velhos tiram empregos dos jovens, se idades de aposentadoria mais altas são regressivas, se forças de trabalho envelhecidas são menos produtivas e se o trabalho protege o cérebro que envelhece ⚖ Contestado.

A objeção mais antiga é a de que os trabalhadores mais velhos ocupam vagas que, de outro modo, iriam para os jovens. Os economistas chamam isso de falácia do montante fixo de trabalho, e a maior parte das evidências justifica o rótulo. Um projeto multinacional do NBER liderado por Jonathan Gruber, Kevin Milligan e David Wise, que abrangeu 12 países, não encontrou evidência de que aumentar o emprego dos mais velhos reduza as oportunidades de emprego dos jovens [67] [68] ◈ Evidências sólidas. Com dados estaduais americanos de 1977 a 2011, Alicia Munnell e April Yanyuan Wu, do Boston College, constataram que um nível maior de emprego dos trabalhadores mais velhos estava associado a menor desemprego e a maior emprego entre os jovens; a teoria pode soar plausível, concluíram, mas os dados não a sustentam [69]. Com o tempo, as economias se ajustam: os mais velhos empregados gastam, poupam e criam demanda por outros trabalhadores.

No curto prazo, porém, o quadro pode ser outro ⚖ Contestado. Ao estudar a reforma Fornero de 2011 na Itália, que elevou abruptamente as idades de aposentadoria, Tito Boeri, Pietro Garibaldi e Espen Moen constataram que, para cada cinco trabalhadores mais velhos retidos no emprego por um ano a mais, as empresas reduziram a contratação de jovens em cerca de um posto equivalente em tempo integral [70]. O efeito concentrou-se em empresas com restrições financeiras, nas quais uma folha salarial fixa fazia com que um salário sênior a mais deslocasse uma contratação júnior. Os dois conjuntos de evidências são conciliáveis: numa economia em crescimento e com contratação flexível, os trabalhadores mais velhos complementam os mais jovens; numa economia estagnada e com folhas de pagamento rígidas, reformas súbitas podem bloquear a entrada dos jovens. O sequenciamento e as condições econômicas importam tanto quanto a própria reforma.

A questão da equidade é menos disputada quanto aos fatos do que quanto ao remédio ⚖ Contestado. Ninguém contesta que a expectativa de vida varia acentuadamente conforme a renda e a escolaridade [40] [41] [38]. A divergência está em saber se isso torna inaceitáveis os aumentos da idade de aposentadoria ou se apenas exige medidas compensatórias — acesso mais fácil aos benefícios por incapacidade, aposentadoria antecipada para carreiras longas ou trabalhos penosos, ou benefícios mais generosos na base da pirâmide. O próprio debate dinamarquês mostra a tensão: até um governo que aprovou a aposentadoria aos 70 questionou o mecanismo automático por trás dela [54]. O FMI observa que as desigualdades socioeconômicas de saúde por escolaridade, riqueza e residência rural persistiram mesmo enquanto a saúde média melhorava [12] ✓ Fato comprovado.

A controvérsia sobre a produtividade depende do nível de análise ⚖ Contestado. Estudos de trabalhadores individuais em contextos específicos — a linha de montagem de Börsch-Supan é o mais conhecido — não encontram declínio até os 60 anos [26], enquanto estudos de economias regionais inteiras constatam que populações envelhecidas crescem mais devagar, sobretudo por causa da produtividade [27]. A controvérsia sobre a cognição é semelhante. Susann Rohwedder e Robert Willis, ao comparar países com idades de aposentadoria diferentes, constataram que a aposentadoria tinha um impacto negativo significativo sobre a capacidade cognitiva de pessoas no início da casa dos 60, o que sugere que a aposentadoria pode levar a um cotidiano menos estimulante [71]. Mas Norma Coe e colegas, usando ofertas inesperadas de aposentadoria antecipada como experimento natural, não encontraram efeito causal negativo para trabalhadores de escritório e encontraram um efeito positivo para trabalhadores braçais [72]. Se o trabalho protege a mente pode depender de qual é o trabalho.

Os argumentos a favor de trabalhar por mais tempo

Necessidade fiscal
Com 52 pessoas acima de 65 anos para cada 100 em idade ativa até 2050, os sistemas previdenciários não podem ser financiados sem carreiras mais longas [1] [11].
Idosos mais saudáveis
Em 41 economias, uma pessoa de 70 anos em 2022 tinha a capacidade cognitiva de alguém de 53 anos em 2000 [12].
Sem deslocamento dos jovens
Evidências de 12 países não mostram redução do emprego dos jovens quando aumenta o emprego dos mais velhos [67].
A produtividade se mantém
A produtividade das equipes numa linha de montagem de automóveis não declina pelo menos até os 60 anos [26].
As reformas funcionam
Um ano a mais na idade de aposentadoria das mulheres no Reino Unido elevou em 7,3 pontos o emprego das mulheres de 60 anos [25].

Os argumentos a favor da cautela

Regressiva por concepção
O 1 % mais rico dos homens americanos vive 14,6 anos a mais que o 1 % mais pobre; aumentos uniformes atingem mais os pobres [40].
Desigualdades de saúde
A expectativa de vida saudável dos homens nas áreas mais pobres da Inglaterra é de cerca de 51 anos, muito abaixo da idade de aposentadoria [38].
Deslocamento no curto prazo
A reforma súbita da Itália cortou a contratação de jovens em cerca de uma vaga para cada cinco trabalhadores mais velhos retidos [70].
Produtividade agregada
Um aumento de 10 % na parcela da população com 60 anos ou mais reduz em 5,5 % o crescimento do PIB per capita [27].
Demanda discriminatória
Experimentos de campo mostram empregadores filtrando mulheres mais velhas a partir dos 40 anos [28] [30].

Automação e imigração são frequentemente apresentadas como alternativas ao prolongamento da vida laboral ⚖ Contestado. Daron Acemoglu e Pascual Restrepo constataram que as sociedades que envelhecem adotam robôs industriais mais depressa, mas que os robôs tendem a substituir trabalhadores de meia-idade, de 36 a 55 anos, e não os mais velhos [73]. A automação, portanto, compensa a escassez de trabalhadores na idade mais produtiva, em vez de eliminar a necessidade de que as pessoas trabalhem por mais tempo. A imigração pode compensar parte da queda da população em idade ativa, mas em países como Japão e Coreia do Sul, onde essa população deve cair mais de 30 % [1], a escala necessária seria política e socialmente sem precedentes. Nenhuma das três alavancas — imigração, tecnologia ou carreiras mais longas — basta sozinha, e é por isso que o debate sobre o prolongamento da vida laboral não gira em torno do se, mas do como.

O peso das evidências sugere uma conclusão matizada. Trabalhar por mais tempo é viável para a maioria das pessoas com boa saúde e em funções que aproveitam a experiência acumulada, e, em geral, não custa o emprego dos jovens ◈ Evidências sólidas. Mas não é igualmente viável para todos, o mercado de trabalho não o acolhe bem e os custos de uma reforma uniforme recaem de forma desproporcional sobre as pessoas de vida mais curta e menos saudável. As questões em disputa dizem respeito, portanto, menos a se as pessoas devem trabalhar por mais tempo do que a quais pessoas, em quais empregos e com que proteção para quem não puder fazê-lo.

08

O que as evidências nos dizem
De uma idade de aposentadoria a uma política para a vida profissional

A justificativa demográfica para trabalhar por mais tempo está estabelecida; a justificativa para fazê-lo apenas por meio da idade de aposentadoria, não. Os países que estão conseguindo combinam uma idade de aposentadoria mais tardia com obrigações para os empregadores, investimento em qualificação e saúde e proteção para quem não pode continuar ◈ Evidências sólidas.

As evidências reunidas neste relatório apontam para cinco conclusões. Primeiro, trabalhar por mais tempo não é uma política futura, mas uma realidade presente: o emprego na OCDE das pessoas de 60 a 64 anos subiu mais de 20 pontos percentuais [2], e o Japão emprega a maioria das pessoas no fim da casa dos 60 [3] ✓ Fato comprovado. Segundo, tem valor: o FMI estima que um envelhecimento mais saudável acrescenta cerca de 0,4 ponto percentual por ano ao crescimento mundial [12], e as reformas da idade de aposentadoria geram economia fiscal imediata [11]. Terceiro, a principal barreira muitas vezes não é a capacidade dos trabalhadores, mas a disposição dos empregadores, como mostram os experimentos de campo sobre contratação [28]. Quarto, a capacidade de trabalhar por mais tempo é distribuída de forma desigual segundo a saúde, a escolaridade e a renda [38] [40]. Quinto, reformas impostas sem consentimento podem ser revertidas, como a França demonstrou em 2025 [65].

Os riscos da atual combinação de políticas podem ser avaliados à luz dessas evidências. Uma idade de aposentadoria que sobe mais depressa do que a expectativa de vida saudável dos grupos de menor renda corre o risco de empurrar as pessoas para os benefícios por incapacidade ou para a pobreza, e não para o trabalho. A discriminação na contratação faz com que os trabalhadores mais velhos que perdem o emprego no fim da casa dos 50 talvez nunca mais encontrem um trabalho equivalente. Os sistemas de formação continuam concebidos para trabalhadores com longas carreiras pela frente, e não para os de 55 anos que agora ainda têm 15 anos de trabalho. E o desconto salarial na recontratação, como no Japão, pode tornar as carreiras mais longas economicamente viáveis para os empregadores, mas pouco atraentes para os trabalhadores [36].

RiscoGravidadeAvaliação
Incidência regressiva de aumentos uniformes da idade de aposentadoria
Crítica
Com uma expectativa de vida saudável 19 anos menor nas áreas mais pobres da Inglaterra, aumentos uniformes transferem os custos para quem tem menos condições de trabalhar [38].
Discriminação na contratação de trabalhadores mais velhos
Alta
Evidências robustas de discriminação contra mulheres mais velhas em experimentos de campo com mais de 40 mil candidaturas [28].
Lacunas previdenciárias e pobreza na velhice
Alta
Na Coreia do Sul, o intervalo entre a aposentadoria aos 60 e a previdência aos 65 coincide com uma pobreza na velhice de cerca de 40 % [49] [37].
Erosão de competências e descaso com a formação
Média
Apenas 24 % das pessoas de 55 a 65 anos recebem treinamento profissional, contra 41 % das de 45 a 54 [45].
Reversão política das reformas
Média
A França congelou sua reforma de 2023 em menos de dois anos, o que mostra que reformas sem consentimento são frágeis [65] [66].

A resposta de política pública que as evidências respaldam é mais ampla do que uma idade de aposentadoria. Ela trata as últimas décadas da vida profissional como uma etapa a ser planejada, e não como um prolongamento a ser imposto. Isso significa aplicar a legislação contra a discriminação etária com o mesmo rigor dedicado a outras características protegidas, já que as denúncias nos Estados Unidos chegaram a 16.223 no ano fiscal de 2024, enquanto a agência federal responsável moveu apenas sete ações judiciais [34] ◈ Evidências sólidas. Significa formação no meio da carreira, na casa dos 50, quando ainda restam de 12 a 15 anos de vida profissional, em vez de requalificação depois da demissão. Significa medidas de saúde ocupacional e trabalho flexível que permitam às pessoas em funções fisicamente exigentes continuar produtivas, além de vias específicas de saída do mercado de trabalho para quem não puder continuar.

Significa também vincular as idades de aposentadoria não à longevidade média, mas às evidências sobre quem consegue de fato trabalhar. Vários países já permitem a aposentadoria antecipada para carreiras longas ou ocupações penosas; as evidências sobre as desigualdades de longevidade sugerem que essas exceções não são brechas, e sim correções [41] [40]. Os rendimentos isentos de impostos da Alemanha e a escada de recontratação de Singapura são experimentos iniciais para tornar o trabalho prolongado atraente, e não meramente obrigatório [61] [52]. Seus resultados, junto com a longa transição gradual da China [8] e a passagem da Dinamarca para os 70 anos [53], formarão a próxima geração de evidências.

Da idade de aposentadoria a uma política para a vida profissional

A lição central das forças de trabalho mais velhas é que a idade de aposentadoria é a parte menos importante da política. O que determina se as pessoas de fato trabalharão por mais tempo é se os empregadores vão contratá-las, se a saúde delas permitirá e se suas competências continuarão atualizadas [12] [42]. Os governos que mexerem apenas na idade de aposentadoria vão capturar a economia fiscal, mas boa parte do ganho econômico ficará por colher — e o custo recairá sobre quem tem menos condições de arcar com ele.

O envelhecimento da força de trabalho é, afinal, um teste: saber se as sociedades conseguem acompanhar a boa notícia biológica de vidas mais longas e mais saudáveis com instituições que permitam às pessoas usar esses anos de forma produtiva e justa. A constatação do FMI de que os 70 anos de hoje têm a capacidade cognitiva dos 53 anos de ontem [12] é uma notícia genuinamente boa. Mas ela descreve uma média, e a política previdenciária é vivida por indivíduos. Para os saudáveis, os escolarizados e os bem empregados, trabalhar até os 70 é cada vez mais realista e às vezes desejável. Para a cuidadora, o trabalhador braçal e a mulher descartada nos processos seletivos aos 55 anos, é uma promessa que o mercado de trabalho ainda não fez. Fechar essa lacuna, e não elevar a idade, é a verdadeira tarefa de política pública de uma sociedade que encolhe.

SRC

Primary Sources

All factual claims in this report are sourced to specific, verifiable publications. Projections are clearly distinguished from empirical findings.

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APA
OsakaWire Intelligence. (2026, October 23). Trabalhar até os 70: o que as forças de trabalho mais velhas ensinam. Retrieved from https://osakawire.com/pt/working-to-70-what-the-oldest-workforces-have-learned/
CHICAGO
OsakaWire Intelligence. "Trabalhar até os 70: o que as forças de trabalho mais velhas ensinam." OsakaWire. October 23, 2026. https://osakawire.com/pt/working-to-70-what-the-oldest-workforces-have-learned/
PLAIN
"Trabalhar até os 70: o que as forças de trabalho mais velhas ensinam" — OsakaWire Intelligence, 23 October 2026. osakawire.com/pt/working-to-70-what-the-oldest-workforces-have-learned/

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  <p>Aposentadoria mais tarde, idadismo na contratação e desigualdade de saúde: o que Japão, Coreia do Sul, Singapura, Dinamarca e Alemanha aprenderam ao prolongar a vida profissional.</p>
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